Páginas de ódio - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Páginas de ódio

Voltaram do almoço e criaram a “Espada Cravada”, uma página para mostrar que os gays estão botando as asinhas muito de fora; que existem “safadas” nas favelas e que se ela aparece dando para alguém, você tem o direito de procurá-la para fazer sexo, nem que seja à força; compartilhar vídeos de gente pobre sendo humilhada, ladrão de comida apanhando “pra aprender”, bandido sendo morto por polícia.
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Ok, ok. Mas o que tem o cu a ver com as calças? Por que esses policiais foram punidos? Calma, rapaz… Explicações abaixo.
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Seria apenas mais um caso rotineiro em favelas: garotos usuários de drogas tomando esculacho violento da polícia, seguido de morte “acidental”. Acontece que um dos moradores gravou tudo com um celular, o vídeo viralizou no Whatsapp e chegou à imprensa. Os policiais foram identificados e foi preciso punir os policiais, afinal de contas, haviam provas de que mataram garotos que estavam apenas fumando maconha.

Houve um rápido julgamento interno, e foi dada a dura sentença aos policias: não poderiam ir para as ruas durante um tempo, e teriam que ficar fazendo trabalhos administrativos.

Sim, é uma punição, pois perdem o dinheiro dos “arregos” do tráfico, não podem ficar extorquindo gente em blitz… Enfim, para muitos policiais militares, é uma queda brusca na renda não poder trabalhar na rua.
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E para fechar o ciclo, sei que já está batido, mas voltaremos antes da punição dos policiais. Voltemos ao crime.
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Vitinho, Faquinha, Bené e Sujim estão sentados no sofá do mototáxi, aguardando cliente. Enquanto aguardavam, fumavam um e falavam merda. Do nada, quando todos estavam relaxados, um carro todo apagado acelerou e apareceu, rapidamente, na frente deles. Vários tiros foram disparados em direção aos quatro garotos que não tiveram nem tempo para reagir. Dois policiais saíram de dentro da viatura (depois dos tiros ligaram a sirene e pôde-se ver que tratava-se de viatura policial), apontando fuzis para eles.

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Fabiano Soares
Páginas de ódio

Voltaram do almoço e criaram a “Espada Cravada”, uma página para mostrar que os gays estão botando as asinhas muito de fora; que existem “safadas” nas favelas e que se ela aparece dando para alguém, você tem o direito de procurá-la para fazer sexo, nem que seja à força; compartilhar vídeos de gente pobre sendo humilhada, ladrão de comida apanhando “pra aprender”, bandido sendo morto por polícia.
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Ok, ok. Mas o que tem o cu a ver com as calças? Por que esses policiais foram punidos? Calma, rapaz… Explicações abaixo.
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Seria apenas mais um caso rotineiro em favelas: garotos usuários de drogas tomando esculacho violento da polícia, seguido de morte “acidental”. Acontece que um dos moradores gravou tudo com um celular, o vídeo viralizou no Whatsapp e chegou à imprensa. Os policiais foram identificados e foi preciso punir os policiais, afinal de contas, haviam provas de que mataram garotos que estavam apenas fumando maconha.

Houve um rápido julgamento interno, e foi dada a dura sentença aos policias: não poderiam ir para as ruas durante um tempo, e teriam que ficar fazendo trabalhos administrativos.

Sim, é uma punição, pois perdem o dinheiro dos “arregos” do tráfico, não podem ficar extorquindo gente em blitz… Enfim, para muitos policiais militares, é uma queda brusca na renda não poder trabalhar na rua.
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E para fechar o ciclo, sei que já está batido, mas voltaremos antes da punição dos policiais. Voltemos ao crime.
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Vitinho, Faquinha, Bené e Sujim estão sentados no sofá do mototáxi, aguardando cliente. Enquanto aguardavam, fumavam um e falavam merda. Do nada, quando todos estavam relaxados, um carro todo apagado acelerou e apareceu, rapidamente, na frente deles. Vários tiros foram disparados em direção aos quatro garotos que não tiveram nem tempo para reagir. Dois policiais saíram de dentro da viatura (depois dos tiros ligaram a sirene e pôde-se ver que tratava-se de viatura policial), apontando fuzis para eles.

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