Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Satanal: Lucifer Sangrando Deus- Parte 02

            “Maaaateeee! Maaateee! Saaaangueeee!”

            Marcel tirou o tridente da mão de Leo, pegou a mesma e segurou-a, pelo pulso, sobre a mesa, e fincou-lhe o talher no meio da mão, com força. Como se fosse um ritual de casamento estranho, uniu a madeira e a carne em um só corpo, recheado de um líquido vermelho viscoso.

  –  Aaaaaaaaaaaiiiiii filhodaputaaaaaaa! Cetamalucaralhoooouuuuuuuuuu!!!

            Ao ouvir o grito, Felipe finalmente conseguiu sair do sofá e correu para a sala de jantar, onde estava toda a comida e os outros dois. Chegou a tempo de ouvir Marcel, numa voz mecânica, sem resquício algum de sentimento.

  –  Satã é vegan.

            E Felipe assistiu, boquiaberto e sem conseguir se mexer, Marcel rasgar o pescoço de Leo com o facão, fazendo jorrar sangue em sua cara (não a sua, nem a do Felipe; a de Marcel). Felipe apenas ouvia o jorro do sangue e o grito engasgado de Leo, mas Marcel ouvia o leitão.

            “Sangueeee humaaaaanoooo poooodeeee! Sacrifíiiiiciiiiooo para oooo Paaaaaaai!”

            Marcel abriu um sorriso ao ouvir a voz satânica, pegou Leo pelo cabelo e abriu um pouco seu pescoço, direcionando os jatos de sangue para a boca do porco. Felipe sentiu suas pernas bambearem e caiu de joelhos no chão, atraindo a atenção do único amigo vivo. Marcel soltou Leo, que continuou pregado à mesa pelo tridente, mas cuja cabeça ficou pendendo entre o pudim e a farofa, quase soltando do corpo.

    –  Cara, que isso, calma, calma. Cê só tá doido de doce, cara. É bad trip.

    – Não, Felipe. É Satanal! Feliz Satanal! Vamos todos pro inferno!

            A boca de Felipe tremia; desistiu de pedir clemência ou tentar convencer o amigo de que era efeito da droga. O sistema nervoso dele passou a preocupar-se apenas em seguir com os olhos o facão. E foi assim que Felipe viu o facão subindo lentamente e descer com uma velocidade que o deixou na dúvida de saber se conseguiria ver sua vida toda antes de morrer. Infelizmente, a preocupação dele com isso foi tanta que ocupou totalmente seu cérebro, não dando tempo de relembrar nenhum momento feliz, nem de sua família ou de seus amigos, ou de músicas, filmes, ou qualquer outra coisa que tenha o marcado pela vida.

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Fabiano Soares
Satanal: Lucifer Sangrando Deus- Parte 02

            “Maaaateeee! Maaateee! Saaaangueeee!”

            Marcel tirou o tridente da mão de Leo, pegou a mesma e segurou-a, pelo pulso, sobre a mesa, e fincou-lhe o talher no meio da mão, com força. Como se fosse um ritual de casamento estranho, uniu a madeira e a carne em um só corpo, recheado de um líquido vermelho viscoso.

  –  Aaaaaaaaaaaiiiiii filhodaputaaaaaaa! Cetamalucaralhoooouuuuuuuuuu!!!

            Ao ouvir o grito, Felipe finalmente conseguiu sair do sofá e correu para a sala de jantar, onde estava toda a comida e os outros dois. Chegou a tempo de ouvir Marcel, numa voz mecânica, sem resquício algum de sentimento.

  –  Satã é vegan.

            E Felipe assistiu, boquiaberto e sem conseguir se mexer, Marcel rasgar o pescoço de Leo com o facão, fazendo jorrar sangue em sua cara (não a sua, nem a do Felipe; a de Marcel). Felipe apenas ouvia o jorro do sangue e o grito engasgado de Leo, mas Marcel ouvia o leitão.

            “Sangueeee humaaaaanoooo poooodeeee! Sacrifíiiiiciiiiooo para oooo Paaaaaaai!”

            Marcel abriu um sorriso ao ouvir a voz satânica, pegou Leo pelo cabelo e abriu um pouco seu pescoço, direcionando os jatos de sangue para a boca do porco. Felipe sentiu suas pernas bambearem e caiu de joelhos no chão, atraindo a atenção do único amigo vivo. Marcel soltou Leo, que continuou pregado à mesa pelo tridente, mas cuja cabeça ficou pendendo entre o pudim e a farofa, quase soltando do corpo.

    –  Cara, que isso, calma, calma. Cê só tá doido de doce, cara. É bad trip.

    – Não, Felipe. É Satanal! Feliz Satanal! Vamos todos pro inferno!

            A boca de Felipe tremia; desistiu de pedir clemência ou tentar convencer o amigo de que era efeito da droga. O sistema nervoso dele passou a preocupar-se apenas em seguir com os olhos o facão. E foi assim que Felipe viu o facão subindo lentamente e descer com uma velocidade que o deixou na dúvida de saber se conseguiria ver sua vida toda antes de morrer. Infelizmente, a preocupação dele com isso foi tanta que ocupou totalmente seu cérebro, não dando tempo de relembrar nenhum momento feliz, nem de sua família ou de seus amigos, ou de músicas, filmes, ou qualquer outra coisa que tenha o marcado pela vida.

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