O rei do fosso - Gabriel Mayer
Gabriel Mayer
Escritor e roteirista de Porto Alegre, apaixonado por horror e fantasia, tanto na literatura quanto no cinema. Formou-se em Produção Audiovisual na PUCRS e atualmente cursa Bacharelado em Letras na UFRGS. Trabalha com produção de conteúdo e desenvolvimento de projetos na Submerso Filmes, da qual é um dos fundadores.
É fascinado por monstros, lugares abandonados e magia. Suas grandes influências são Guillermo del Toro, Stephen King, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft, além de ser um grande fã de Zelda e Caverna do Dragão.






O rei do fosso

        Mortimer toma o objeto para si. Com cuidado, retira do pano uma espada em seu invólucro, que deposita, de joelhos, à sua frente. O soberano do Fosso, de cabeça baixa, fica algum tempo fitando o nada, em frente à espada lacrada. Uma onda de vozes silenciosas, sussurros de sofrimento e gemidos toma conta do lugar, intensificando-se cada vez mais.

        Subitamente, Mortimer retira a espada do invólucro. Ela é grande e tem o cabo feito de algum material enegrecido, cheio de curvas e detalhes. Ao deixar seu recipiente, a espada range de uma maneira aguda, como um grito. Reflexos das chamas das tochas dançam na lâmina, até que ela enegrece completamente, e a imagem se esvai. A lâmina da espada possui um curioso dobramento pontiagudo na ponta, como um dente afiado, voltado para trás.

        O Rei Mortimer começa a caminhar lentamente em direção a Boris. Agora é possível ver uma coroa em sua cabeça. Uma coroa de um branco límpido e brilhante, feita de ossos pontiagudos, cuidadosamente polidos. A fronte de seu rosto é vestida de um elmo feito de crânio.

        — E a Demência é incapaz de demonstrar misericórdia.

        O Rei Mortimer para em frente a Boris, com um leve sorriso no rosto.

        Numa fração de segundo, Mortimer, com suas duas mãos, penetra o coração de Boris num golpe de espada.

        — Essa é a Lei do Fosso.

        O Rei Mortimer agora está num foco de luz do salão, e assim é possível ver a enorme quantidade de cicatrizes em seu
rosto cadavérico, e os dois buracos negros que possui no lugar dos olhos. Esses buracos emanam uma estranha espécie de aura esverdeada.

        Em seguida, Mortimer arranca a espada do corpo de Boris, que cai no chão, estendido. O peito de Boris está violentamente dilacerado. Na ponta da espada, escorrendo sangue negro, está o grotesco e gigantesco coração monstruoso de Boris, em meio a tripas arrancadas. O coração rapidamente começa a enegrecer, tornando-se pó. O pó e o sangue de Boris vão cobrindo lentamente a lâmina da espada.

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Gabriel Mayer
O rei do fosso

        Mortimer toma o objeto para si. Com cuidado, retira do pano uma espada em seu invólucro, que deposita, de joelhos, à sua frente. O soberano do Fosso, de cabeça baixa, fica algum tempo fitando o nada, em frente à espada lacrada. Uma onda de vozes silenciosas, sussurros de sofrimento e gemidos toma conta do lugar, intensificando-se cada vez mais.

        Subitamente, Mortimer retira a espada do invólucro. Ela é grande e tem o cabo feito de algum material enegrecido, cheio de curvas e detalhes. Ao deixar seu recipiente, a espada range de uma maneira aguda, como um grito. Reflexos das chamas das tochas dançam na lâmina, até que ela enegrece completamente, e a imagem se esvai. A lâmina da espada possui um curioso dobramento pontiagudo na ponta, como um dente afiado, voltado para trás.

        O Rei Mortimer começa a caminhar lentamente em direção a Boris. Agora é possível ver uma coroa em sua cabeça. Uma coroa de um branco límpido e brilhante, feita de ossos pontiagudos, cuidadosamente polidos. A fronte de seu rosto é vestida de um elmo feito de crânio.

        — E a Demência é incapaz de demonstrar misericórdia.

        O Rei Mortimer para em frente a Boris, com um leve sorriso no rosto.

        Numa fração de segundo, Mortimer, com suas duas mãos, penetra o coração de Boris num golpe de espada.

        — Essa é a Lei do Fosso.

        O Rei Mortimer agora está num foco de luz do salão, e assim é possível ver a enorme quantidade de cicatrizes em seu
rosto cadavérico, e os dois buracos negros que possui no lugar dos olhos. Esses buracos emanam uma estranha espécie de aura esverdeada.

        Em seguida, Mortimer arranca a espada do corpo de Boris, que cai no chão, estendido. O peito de Boris está violentamente dilacerado. Na ponta da espada, escorrendo sangue negro, está o grotesco e gigantesco coração monstruoso de Boris, em meio a tripas arrancadas. O coração rapidamente começa a enegrecer, tornando-se pó. O pó e o sangue de Boris vão cobrindo lentamente a lâmina da espada.

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