Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Lá vem o sol

Ufa, cheguei a tempo.
Pensei que não iria conseguir.
Fazer o salto quântico de Donora para o sistema solar já foi mais fácil e mais tranquilo. Foram vários iôns esperando pela liberação. Me lembra de quando nem havia fila, era só chegar e passar.
Hehehehehehehe… Tempos bons aqueles.
Lembra do Marlon que fazia micro bolsas de excrementos e deixava boiando na entrada. Aí as naves passavam e eram lavadas com merda.
Hahahahaha… Bons tempos.
Apesar da viagem ser bastante desgastante eu não perderia isso por nada. Pousei minha nave em Marte para matar a saudade do meu lar. Um lugar onde nasci e vivi os melhores séculos da minha vida: na Terra. Naquela época ainda havia água. Havia vida em infinitas formas, cores, cheiros e sabores. A vida pulsava, corria, nadava, voava de uma forma tão intensa que parece ser eterna.
Foi na Terra que consegui comprar meu primeiro planeta, colonizar com meus clones e meus filhos, que hoje estão espalhados por todo universo.
Apesar de já ter perdido a conta da minha idade e quantas gerações de humanos eu vi nascer e morrer, sinto um vazio profundo em olhar para a Terra dessa forma: uma rocha sem vida, girando no espaço e no tempo, sem um porquê. Talvez por que o motivo da sua existência já tenha se concluído: de todas as raças inteligentes que existem ou já existiram, fomos nós que conseguimos colonizar outros mundos, trazer equilíbrio, paz e desenvolvimento para todos os cantos.
Abro uma garrafa de cerveja IPA e bebo um gole com sede. Esse é um hábito que nunca vou perder. Apesar de ter bebido, cheirado e fumado coisas que levariam deuses ao êxtase, ainda prefiro minha cerveja. Minha companheira que diminui o calor que agora aumenta rapidamente.
Percebo que é chegado o momento: o sol começa a se expandir mais e mais. Vênus já não mais existe, sendo tragado pela gigante estrela vermelha. E eu me lembro de quando era apenas uma pequena estrela amarela.
De fundo deixo tocando uma música muito antiga, mas que me lembra de tanta coisa boa:
🎼 Here comes the sun do, do, do
🎵 Here comes the sun
🎶 And I say it’s all right
Eu bebo um gole com muita vontade e olho para a Terra sendo engolida pela gigante vermelha.
– Não tenha medo. Pode descansar, minha pequena! Nós nunca vamos te esquecer.

E. B. Toniolli
Lá vem o sol

Ufa, cheguei a tempo.
Pensei que não iria conseguir.
Fazer o salto quântico de Donora para o sistema solar já foi mais fácil e mais tranquilo. Foram vários iôns esperando pela liberação. Me lembra de quando nem havia fila, era só chegar e passar.
Hehehehehehehe… Tempos bons aqueles.
Lembra do Marlon que fazia micro bolsas de excrementos e deixava boiando na entrada. Aí as naves passavam e eram lavadas com merda.
Hahahahaha… Bons tempos.
Apesar da viagem ser bastante desgastante eu não perderia isso por nada. Pousei minha nave em Marte para matar a saudade do meu lar. Um lugar onde nasci e vivi os melhores séculos da minha vida: na Terra. Naquela época ainda havia água. Havia vida em infinitas formas, cores, cheiros e sabores. A vida pulsava, corria, nadava, voava de uma forma tão intensa que parece ser eterna.
Foi na Terra que consegui comprar meu primeiro planeta, colonizar com meus clones e meus filhos, que hoje estão espalhados por todo universo.
Apesar de já ter perdido a conta da minha idade e quantas gerações de humanos eu vi nascer e morrer, sinto um vazio profundo em olhar para a Terra dessa forma: uma rocha sem vida, girando no espaço e no tempo, sem um porquê. Talvez por que o motivo da sua existência já tenha se concluído: de todas as raças inteligentes que existem ou já existiram, fomos nós que conseguimos colonizar outros mundos, trazer equilíbrio, paz e desenvolvimento para todos os cantos.
Abro uma garrafa de cerveja IPA e bebo um gole com sede. Esse é um hábito que nunca vou perder. Apesar de ter bebido, cheirado e fumado coisas que levariam deuses ao êxtase, ainda prefiro minha cerveja. Minha companheira que diminui o calor que agora aumenta rapidamente.
Percebo que é chegado o momento: o sol começa a se expandir mais e mais. Vênus já não mais existe, sendo tragado pela gigante estrela vermelha. E eu me lembro de quando era apenas uma pequena estrela amarela.
De fundo deixo tocando uma música muito antiga, mas que me lembra de tanta coisa boa:
🎼 Here comes the sun do, do, do
🎵 Here comes the sun
🎶 And I say it’s all right
Eu bebo um gole com muita vontade e olho para a Terra sendo engolida pela gigante vermelha.
– Não tenha medo. Pode descansar, minha pequena! Nós nunca vamos te esquecer.