Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gustavo Lopes
Nascido em 89, em Suzano - SP, trabalho, estudo, vivo e me divido entre centenas de coisas, mas minha verdadeira paixão é a escrita. Tenho um blog de estimação onde escrevo sobre música e meus projetos inacabados. Leio quando posso e escrevo o quanto possível, sobre realidades distorcidas e talvez horrendas, que nem sempre têm um final feliz, mas que devem ser contadas. Meu primeiro livro, O Inominável, foi publicado em 2017 e está disponível gratuitamente nas plataformas Wattpad e Luvbook.
Site: gustavolopes.net.br
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A sombra que dança

Quanto tempo se passou desde que acordei aqui? Balanço o pulso e percebo que estou sem meu relógio. Apalpo o terno, e meu celular não está no bolso interno direito. Será que fui roubado? Roubado e sequestrado? Por quem? Por qual motivo? Para… Correr?

– Não! – Gritou a mulher. – É melhor você não ver.

Seus reflexos foram ligeiros. Ela percebeu que eu pretendia virar meu rosto, ver o que está atrás de nós.

– Quando passei por você, estava descansando ou acordando? – Perguntou ela.

– Acordando.

Ela riu.

– Que sortudo. Acho que acordei há dois dias.

Meu olhar de espanto não precisou de uma resposta.

– Você está correndo há dois dias?

– É impossível correr durante a noite. Na escuridão, não existe sombra, e ela não pode nos alcançar.

– Ela?

– É melhor você não saber. Só corra até sentir que está seguro.

– Eu não sinto nada.

– E não vai sentir, até ele te tocar a primeira vez. Estou te dizendo, você é sortudo.

– Você disse que a rotina nos liga. O que isso significa?

– É o que todos dizem. Ninguém consegue se lembrar de como chegou aqui, mas a palavra “rotina” se repete em toda conversa. Todos aqueles com quem tive a oportunidade de conversar dizem que estavam em sua rotina normal, fazendo suas tarefas diárias e mais nada. As memórias acabam aí. Por exemplo, eu estava na aula de ioga.

– E a aula de ioga faz parte da sua rotina.

– É claro! Não desperdice fôlego com comentários óbvios.

– Estou tentando estabelecer uma linha de raciocínio.

– Não tente. Apenas corra até a escuridão chegar.

Notei que ela usa uma corrente de ouro, e um anel dourado com uma pedra vermelha na mão esquerda.

– Você sentiu falta de algum objeto quando acordou?

A mulher pensou por algum tempo e respondeu.

– Sim. Meu monitor cardíaco.

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Gustavo Lopes
A sombra que dança

Quanto tempo se passou desde que acordei aqui? Balanço o pulso e percebo que estou sem meu relógio. Apalpo o terno, e meu celular não está no bolso interno direito. Será que fui roubado? Roubado e sequestrado? Por quem? Por qual motivo? Para… Correr?

– Não! – Gritou a mulher. – É melhor você não ver.

Seus reflexos foram ligeiros. Ela percebeu que eu pretendia virar meu rosto, ver o que está atrás de nós.

– Quando passei por você, estava descansando ou acordando? – Perguntou ela.

– Acordando.

Ela riu.

– Que sortudo. Acho que acordei há dois dias.

Meu olhar de espanto não precisou de uma resposta.

– Você está correndo há dois dias?

– É impossível correr durante a noite. Na escuridão, não existe sombra, e ela não pode nos alcançar.

– Ela?

– É melhor você não saber. Só corra até sentir que está seguro.

– Eu não sinto nada.

– E não vai sentir, até ele te tocar a primeira vez. Estou te dizendo, você é sortudo.

– Você disse que a rotina nos liga. O que isso significa?

– É o que todos dizem. Ninguém consegue se lembrar de como chegou aqui, mas a palavra “rotina” se repete em toda conversa. Todos aqueles com quem tive a oportunidade de conversar dizem que estavam em sua rotina normal, fazendo suas tarefas diárias e mais nada. As memórias acabam aí. Por exemplo, eu estava na aula de ioga.

– E a aula de ioga faz parte da sua rotina.

– É claro! Não desperdice fôlego com comentários óbvios.

– Estou tentando estabelecer uma linha de raciocínio.

– Não tente. Apenas corra até a escuridão chegar.

Notei que ela usa uma corrente de ouro, e um anel dourado com uma pedra vermelha na mão esquerda.

– Você sentiu falta de algum objeto quando acordou?

A mulher pensou por algum tempo e respondeu.

– Sim. Meu monitor cardíaco.

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