Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Glau Kemp
Escritora de terror, suspense e mais o que der vontade, que não tem medo do escuro, mas, às vezes, fecha os olhos quando vai ao banheiro de madrugada. Colunista nos sites Boca do inferno e Iluminerds e editora da revista Amazing. Gosta de se aventurar em outros gêneros, fazer roteiro de quadrinhos e participar de antologias. Publica livros e contos no Wattpad e na Amazon e ama o contato com leitores. Em resumo, só uma garota que sonha com bibliotecas.





Veneno em brasas

II – Ganância

         A decadência do vilarejo de pescadores só era esquecida durante a festa anual. As pessoas importantes da cidade chegavam para assistir as tradicionais famílias de pescadores competirem nas praias de Maricá no Rio de Janeiro, quem pescaria o maior peixe? Carlos herdou do pai o respeito das pessoas com seu sobrenome e nada mais. A fortuna que desfrutou na infância se foi junto ao resto de cachaça no fundo de garrafas, abandonadas nas mesas de carteado.

          Inconformado pela falência da família ele buscou uma solução perigosa. Quando criança quase morreu atacado por uma serpente venenosa, era pequeno, contudo lembrava de que foi salvo por uma curandeira que vivia isolada em uma cabana na reserva. Descendentes de índios a mulher conhecia um modo de barganhar com o maligno e Carlos a procurou querendo de volta a fortuna da família.

          Durante três dias ele manteve um gato preto enterrado no quintal, só a cabeça do animal estava do lado de fora, mas o bicho não podia morrer ela disse, e ele cuidou para que o ritual obtivesse sucesso. No terceiro dia, ás três horas da madrugada, Carlos levou o animal desfalecido, porém vivo para a beira do mar e ofereceu o corpo do gato para as águas escuras. Um relâmpago clareou no horizonte e o mar mudou. Contrariando a previsão, as ondas quebram instantaneamente grandes na praia. Funcionou.

          Foi acordado que seria ele o grande personagem do festival da pesca. Traria no pequeno barco, o maior peixe já pescado naquelas águas e ganharia fama e fortuna repentinas. Quando a feiticeira lhe disse o preço a ser pago, ele sorriu. Após o festival, o pescador teria que passar três dias sem dormir e às três horas da madrugada deveria tomar um banho de mar.

          Muito confiante ele seguiu com o plano. O dia amanheceu com mar revolto, ondas de três metros espantaram muitos pescadores. Inabalável ele seguiu, os colegas ajudaram a pôr o barco na água, mas Carlos foi sozinho com a chuva enchendo o interior do barco. O festival quase foi cancelado, mas a chuva passou e um sol fraco aqueceu os ânimos, quando muitos pescadores colocavam os barcos na água Carlos chegava. O barco pesado cortando o mar com imponência, dentro dele só um peixe. O maior peixe espada que se tinha conhecimento.

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Glau Kemp
Veneno em brasas

II – Ganância

         A decadência do vilarejo de pescadores só era esquecida durante a festa anual. As pessoas importantes da cidade chegavam para assistir as tradicionais famílias de pescadores competirem nas praias de Maricá no Rio de Janeiro, quem pescaria o maior peixe? Carlos herdou do pai o respeito das pessoas com seu sobrenome e nada mais. A fortuna que desfrutou na infância se foi junto ao resto de cachaça no fundo de garrafas, abandonadas nas mesas de carteado.

          Inconformado pela falência da família ele buscou uma solução perigosa. Quando criança quase morreu atacado por uma serpente venenosa, era pequeno, contudo lembrava de que foi salvo por uma curandeira que vivia isolada em uma cabana na reserva. Descendentes de índios a mulher conhecia um modo de barganhar com o maligno e Carlos a procurou querendo de volta a fortuna da família.

          Durante três dias ele manteve um gato preto enterrado no quintal, só a cabeça do animal estava do lado de fora, mas o bicho não podia morrer ela disse, e ele cuidou para que o ritual obtivesse sucesso. No terceiro dia, ás três horas da madrugada, Carlos levou o animal desfalecido, porém vivo para a beira do mar e ofereceu o corpo do gato para as águas escuras. Um relâmpago clareou no horizonte e o mar mudou. Contrariando a previsão, as ondas quebram instantaneamente grandes na praia. Funcionou.

          Foi acordado que seria ele o grande personagem do festival da pesca. Traria no pequeno barco, o maior peixe já pescado naquelas águas e ganharia fama e fortuna repentinas. Quando a feiticeira lhe disse o preço a ser pago, ele sorriu. Após o festival, o pescador teria que passar três dias sem dormir e às três horas da madrugada deveria tomar um banho de mar.

          Muito confiante ele seguiu com o plano. O dia amanheceu com mar revolto, ondas de três metros espantaram muitos pescadores. Inabalável ele seguiu, os colegas ajudaram a pôr o barco na água, mas Carlos foi sozinho com a chuva enchendo o interior do barco. O festival quase foi cancelado, mas a chuva passou e um sol fraco aqueceu os ânimos, quando muitos pescadores colocavam os barcos na água Carlos chegava. O barco pesado cortando o mar com imponência, dentro dele só um peixe. O maior peixe espada que se tinha conhecimento.

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