Páginas de ódio - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Páginas de ódio

– Ih alá, mó viadinho… – Vitinho falava e ria, chapadão.

– Vacilão, né, mané… – Faquinha ria descontroladamente, com uma risada mó fora do tom.

– Se eu panho um viado desses na rua eu meto a porrada, Faquinha… Pra virar homem de vez.

– Pode crê… falta de vergonha! Se gosta de piroca, vai gostar de apanhar também! – Faquinha disse, achando que fazia algum sentido na hora.

Na mente dele, que cresceu associando sexo ao homem maltratando e humilhando a mulher, realmente, pode fazer sentido, ainda mais pelos fatos sociais em que se encontram, e podemos acabar o texto aqui e começar a analisar os problemas do patriarcado no mundo, vendo a cultura do estupro sendo banalizada e passada sem questionamento de geração a geração, mas acho que chegaremos a conclusões semelhantes por meio da ficção, que por sinal, infelizmente, é muy real hoje em dia, ainda mais em bairros pobres, que dirá em favelas.

Um dos garotos do vídeo, acho que não é preciso dizer, é Rafael. O que estava abaixado, provavelmente pagando aquele bola gato, uma forma criativa de misturar inglês e português, e disfarçadamente (nem tanto hoje em dia, com a gíria já difundida), falar boquete (ball cat, bola gato, sacou?).

Os garotos da moto, um deles com o cassetete, eram Vitinho e Faquinha.
—————————————
Mas como a vida é um ciclo de ironias, voltemos mais alguns dias atrás. Sim, bagunçado é mais gostoso!
—————————————
O cabo Souza e o soldado Tenório, estão “trancados” em um escritório, no ar condicionado, de frente a computadores, entediados. Isso é uma punição pelo fato de terem atirado contra quatro garotos que estavam fumando maconha em uma rua de uma favela, e dois dos garotos terem morrido. A pena, obviamente, deve ser dura, e qual pena maior do que fazer trabalhos burocráticos, administrativos? Eles então começam a navegar no facebook. Durante o almoço, Souza e Tenório falam das merdas que viram na rede social, e surge então uma ideia: e se criassem uma página para passar ideias corretas para um mundo melhor (na concepção deles)?

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Fabiano Soares
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– Ih alá, mó viadinho… – Vitinho falava e ria, chapadão.

– Vacilão, né, mané… – Faquinha ria descontroladamente, com uma risada mó fora do tom.

– Se eu panho um viado desses na rua eu meto a porrada, Faquinha… Pra virar homem de vez.

– Pode crê… falta de vergonha! Se gosta de piroca, vai gostar de apanhar também! – Faquinha disse, achando que fazia algum sentido na hora.

Na mente dele, que cresceu associando sexo ao homem maltratando e humilhando a mulher, realmente, pode fazer sentido, ainda mais pelos fatos sociais em que se encontram, e podemos acabar o texto aqui e começar a analisar os problemas do patriarcado no mundo, vendo a cultura do estupro sendo banalizada e passada sem questionamento de geração a geração, mas acho que chegaremos a conclusões semelhantes por meio da ficção, que por sinal, infelizmente, é muy real hoje em dia, ainda mais em bairros pobres, que dirá em favelas.

Um dos garotos do vídeo, acho que não é preciso dizer, é Rafael. O que estava abaixado, provavelmente pagando aquele bola gato, uma forma criativa de misturar inglês e português, e disfarçadamente (nem tanto hoje em dia, com a gíria já difundida), falar boquete (ball cat, bola gato, sacou?).

Os garotos da moto, um deles com o cassetete, eram Vitinho e Faquinha.
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Mas como a vida é um ciclo de ironias, voltemos mais alguns dias atrás. Sim, bagunçado é mais gostoso!
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O cabo Souza e o soldado Tenório, estão “trancados” em um escritório, no ar condicionado, de frente a computadores, entediados. Isso é uma punição pelo fato de terem atirado contra quatro garotos que estavam fumando maconha em uma rua de uma favela, e dois dos garotos terem morrido. A pena, obviamente, deve ser dura, e qual pena maior do que fazer trabalhos burocráticos, administrativos? Eles então começam a navegar no facebook. Durante o almoço, Souza e Tenório falam das merdas que viram na rede social, e surge então uma ideia: e se criassem uma página para passar ideias corretas para um mundo melhor (na concepção deles)?

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