Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Satanal: Lúcifer Sangrando Deus- Parte 01

 

              Felipe, Marcel e Leonardo. Três doentes que não queriam saber de outra coisa na vida do que ficar alternando o uso de drogas, video game e filmes. Maconha e LSD eram os filmes preferidos dessa galera que usava David Lynch e Baiestorf de vez em quando.

            Mas essa noite, era especial. 24 de dezembro, véspera de natal, quando se comemora, na realidade, o privilégio de se ter comida em abundância, a ponto de poder até estragar, colocando ingredientes nada a ver em todos os pratos, como se fosse um tipo de maldição: farofa gostosa? Tcharam! Uva passa pra estragar essa porra! Arroz com milho e ervilha? Cataplimba! Mais uva passa pra foder seu paladar! Tender gostosão? Rataprum! Cheio de cravos pra espantar o Aedes aegypti e você! Hipocritamente falando, comemora-se o nascimento daquele judeu, que virou modinha e acabou deixando de ser um símbolo judaico… Esses três caras aí de cima estão cagando pra Jesus ou qualquer festa religiosa, mas eles são de família com grana e portanto, podem esbanjar com comida nesse dia. E foi em uma noite, há meses atrás, fumando Mario Kart e jogando maconha, que o Felipe definiu como ia ser o natal do trio.

–  Mermão, esse ano eu quero um natal do caralho! Nós tamos com dezoito anos, a vida daqui pra frente vai mudar… Faculdade, trabalho, essas merdas. Mas no dia de Jesus, eu quero ver Satã vindo pra reinar nessa porra! Bora fazer nosso Satanal!

– Que porra é essa de satanal, Felipe? Tá doidão? – Marcel perguntava enquanto ainda tentava raciocinar, lento pelo efeito da erva misturada ao álcool.

– Natal de Satanás, cara… Satanal… Burro pacaralho!

            Leonardo, que estava assaltando a geladeira pra preencher o vazio psicoestomacal causado pela larica, gritou da cozinha:

– Essa foi horrível, cara… mas enfim, Satanal? Seu cu no meu pau!

            Os três riram, seqüeladíssimos, selando um acordo informal do natal (ou da véspera dele, já que é quando rola a glutonice), que por acaso, é a noite a qual estamos nesse momento do conto (problema seu se você tá lendo na data errada…).

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Fabiano Soares
Satanal: Lúcifer Sangrando Deus- Parte 01

 

              Felipe, Marcel e Leonardo. Três doentes que não queriam saber de outra coisa na vida do que ficar alternando o uso de drogas, video game e filmes. Maconha e LSD eram os filmes preferidos dessa galera que usava David Lynch e Baiestorf de vez em quando.

            Mas essa noite, era especial. 24 de dezembro, véspera de natal, quando se comemora, na realidade, o privilégio de se ter comida em abundância, a ponto de poder até estragar, colocando ingredientes nada a ver em todos os pratos, como se fosse um tipo de maldição: farofa gostosa? Tcharam! Uva passa pra estragar essa porra! Arroz com milho e ervilha? Cataplimba! Mais uva passa pra foder seu paladar! Tender gostosão? Rataprum! Cheio de cravos pra espantar o Aedes aegypti e você! Hipocritamente falando, comemora-se o nascimento daquele judeu, que virou modinha e acabou deixando de ser um símbolo judaico… Esses três caras aí de cima estão cagando pra Jesus ou qualquer festa religiosa, mas eles são de família com grana e portanto, podem esbanjar com comida nesse dia. E foi em uma noite, há meses atrás, fumando Mario Kart e jogando maconha, que o Felipe definiu como ia ser o natal do trio.

–  Mermão, esse ano eu quero um natal do caralho! Nós tamos com dezoito anos, a vida daqui pra frente vai mudar… Faculdade, trabalho, essas merdas. Mas no dia de Jesus, eu quero ver Satã vindo pra reinar nessa porra! Bora fazer nosso Satanal!

– Que porra é essa de satanal, Felipe? Tá doidão? – Marcel perguntava enquanto ainda tentava raciocinar, lento pelo efeito da erva misturada ao álcool.

– Natal de Satanás, cara… Satanal… Burro pacaralho!

            Leonardo, que estava assaltando a geladeira pra preencher o vazio psicoestomacal causado pela larica, gritou da cozinha:

– Essa foi horrível, cara… mas enfim, Satanal? Seu cu no meu pau!

            Os três riram, seqüeladíssimos, selando um acordo informal do natal (ou da véspera dele, já que é quando rola a glutonice), que por acaso, é a noite a qual estamos nesse momento do conto (problema seu se você tá lendo na data errada…).

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