Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Glau Kemp
Escritora de terror, suspense e mais o que der vontade, que não tem medo do escuro, mas, às vezes, fecha os olhos quando vai ao banheiro de madrugada. Colunista nos sites Boca do inferno e Iluminerds e editora da revista Amazing. Gosta de se aventurar em outros gêneros, fazer roteiro de quadrinhos e participar de antologias. Publica livros e contos no Wattpad e na Amazon e ama o contato com leitores. Em resumo, só uma garota que sonha com bibliotecas.





Veneno em brasas

Os segundos passavam e a criatura chegava cada vez mais perto. Ela não poderia apressar o tempo, cada um tem a sua hora mortal e existem aqueles que brincam com o maligno e tem a audácia de desafiar a hora do diabo. Carlos conseguiu puxar o bolo formado no fundo da garganta, puxou para fora algo comprido e apodrecido, aquilo vinha saindo de dentro de seu corpo tinha uns vinte centímetro. Jogou a coisa no chão e respirou aliviado; só então compreendeu que se tratava do rabo do gato.

O ar de volta aos pulmões diminuiu o passo da morte, o oxigênio junto a adrenalina dava mais uma chance de Carlos vencer a hora mortal, mas o tempo não havia parado. Mesmo morando na praia e podendo ver o mar do quintal, a distância percorrida era grande para o um minuto restante. Carlos correu. A areia grossa de Ponta Negra prendia os pés do homem ao chão a cada passo. A escuridão impedia que visse os dois últimos segundos chegarem ao fim.

Carlos saltou para o mar com os pés, mas a onda se recolheu antes e seu corpo caiu duro e paralisado na areia molhada. Ao longe sua casa pegava fogo e ali a seu lado o som de água molhando ferro invadia seus ouvidos. Carlos não podia se mover ou fechar os olhos, seu tempo tinha acabado. O Maligno chegou, onde suas mãos tocavam a pele de Carlos que virava cinzas e sentia toda aquela dor que tanto temia. A próxima onda chegou e transformou o corpo de maligno em pó deixando a serpente gigantesca para trás. Lentamente e dançando junto com as ondas, a cobra começou a comer o braço de Carlos, primeiro os três dedos sobreviventes da infância e depois o braço.

Ainda vivo exatamente como o gato ofertado ao diabo, Carlos foi tragado pelo mar junto com a serpente. Um pescador nunca deixa o mar.

 

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Glau Kemp
Veneno em brasas

Os segundos passavam e a criatura chegava cada vez mais perto. Ela não poderia apressar o tempo, cada um tem a sua hora mortal e existem aqueles que brincam com o maligno e tem a audácia de desafiar a hora do diabo. Carlos conseguiu puxar o bolo formado no fundo da garganta, puxou para fora algo comprido e apodrecido, aquilo vinha saindo de dentro de seu corpo tinha uns vinte centímetro. Jogou a coisa no chão e respirou aliviado; só então compreendeu que se tratava do rabo do gato.

O ar de volta aos pulmões diminuiu o passo da morte, o oxigênio junto a adrenalina dava mais uma chance de Carlos vencer a hora mortal, mas o tempo não havia parado. Mesmo morando na praia e podendo ver o mar do quintal, a distância percorrida era grande para o um minuto restante. Carlos correu. A areia grossa de Ponta Negra prendia os pés do homem ao chão a cada passo. A escuridão impedia que visse os dois últimos segundos chegarem ao fim.

Carlos saltou para o mar com os pés, mas a onda se recolheu antes e seu corpo caiu duro e paralisado na areia molhada. Ao longe sua casa pegava fogo e ali a seu lado o som de água molhando ferro invadia seus ouvidos. Carlos não podia se mover ou fechar os olhos, seu tempo tinha acabado. O Maligno chegou, onde suas mãos tocavam a pele de Carlos que virava cinzas e sentia toda aquela dor que tanto temia. A próxima onda chegou e transformou o corpo de maligno em pó deixando a serpente gigantesca para trás. Lentamente e dançando junto com as ondas, a cobra começou a comer o braço de Carlos, primeiro os três dedos sobreviventes da infância e depois o braço.

Ainda vivo exatamente como o gato ofertado ao diabo, Carlos foi tragado pelo mar junto com a serpente. Um pescador nunca deixa o mar.

 

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