Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Assassino das Faces

*

 

O lugar fedia a mijo e fezes. Vielas de Pernambuco, como em qualquer outro lugar tem dessas coisas. O cheiro forte de morte que impregna, como culpa na alma. Mas aquele odor horroroso quase os impedia de respirar. Para o Assassino de Mil Faces, aquele lugar não era diferente do cafofo onde se escondia  durante o dia, planejando seu ataque minucioso para quando o sol se fosse. Era como o pai dizia: — A noite é para as criaturas fortes, os invulneráveis precisam se esconder em casa. Era um ditado antigo que os pais contavam, para que os filhos não ficassem até tarde na rua. Ele já havia se acostumado com a escuridão e fez dela uma aliada.

Ele o encarava, caído no chão de blocos mal assentados, entre latas de lixo fedorentas. O frio e a névoa pairavam no local. O vazio das ruas aumentava o sentimento de perigo. A iluminação dos postes não podia vencer a escuridão que emanava do beco onde ele o acertara na cabeça com golpe certeiro.

Um fio de sangue escorria pela testa,  traçando um caminho até a bochecha avermelhada. Foi quando o detetive deu sinal de vida, tentando levar a mão até a testa, impossibilitado, pois estava com  elas amarradas  nas costas. Tentou gritar, mas o adesivo em sua boca o impediu.

“— Ora, ora, olha quem acordou.

 Ele disse. A voz gutural soa áspera, resultado dos longos anos de nicotina e altas doses de cafeína.

 

— Me fala, por que continua atrás de mim? Por que essa obsessão?

 

Levou a mão pesada até o adesivo e o puxou de qualquer jeito, pressionando a faca sobre a carótida do homem. Seu rosto estava coberto por uma máscara estranha.

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J. A. de Nardo
Assassino das Faces

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O lugar fedia a mijo e fezes. Vielas de Pernambuco, como em qualquer outro lugar tem dessas coisas. O cheiro forte de morte que impregna, como culpa na alma. Mas aquele odor horroroso quase os impedia de respirar. Para o Assassino de Mil Faces, aquele lugar não era diferente do cafofo onde se escondia  durante o dia, planejando seu ataque minucioso para quando o sol se fosse. Era como o pai dizia: — A noite é para as criaturas fortes, os invulneráveis precisam se esconder em casa. Era um ditado antigo que os pais contavam, para que os filhos não ficassem até tarde na rua. Ele já havia se acostumado com a escuridão e fez dela uma aliada.

Ele o encarava, caído no chão de blocos mal assentados, entre latas de lixo fedorentas. O frio e a névoa pairavam no local. O vazio das ruas aumentava o sentimento de perigo. A iluminação dos postes não podia vencer a escuridão que emanava do beco onde ele o acertara na cabeça com golpe certeiro.

Um fio de sangue escorria pela testa,  traçando um caminho até a bochecha avermelhada. Foi quando o detetive deu sinal de vida, tentando levar a mão até a testa, impossibilitado, pois estava com  elas amarradas  nas costas. Tentou gritar, mas o adesivo em sua boca o impediu.

“— Ora, ora, olha quem acordou.

 Ele disse. A voz gutural soa áspera, resultado dos longos anos de nicotina e altas doses de cafeína.

 

— Me fala, por que continua atrás de mim? Por que essa obsessão?

 

Levou a mão pesada até o adesivo e o puxou de qualquer jeito, pressionando a faca sobre a carótida do homem. Seu rosto estava coberto por uma máscara estranha.

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