Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gustavo Lopes
Nascido em 89, em Suzano - SP, trabalho, estudo, vivo e me divido entre centenas de coisas, mas minha verdadeira paixão é a escrita. Tenho um blog de estimação onde escrevo sobre música e meus projetos inacabados. Leio quando posso e escrevo o quanto possível, sobre realidades distorcidas e talvez horrendas, que nem sempre têm um final feliz, mas que devem ser contadas. Meu primeiro livro, O Inominável, foi publicado em 2017 e está disponível gratuitamente nas plataformas Wattpad e Luvbook.
Site: gustavolopes.net.br
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A sombra que dança

– Como viemos parar aqui? Por que estamos correndo?

– Eu não sei! – Gritou o homem ruivo, já ofegante. Ele está com um corte na sobrancelha direita.

– Vini, olha pra frente e não para de correr! – Respondeu o outro homem. Presumo que eles se conhecem.

– Vini, continue correndo, mas diga-me, qualquer coisa. – Dizendo seu nome a abordagem parece mais pessoal, talvez eu consiga alguma coisa.

– Cala a boca, cara! – O tom do outro homem se tornou agressivo, e ele também está ofegante. – Primeiro a gente corre, depois a gente fala.

Inúteis. Acelero o passo para alcançar a mulher. Preciso saber o motivo dessa corrida insana em linha reta. A floresta se estende infinitamente adiante. Não estamos chegando a lugar algum.

– Senhorita, pode me dizer por que estamos correndo?

– Estamos fugindo! – Respondeu ela em tom ríspido.

– Fugindo de quê?

– Você não viu. Que sortudo. – Ela riu. – Se tivesse visto, não faria uma pergunta idiota como essa.

– Como surgimos aqui?

– Eu lhe pergunto a mesma coisa.

– Não sei. Minha rotina é minimalista e disciplinada. Minhas memórias podem me enganar.

– Talvez essa seja a palavra chave: rotina. Talvez seja a rotina que nos liga.

– Como assim?

– Você consegue acelerar um pouco mais?

– Sim.

– Vamos tomar distância, e então conversamos melhor.

Definitivamente a mulher é uma corredora, do tipo que frequenta maratonas, como eu, mas só pelo prazer de se superar. Ela respira pelo nariz, e solta o ar pela boca, em intervalos exatos para maximizar a potência da corrida. Não exagera nos passos, faz o mínimo necessário de esforço para o máximo resultado. Ela acelera, e eu a acompanho. Seguimos lado a lado desviando dos finos troncos dispostos aleatoriamente ao longo da extensão infinita da floresta. Estas árvores têm um tronco esbranquiçado. Eu costumo reparar nas árvores da cidade, e acho que nunca vi árvores com um tronco assim.

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Gustavo Lopes
A sombra que dança

– Como viemos parar aqui? Por que estamos correndo?

– Eu não sei! – Gritou o homem ruivo, já ofegante. Ele está com um corte na sobrancelha direita.

– Vini, olha pra frente e não para de correr! – Respondeu o outro homem. Presumo que eles se conhecem.

– Vini, continue correndo, mas diga-me, qualquer coisa. – Dizendo seu nome a abordagem parece mais pessoal, talvez eu consiga alguma coisa.

– Cala a boca, cara! – O tom do outro homem se tornou agressivo, e ele também está ofegante. – Primeiro a gente corre, depois a gente fala.

Inúteis. Acelero o passo para alcançar a mulher. Preciso saber o motivo dessa corrida insana em linha reta. A floresta se estende infinitamente adiante. Não estamos chegando a lugar algum.

– Senhorita, pode me dizer por que estamos correndo?

– Estamos fugindo! – Respondeu ela em tom ríspido.

– Fugindo de quê?

– Você não viu. Que sortudo. – Ela riu. – Se tivesse visto, não faria uma pergunta idiota como essa.

– Como surgimos aqui?

– Eu lhe pergunto a mesma coisa.

– Não sei. Minha rotina é minimalista e disciplinada. Minhas memórias podem me enganar.

– Talvez essa seja a palavra chave: rotina. Talvez seja a rotina que nos liga.

– Como assim?

– Você consegue acelerar um pouco mais?

– Sim.

– Vamos tomar distância, e então conversamos melhor.

Definitivamente a mulher é uma corredora, do tipo que frequenta maratonas, como eu, mas só pelo prazer de se superar. Ela respira pelo nariz, e solta o ar pela boca, em intervalos exatos para maximizar a potência da corrida. Não exagera nos passos, faz o mínimo necessário de esforço para o máximo resultado. Ela acelera, e eu a acompanho. Seguimos lado a lado desviando dos finos troncos dispostos aleatoriamente ao longo da extensão infinita da floresta. Estas árvores têm um tronco esbranquiçado. Eu costumo reparar nas árvores da cidade, e acho que nunca vi árvores com um tronco assim.

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