Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Assassino das Faces

Ele se olhava no espelho. Era um novo homem. Bonito, mais jovem. Tinha até barba, veja só que maravilha. Ele estava feliz, por fora. Por dentro, continuava vazio. Sozinho. Continuava com a mesma essência podre desde o acidente.

O Assassino tinha seus momentos de êxtase e alegria com um novo rosto, a face novinha em folha lhe dava esperanças de uma nova vida. Porém a sua foi realmente deixada pra trás naquele acidente. Sua vontade de viver foi destruída, assim como sua feição. Ao imaginar como seria trilhar um caminho como o das pessoas que ele roubava, se sentia melhor. Tudo o que o Assassino das mil Faces gostaria era uma vida normal: trabalho, família, filhos, preocupações de pessoas comuns. Ele foi privado de viver por um acidente, e jamais conseguiu o apoio das pessoas. Recluso, depois de tanto ser visto como uma aberração, realmente se tornou uma. Se tornou o que todos temiam. Um deformado em busca de vingança, da forma mais cruel.

 

*

 

“Voltamos com mais informações sobre o caso do Assassino de Mil Faces”. “O corpo do Detetive Stevie Medeiros, de 38 anos, foi encontrado esta manhã, por moradores da cidade local. Assustados com a brutalidade do crime, os moradores acionaram imediatamente a polícia, que partiu para o local no mesmo instante. A retirada do corpo foi feita rapidamente, devido às condições em que se encontrava, e a identificação da vítima se deu pelo distintivo pregado em suas vestes.”

— Perdão só um momento. — A jornalista encara a câmera, engole em seco, alguém fala algo no ponto de escuta em seu ouvido. Ela se posiciona e continua:

“Acaba de chegar a informação de que mais dois corpos foram encontrados sobre circunstâncias semelhantes à do Detetive Medeiros. As vítimas são uma mulher e uma criança. Ainda não foram feitas as identificações. Voltamos a qualquer momento com mais notícias sobre o caso do Assassino das Faces”.

— Julia Stafanina, para o Jornal Nacional. É com você Bonner!

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J. A. de Nardo
Assassino das Faces

Ele se olhava no espelho. Era um novo homem. Bonito, mais jovem. Tinha até barba, veja só que maravilha. Ele estava feliz, por fora. Por dentro, continuava vazio. Sozinho. Continuava com a mesma essência podre desde o acidente.

O Assassino tinha seus momentos de êxtase e alegria com um novo rosto, a face novinha em folha lhe dava esperanças de uma nova vida. Porém a sua foi realmente deixada pra trás naquele acidente. Sua vontade de viver foi destruída, assim como sua feição. Ao imaginar como seria trilhar um caminho como o das pessoas que ele roubava, se sentia melhor. Tudo o que o Assassino das mil Faces gostaria era uma vida normal: trabalho, família, filhos, preocupações de pessoas comuns. Ele foi privado de viver por um acidente, e jamais conseguiu o apoio das pessoas. Recluso, depois de tanto ser visto como uma aberração, realmente se tornou uma. Se tornou o que todos temiam. Um deformado em busca de vingança, da forma mais cruel.

 

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“Voltamos com mais informações sobre o caso do Assassino de Mil Faces”. “O corpo do Detetive Stevie Medeiros, de 38 anos, foi encontrado esta manhã, por moradores da cidade local. Assustados com a brutalidade do crime, os moradores acionaram imediatamente a polícia, que partiu para o local no mesmo instante. A retirada do corpo foi feita rapidamente, devido às condições em que se encontrava, e a identificação da vítima se deu pelo distintivo pregado em suas vestes.”

— Perdão só um momento. — A jornalista encara a câmera, engole em seco, alguém fala algo no ponto de escuta em seu ouvido. Ela se posiciona e continua:

“Acaba de chegar a informação de que mais dois corpos foram encontrados sobre circunstâncias semelhantes à do Detetive Medeiros. As vítimas são uma mulher e uma criança. Ainda não foram feitas as identificações. Voltamos a qualquer momento com mais notícias sobre o caso do Assassino das Faces”.

— Julia Stafanina, para o Jornal Nacional. É com você Bonner!

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