Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




O Sapatinho de couro

Berg havia se mudado a pouco tempo para o Brasil. Provindo da Holanda esperava encontrar no Brasil Colônia a realização de todos os seus sonhos e de sua jovem e bela esposa, Isabele. Mas como tinha pouco dinheiro, somente conseguiu comprar uma modesta casa nos arredores de um vilarejo. Isabele, vinda de uma família abastada, que fugiu de casa para viver o amor, começava a reclamar da situação de penúria que se encontrava.

Num certo dia ela voltou de um passeio pelo vilarejo com os olhos faiscando de desejo. Contou a Berg que havia visto um par de sapatos que lhe encheu os olhos e que não sossegaria enquanto não os tivesse. No mesmo dia Berg foi ver o preço e ficou abismado: os sapatos eram importados da França e o valor era muito alto para quem tinha mal o que comer. Mas Isabele, que sempre teve tudo o que desejou na vida, estava com a ideia fixa de ter aquele par de sapatos. Berg, que sempre cedera aos caprichos de sua esposa, disse que não seria possível comprá-los. Mas os dias passaram e Isabele começou a sonhar com o par de sapatos e seu semblante ficou triste e melancólico. Vendo o abatimento de sua esposa, Berg foi conversar com o dono da pequena loja, seu Anestor. Explicando que não possuía dinheiro, propôs que trabalhasse em troca do par de sapatos. Com a concordância, ficou estabelecido que Berg trabalharia quinze dias para, então, receber seu prêmio.

Berg enfrentou todo tipo de trabalho braçal, não sendo poupado em nada: trabalhou na lavoura, sendo usado como boi no preparo da terra, ajudou a derrubar árvores até altas horas da madrugada e sempre chegava em casa cansado, enquanto sua mulher contava os dias para receber seus sapatos. Finalizado o prazo, Berg recebeu a notícia de que o preço dos sapatos importados havia subido e que teria que trabalhar mais alguns dias. Revoltado, disse a seu Anestor que não trabalharia nem mais um minuto e foi para sua casa. Mas ao chegar em casa e encontrar sua esposa em grande expectativa pela chegada de seus áureo presente, mudou de ideia e voltou a lojinha.

Trabalhou por mais 12 dias, não sendo poupado em nada: auxiliou na construção de barcos, foi usado como boi no preparo da terra, derrubou árvores até altas horas da madrugada e sempre chegada em casa cansado e encontrava sua doce Isabele com os olhos faiscantes de expectativa.

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E. B. Toniolli
O Sapatinho de couro

Berg havia se mudado a pouco tempo para o Brasil. Provindo da Holanda esperava encontrar no Brasil Colônia a realização de todos os seus sonhos e de sua jovem e bela esposa, Isabele. Mas como tinha pouco dinheiro, somente conseguiu comprar uma modesta casa nos arredores de um vilarejo. Isabele, vinda de uma família abastada, que fugiu de casa para viver o amor, começava a reclamar da situação de penúria que se encontrava.

Num certo dia ela voltou de um passeio pelo vilarejo com os olhos faiscando de desejo. Contou a Berg que havia visto um par de sapatos que lhe encheu os olhos e que não sossegaria enquanto não os tivesse. No mesmo dia Berg foi ver o preço e ficou abismado: os sapatos eram importados da França e o valor era muito alto para quem tinha mal o que comer. Mas Isabele, que sempre teve tudo o que desejou na vida, estava com a ideia fixa de ter aquele par de sapatos. Berg, que sempre cedera aos caprichos de sua esposa, disse que não seria possível comprá-los. Mas os dias passaram e Isabele começou a sonhar com o par de sapatos e seu semblante ficou triste e melancólico. Vendo o abatimento de sua esposa, Berg foi conversar com o dono da pequena loja, seu Anestor. Explicando que não possuía dinheiro, propôs que trabalhasse em troca do par de sapatos. Com a concordância, ficou estabelecido que Berg trabalharia quinze dias para, então, receber seu prêmio.

Berg enfrentou todo tipo de trabalho braçal, não sendo poupado em nada: trabalhou na lavoura, sendo usado como boi no preparo da terra, ajudou a derrubar árvores até altas horas da madrugada e sempre chegava em casa cansado, enquanto sua mulher contava os dias para receber seus sapatos. Finalizado o prazo, Berg recebeu a notícia de que o preço dos sapatos importados havia subido e que teria que trabalhar mais alguns dias. Revoltado, disse a seu Anestor que não trabalharia nem mais um minuto e foi para sua casa. Mas ao chegar em casa e encontrar sua esposa em grande expectativa pela chegada de seus áureo presente, mudou de ideia e voltou a lojinha.

Trabalhou por mais 12 dias, não sendo poupado em nada: auxiliou na construção de barcos, foi usado como boi no preparo da terra, derrubou árvores até altas horas da madrugada e sempre chegada em casa cansado e encontrava sua doce Isabele com os olhos faiscantes de expectativa.

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