Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Ai, que sufoco!

Você e seu amigo vasculham cada centímetro da embarcação e nada de valor encontram. De súbito seu companheiro de jornada aponta para a direção de um esqueleto que você já havia visto, mas não reparará no baú que ele protegia como se fosse seu bem mais precioso. Chegam perto e, mesmo com certo receio, afastam os ossos polidos pelas correntes marinhas. Sem muito esforço você consegue abri-lo e, dentro dele, a concretização de seus sonhos mais íntimos: dobrões espanhóis e diamantes, em quantidade que poderiam torná-lo rei.

 

A ganância fala alto e você pensa em acabar com a vida de seu colega e ficar com tudo para si, mas por que matá-lo se havia o suficiente para ambos? Mas seu colega não pensa da mesma maneira e, num momento de distração, desfere um golpe com uma faca em sua barriga. O medo invade seu ser, quando os primeiros filetes de sangue emergem. Seu colega se prepara para mais uma estocada, mas dessa vez não o pegará de surpresa. Você luta pelos seus sonhos e pela sua vida, com todas as suas forças, até conseguir lançá-lo contra um pedaço de madeira pontiagudo. O primeiro impacto somente perfura a pele, mas você empurra com mais força repetidas vezes até que a madeira atravesse o corpo. A vermelhidão toma conta do navio enquanto você fica contemplando os últimos espasmos de vida até a morte inevitável.

 

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E. B. Toniolli
Ai, que sufoco!

Você e seu amigo vasculham cada centímetro da embarcação e nada de valor encontram. De súbito seu companheiro de jornada aponta para a direção de um esqueleto que você já havia visto, mas não reparará no baú que ele protegia como se fosse seu bem mais precioso. Chegam perto e, mesmo com certo receio, afastam os ossos polidos pelas correntes marinhas. Sem muito esforço você consegue abri-lo e, dentro dele, a concretização de seus sonhos mais íntimos: dobrões espanhóis e diamantes, em quantidade que poderiam torná-lo rei.

 

A ganância fala alto e você pensa em acabar com a vida de seu colega e ficar com tudo para si, mas por que matá-lo se havia o suficiente para ambos? Mas seu colega não pensa da mesma maneira e, num momento de distração, desfere um golpe com uma faca em sua barriga. O medo invade seu ser, quando os primeiros filetes de sangue emergem. Seu colega se prepara para mais uma estocada, mas dessa vez não o pegará de surpresa. Você luta pelos seus sonhos e pela sua vida, com todas as suas forças, até conseguir lançá-lo contra um pedaço de madeira pontiagudo. O primeiro impacto somente perfura a pele, mas você empurra com mais força repetidas vezes até que a madeira atravesse o corpo. A vermelhidão toma conta do navio enquanto você fica contemplando os últimos espasmos de vida até a morte inevitável.

 

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