Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gustavo Lopes
Nascido em 89, em Suzano - SP, trabalho, estudo, vivo e me divido entre centenas de coisas, mas minha verdadeira paixão é a escrita. Tenho um blog de estimação onde escrevo sobre música e meus projetos inacabados. Leio quando posso e escrevo o quanto possível, sobre realidades distorcidas e talvez horrendas, que nem sempre têm um final feliz, mas que devem ser contadas. Meu primeiro livro, O Inominável, foi publicado em 2017 e está disponível gratuitamente nas plataformas Wattpad e Luvbook.
Site: gustavolopes.net.br
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A sombra que dança

Sinto os primeiros sinais de fome e cansaço. Não passamos por árvores frutíferas, não ouvi até agora canto de pássaros, barulho de água, nem rastros ou sombras de animais. Será que ela está tentando me enganar? Presumo que ninguém sobreviveria correndo por trinta e cinco dias nestas condições. Impossível. Será que devo correr mesmo? Talvez seja alguma pegadinha infame ou algum programa sensacionalista de televisão que me escolheu.

Os raios de luz estão fracos. Devo continuar ou devo seguir? Diminuo a passada na dúvida e a mulher se vira para me procurar. Vejo sua boca se mexendo. Ela tenta gritar, presumo que um “Não”, e então, é tarde demais. Eu estava enganado.

Tudo ficou escuro.

Fui tocado pela sombra que dança, fui tocado por ela. O horror. Não consigo pensar! É como um pesadelo de um segundo que se estica até o infinito. Sinto como se meu corpo fosse virado do avesso, minhas entranhas mastigadas e cuspidas, e regeneradas para tudo começar outra vez. Meus olhos queimam. Meus membros são arrancados e colados, pedaço a pedaço, dentro da sombra que dança, que zomba do meu sofrimento. Cada lembrança é distorcida. A sombra invade cada pedacinho feliz e transforma em uma cena horrenda. Não tenho palavras para descrever o que ela fizera com o meu primeiro amor. Não sei mais se já amei, ou se a minha vida é a extensão do inferno.
Quando escapo da escuridão, percebo sua presença. A sombra que dança ri de mim, está atrás de mim, e se ela me alcançar novamente…

Não posso pensar. Só devo correr! Corra, corra, corra!

Atravesso o momento de escuridão e de repente tudo fica claro, como se já fosse de dia. Não sinto fome nem sede, e o cansaço desapareceu. Vejo um grupo de pessoas paradas, de pé. Eu preciso avisá-las mas não posso contar a elas sobre a sombra que dança, pois não tenho palavras para expressar a loucura e o horror. Só tem uma coisa que posso fazer por elas.

– Corram! Corram!

 

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Gustavo Lopes
A sombra que dança

Sinto os primeiros sinais de fome e cansaço. Não passamos por árvores frutíferas, não ouvi até agora canto de pássaros, barulho de água, nem rastros ou sombras de animais. Será que ela está tentando me enganar? Presumo que ninguém sobreviveria correndo por trinta e cinco dias nestas condições. Impossível. Será que devo correr mesmo? Talvez seja alguma pegadinha infame ou algum programa sensacionalista de televisão que me escolheu.

Os raios de luz estão fracos. Devo continuar ou devo seguir? Diminuo a passada na dúvida e a mulher se vira para me procurar. Vejo sua boca se mexendo. Ela tenta gritar, presumo que um “Não”, e então, é tarde demais. Eu estava enganado.

Tudo ficou escuro.

Fui tocado pela sombra que dança, fui tocado por ela. O horror. Não consigo pensar! É como um pesadelo de um segundo que se estica até o infinito. Sinto como se meu corpo fosse virado do avesso, minhas entranhas mastigadas e cuspidas, e regeneradas para tudo começar outra vez. Meus olhos queimam. Meus membros são arrancados e colados, pedaço a pedaço, dentro da sombra que dança, que zomba do meu sofrimento. Cada lembrança é distorcida. A sombra invade cada pedacinho feliz e transforma em uma cena horrenda. Não tenho palavras para descrever o que ela fizera com o meu primeiro amor. Não sei mais se já amei, ou se a minha vida é a extensão do inferno.
Quando escapo da escuridão, percebo sua presença. A sombra que dança ri de mim, está atrás de mim, e se ela me alcançar novamente…

Não posso pensar. Só devo correr! Corra, corra, corra!

Atravesso o momento de escuridão e de repente tudo fica claro, como se já fosse de dia. Não sinto fome nem sede, e o cansaço desapareceu. Vejo um grupo de pessoas paradas, de pé. Eu preciso avisá-las mas não posso contar a elas sobre a sombra que dança, pois não tenho palavras para expressar a loucura e o horror. Só tem uma coisa que posso fazer por elas.

– Corram! Corram!

 

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