Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gisele Honorato
Gisele Honorato, 34 anos, nasceu em Vila Velha no Espírito Santo e participou de várias coletâneas literárias, sendo as mais recentes:
Ultra Rômanticos, Góticos & Trágicos Poemas (2020) pela Dark Books;
Sangue e Água Benta (2020) pelo Grupo Editorial Quimera;
Noites Arcanas (2020) pela Dríade Editora;
A Maldição da Lua Cheia (2021) pela Cartola Editora e
Witch (2021) pela Amazon pela Come in Handy.










Celeste

quei uma das portas baixo. Ao me verem todas aquelas mulheres e crian-ças que dividiram uma vida de sofrimento comigo se encolheram de medo e se abraçaram. Aquilo me entristeceu, mas não me impediu de continuar em frente. Atravessei o galpão e segui até o local onde fui lavada e encontrei al-guns dos seres que nos subjugavam. Arranquei cabeças e membros numa velocidade que me surpreendeu. Continuei avançando e os que encontrava no caminho eram mortos. *** Libertei minha irmã e inúmeros humanos, mas ainda não sei por que me converti no ser que nos aprisionou e tratou como gado. Hoje ainda os caço, mas a cada noite que passa eu tenho menos vontade de fazer isso e mais vontade tenho de caçar a espécie que um dia per-tenci. Espero encontrar o último desses malditos hoje e morrer com dig-nidade e o resto de minha humanidade.

Se isso não acontecer, saiba que meu nome é Celeste, era uma humana, fui mantida como fonte de alimento por cinco anos nos galpões, fui dre-nada e descartada, mas por alguma razão que desconheço, voltei como uma deles. Voltei e matei cada desgraçado que encontrei. Libertei milha-res de humanos e hoje saio para libertar mais alguns. Se irei retornar ou não, não sei. Mas espero que ao ler essas páginas mi-nha história possa ser contada e que meu nome seja fonte de esperança para aqueles que não consegui libertar. Ela enrola a última folha e coloca junto das outras na bolsa, levanta o capuz e pega o machado. – Não é hoje à noite na qual vocês vão se livrar de mim! – Sussurra ela para o nada. Ela se encaminha para mais um galpão e milhares serão libertados e ou-tros milhares serão mortos.

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Gisele Honorato
Celeste

quei uma das portas baixo. Ao me verem todas aquelas mulheres e crian-ças que dividiram uma vida de sofrimento comigo se encolheram de medo e se abraçaram. Aquilo me entristeceu, mas não me impediu de continuar em frente. Atravessei o galpão e segui até o local onde fui lavada e encontrei al-guns dos seres que nos subjugavam. Arranquei cabeças e membros numa velocidade que me surpreendeu. Continuei avançando e os que encontrava no caminho eram mortos. *** Libertei minha irmã e inúmeros humanos, mas ainda não sei por que me converti no ser que nos aprisionou e tratou como gado. Hoje ainda os caço, mas a cada noite que passa eu tenho menos vontade de fazer isso e mais vontade tenho de caçar a espécie que um dia per-tenci. Espero encontrar o último desses malditos hoje e morrer com dig-nidade e o resto de minha humanidade.

Se isso não acontecer, saiba que meu nome é Celeste, era uma humana, fui mantida como fonte de alimento por cinco anos nos galpões, fui dre-nada e descartada, mas por alguma razão que desconheço, voltei como uma deles. Voltei e matei cada desgraçado que encontrei. Libertei milha-res de humanos e hoje saio para libertar mais alguns. Se irei retornar ou não, não sei. Mas espero que ao ler essas páginas mi-nha história possa ser contada e que meu nome seja fonte de esperança para aqueles que não consegui libertar. Ela enrola a última folha e coloca junto das outras na bolsa, levanta o capuz e pega o machado. – Não é hoje à noite na qual vocês vão se livrar de mim! – Sussurra ela para o nada. Ela se encaminha para mais um galpão e milhares serão libertados e ou-tros milhares serão mortos.

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