Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Assassino das Faces

— Eu… 

Engoliu em seco.

— Eu estou fazendo o meu trabalho, só estou ganhando o sustento pra cuidar da minha família. Para sobreviver

 Disse Steve, o detetive responsável pela investigação do Assassino das Faces.

 

— Por que você faz isso com as pessoas? Não faz sentido… Nada em você faz sentido. Há anos eu te investigo, anos atrás dos seus passos, do seu passado… Não faz sentido.

— Nada tem sentido. A vida é uma droga, daí você morrer… Alguma pergunta?

 Ele fita o medo estampado no rosto do detetive

— Eu sabia que não.

— É a minha natureza, policial. Os fardados me procuram como “Assassino das Faces”, mas eu só posso dizer que não tenho nome, da mesma forma como não tenho rosto. A fama, as notícias, não me importam, só preciso saciar as minhas vontades mais sórdidas e obscuras. Só quero um novo rosto. Porque, porra, o mesmo rosto todo o dia é cansativo!

— Então faz isso para seu bel prazer… nojo!

— Sabe, policial, detetive, seja lá o que você é… não existe prazer melhor do que se olhar no espelho e ver um ser lindo. Se sentir bem com a aparência. —

Encostou suas costas na parede, gasta pelo tempo.

— É bom ser bonito…

— Posso ver seu rosto?

Tentou o detetive, apreensivo, estudando as feições do assassino. Ele viu dor no marejar de seus olhos, um tremor em seu corpo. Quando o viu tirar do bolso da calça suja, uma faca afiada, reluzente.

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J. A. de Nardo
Assassino das Faces

— Eu… 

Engoliu em seco.

— Eu estou fazendo o meu trabalho, só estou ganhando o sustento pra cuidar da minha família. Para sobreviver

 Disse Steve, o detetive responsável pela investigação do Assassino das Faces.

 

— Por que você faz isso com as pessoas? Não faz sentido… Nada em você faz sentido. Há anos eu te investigo, anos atrás dos seus passos, do seu passado… Não faz sentido.

— Nada tem sentido. A vida é uma droga, daí você morrer… Alguma pergunta?

 Ele fita o medo estampado no rosto do detetive

— Eu sabia que não.

— É a minha natureza, policial. Os fardados me procuram como “Assassino das Faces”, mas eu só posso dizer que não tenho nome, da mesma forma como não tenho rosto. A fama, as notícias, não me importam, só preciso saciar as minhas vontades mais sórdidas e obscuras. Só quero um novo rosto. Porque, porra, o mesmo rosto todo o dia é cansativo!

— Então faz isso para seu bel prazer… nojo!

— Sabe, policial, detetive, seja lá o que você é… não existe prazer melhor do que se olhar no espelho e ver um ser lindo. Se sentir bem com a aparência. —

Encostou suas costas na parede, gasta pelo tempo.

— É bom ser bonito…

— Posso ver seu rosto?

Tentou o detetive, apreensivo, estudando as feições do assassino. Ele viu dor no marejar de seus olhos, um tremor em seu corpo. Quando o viu tirar do bolso da calça suja, uma faca afiada, reluzente.

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