Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gustavo Lopes
Nascido em 89, em Suzano - SP, trabalho, estudo, vivo e me divido entre centenas de coisas, mas minha verdadeira paixão é a escrita. Tenho um blog de estimação onde escrevo sobre música e meus projetos inacabados. Leio quando posso e escrevo o quanto possível, sobre realidades distorcidas e talvez horrendas, que nem sempre têm um final feliz, mas que devem ser contadas. Meu primeiro livro, O Inominável, foi publicado em 2017 e está disponível gratuitamente nas plataformas Wattpad e Luvbook.
Site: gustavolopes.net.br
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E lá está ele

Anos depois ele apareceu enquanto eu estava num encontro, o terceiro se não me engano, com a mesma mulher, Carla, uma loira com pernas compridas e cabelos encaracolados. Usava um batom tão vermelho quanto sangue e um perfume de praia. Nos conhecemos num aplicativo de celular e conversávamos há algum tempo. Saímos para jantar num restaurante famoso por seu spaghetti al formaggio, um belíssimo macarrão preparado dentro de uma peça de queijo. Dividimos uma marguerita depois da comida. Pretendia levá-la para casa pela primeira vez quando o avistei, pousado no fio. Dispensei Carla com a desculpa de que recebi uma mensagem do trabalho e precisaria fazer hora extra no sábado. Ela insistiu para irmos a um motel ali perto, mas eu confiei nele, só confio nele. Deixei Carla na estação Paraíso do metrô. Ela carregava uma mala de viagem. Na semana seguinte, descobri pela televisão que a polícia encontrou um corpo recém-fatiado naquela mala, um machado e uma máscara de lobo.

Não sei se ele é o mensageiro da ruína, ou um anjo de penas negras. Quando os pombos e as andorinhas desaparecem, quando não ouço o canto dos outros pássaros, já sei onde procurá-lo, como hoje. Lá está ele, me observando pousado nos fios, com suas penas cor-de-piche e seu olhar de seta. Hoje sei que não devo sair de casa.

 

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Gustavo Lopes
E lá está ele

Anos depois ele apareceu enquanto eu estava num encontro, o terceiro se não me engano, com a mesma mulher, Carla, uma loira com pernas compridas e cabelos encaracolados. Usava um batom tão vermelho quanto sangue e um perfume de praia. Nos conhecemos num aplicativo de celular e conversávamos há algum tempo. Saímos para jantar num restaurante famoso por seu spaghetti al formaggio, um belíssimo macarrão preparado dentro de uma peça de queijo. Dividimos uma marguerita depois da comida. Pretendia levá-la para casa pela primeira vez quando o avistei, pousado no fio. Dispensei Carla com a desculpa de que recebi uma mensagem do trabalho e precisaria fazer hora extra no sábado. Ela insistiu para irmos a um motel ali perto, mas eu confiei nele, só confio nele. Deixei Carla na estação Paraíso do metrô. Ela carregava uma mala de viagem. Na semana seguinte, descobri pela televisão que a polícia encontrou um corpo recém-fatiado naquela mala, um machado e uma máscara de lobo.

Não sei se ele é o mensageiro da ruína, ou um anjo de penas negras. Quando os pombos e as andorinhas desaparecem, quando não ouço o canto dos outros pássaros, já sei onde procurá-lo, como hoje. Lá está ele, me observando pousado nos fios, com suas penas cor-de-piche e seu olhar de seta. Hoje sei que não devo sair de casa.

 

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