Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gisele Honorato
Gisele Honorato, 34 anos, nasceu em Vila Velha no Espírito Santo e participou de várias coletâneas literárias, sendo as mais recentes:
Ultra Rômanticos, Góticos & Trágicos Poemas (2020) pela Dark Books;
Sangue e Água Benta (2020) pelo Grupo Editorial Quimera;
Noites Arcanas (2020) pela Dríade Editora;
A Maldição da Lua Cheia (2021) pela Cartola Editora e
Witch (2021) pela Amazon pela Come in Handy.










A Viagem

Era a primeira viagem de trem dela, ela sairia de vitória e iria até belo horizonte para conhecer a cidade. Queria fazer algo diferente e aproveitar para conhecer uma amiga que havia conhecido pela internet.

Estava super ansiosa, a mochila estava pronta desde o dia anterior, as passagens estavam compradas há uma semana. Preferiu não arriscar e garantiu logo a de volta, voltaria de ônibus.

Às sete e meia já estava na estação, sairia no trem das oito e quinze, ansiosa que era não admitia atrasos e as oito e treze para seu alivio o trem parou, entrou e viu poucas pessoas dentro do vagão, mas não estranhou logo no começo. Só estranhou quando o trem começou a se mover e uma paisagem estranha apareceu na janela.

O céu era fogo e o chão era vermelho feito sangue. Pensou estar alucinando, mas começou a ouvir os passageiros se lamuriando e resolveu perguntar à senhora da cadeira da frente se ela via a mesma coisa. E para seu choque e terror, assim que toca seu ombro a senhora responde: “você não deveria ter entrado nesse trem criança, esse trem é das almas danadas e condenadas ao circulo mais profundo do inferno…”

Seu sangue gelou e o pânico a invadiu violentamente.

Ela saiu correndo e a cada vagão que passava mais lamurias e gritos ouvia, fora as coisas horrendas que lhe eram apresentadas. Cada vagão lhe presenteava com uma cena nova de horrores.

Viu mães parindo e comendo sua própria cria antes mesmo de ter o cordão umbilical rompido, viu pessoas em orgias com animais e seres meio humanos e meio bestas, homens sendo forçados a comerem seus próprios intestinos e órgãos genitais.

A cada vagão ela tinha certeza que estava louca, era impossível estar sã após ver tudo aquilo. Só podia ser fruto de uma mente esquizofrênica.

E no auge do desespero ela se atirou pela janela!

Se sentiu sendo sugada por uma eternidade, mas por fim sentiu o baque. Ficou um bom tempo de olhos fechados e sem respirar por causa da dor.

Quando abriu os olhos se encontrava a beira dos trilhos do trem, milagrosamente viva – com poucos arranhões e um braço aparentemente quebrado – mas sem grandes sequelas para alguém que se jogou de um trem em movimento que ia pro inferno.

Andou por um par de horas até encontrar uma estação de trem, o pânico a invadiu, mas estava preparada para correr caso visse algo vagamente parecido com o que viu no trem.

Para seu grande alivio, tudo normal, nada de torturas ou qualquer outra coisa bizarra.

Correu para o primeiro guarda que viu e pediu ajuda.

Contou lhe tudo! Não pensou em esconder ou omitir nada.

O guarda a acalmou e pediu ajuda, ela respirou aliviada ao entrar na ambulância. Se soubesse o que iria acontecer em seguida, teria omitido tudo, mas não mudaria muita coisa. E por isso hoje ela olha para paredes brancas acolchoadas e vive entupida de remédios para tudo, menos para apagar as lembranças horríveis daquela viagem maldita…

E cada vez que tenta dormir ela volta para aquele maldito trem e escuta eles dizerem que irão a esperar na estação, pois ninguém abandona uma viagem antes de chegar ao destino, quer você queira ir ou não.

Ninguém abandona o Expresso 666.

Gisele Honorato
A Viagem

Era a primeira viagem de trem dela, ela sairia de vitória e iria até belo horizonte para conhecer a cidade. Queria fazer algo diferente e aproveitar para conhecer uma amiga que havia conhecido pela internet.

Estava super ansiosa, a mochila estava pronta desde o dia anterior, as passagens estavam compradas há uma semana. Preferiu não arriscar e garantiu logo a de volta, voltaria de ônibus.

Às sete e meia já estava na estação, sairia no trem das oito e quinze, ansiosa que era não admitia atrasos e as oito e treze para seu alivio o trem parou, entrou e viu poucas pessoas dentro do vagão, mas não estranhou logo no começo. Só estranhou quando o trem começou a se mover e uma paisagem estranha apareceu na janela.

O céu era fogo e o chão era vermelho feito sangue. Pensou estar alucinando, mas começou a ouvir os passageiros se lamuriando e resolveu perguntar à senhora da cadeira da frente se ela via a mesma coisa. E para seu choque e terror, assim que toca seu ombro a senhora responde: “você não deveria ter entrado nesse trem criança, esse trem é das almas danadas e condenadas ao circulo mais profundo do inferno…”

Seu sangue gelou e o pânico a invadiu violentamente.

Ela saiu correndo e a cada vagão que passava mais lamurias e gritos ouvia, fora as coisas horrendas que lhe eram apresentadas. Cada vagão lhe presenteava com uma cena nova de horrores.

Viu mães parindo e comendo sua própria cria antes mesmo de ter o cordão umbilical rompido, viu pessoas em orgias com animais e seres meio humanos e meio bestas, homens sendo forçados a comerem seus próprios intestinos e órgãos genitais.

A cada vagão ela tinha certeza que estava louca, era impossível estar sã após ver tudo aquilo. Só podia ser fruto de uma mente esquizofrênica.

E no auge do desespero ela se atirou pela janela!

Se sentiu sendo sugada por uma eternidade, mas por fim sentiu o baque. Ficou um bom tempo de olhos fechados e sem respirar por causa da dor.

Quando abriu os olhos se encontrava a beira dos trilhos do trem, milagrosamente viva – com poucos arranhões e um braço aparentemente quebrado – mas sem grandes sequelas para alguém que se jogou de um trem em movimento que ia pro inferno.

Andou por um par de horas até encontrar uma estação de trem, o pânico a invadiu, mas estava preparada para correr caso visse algo vagamente parecido com o que viu no trem.

Para seu grande alivio, tudo normal, nada de torturas ou qualquer outra coisa bizarra.

Correu para o primeiro guarda que viu e pediu ajuda.

Contou lhe tudo! Não pensou em esconder ou omitir nada.

O guarda a acalmou e pediu ajuda, ela respirou aliviada ao entrar na ambulância. Se soubesse o que iria acontecer em seguida, teria omitido tudo, mas não mudaria muita coisa. E por isso hoje ela olha para paredes brancas acolchoadas e vive entupida de remédios para tudo, menos para apagar as lembranças horríveis daquela viagem maldita…

E cada vez que tenta dormir ela volta para aquele maldito trem e escuta eles dizerem que irão a esperar na estação, pois ninguém abandona uma viagem antes de chegar ao destino, quer você queira ir ou não.

Ninguém abandona o Expresso 666.