Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Assassino das Faces

— Aquele maldito motorista, sabe o que ele fez? Roubou meu rosto! Você não sabe como é se olhar no espelho e não enxergar nada além de um monte de carne viva e sem pele. Ossos à vista, a visão da morte!

Ele gritou. O detetive, assustado, fechou os olhos tentando ao menos simular em sua mente a dor, tentando entender como aquilo machucou a vida daquele homem, mas era incapaz.

— Eu só quero ser reconstruído, me sentir vivo de novo, nem que seja da minha forma. Eu sinto que falta um pedaço de mim.

— Todos aqueles inocentes… Por que eles?

— Inocentes? Eu sou um inocente

Ele bateu com a mão peito, alterando a voz, sem medo algum de ser descoberto

— O meu rosto foi arrancado mim, minha vaidade. Eu só tenho a dizer que meus anos de isolamento, dentro do quarto, deitado em minha cama sozinho, me deram tempo suficiente para planejar muitas coisas. Era maravilhoso e excitante acompanhar o noticiário com suas manchetes sensacionalistas dando detalhes dos crimes, assim, pude planejar o suficiente para não ser pego e acho que tive uma certa ajuda de filmes para a minha ideia. Você sabe, né? Jason usa aquela máscara para esconder seu rosto deformado. Mas eu não quero uma máscara, eu quero um novo rosto! Assim ninguém me olharia com desprezo e nojo, assim não continuariam rindo de mim. Não é assim que funciona? Padrões de beleza…

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J. A. de Nardo
Assassino das Faces

— Aquele maldito motorista, sabe o que ele fez? Roubou meu rosto! Você não sabe como é se olhar no espelho e não enxergar nada além de um monte de carne viva e sem pele. Ossos à vista, a visão da morte!

Ele gritou. O detetive, assustado, fechou os olhos tentando ao menos simular em sua mente a dor, tentando entender como aquilo machucou a vida daquele homem, mas era incapaz.

— Eu só quero ser reconstruído, me sentir vivo de novo, nem que seja da minha forma. Eu sinto que falta um pedaço de mim.

— Todos aqueles inocentes… Por que eles?

— Inocentes? Eu sou um inocente

Ele bateu com a mão peito, alterando a voz, sem medo algum de ser descoberto

— O meu rosto foi arrancado mim, minha vaidade. Eu só tenho a dizer que meus anos de isolamento, dentro do quarto, deitado em minha cama sozinho, me deram tempo suficiente para planejar muitas coisas. Era maravilhoso e excitante acompanhar o noticiário com suas manchetes sensacionalistas dando detalhes dos crimes, assim, pude planejar o suficiente para não ser pego e acho que tive uma certa ajuda de filmes para a minha ideia. Você sabe, né? Jason usa aquela máscara para esconder seu rosto deformado. Mas eu não quero uma máscara, eu quero um novo rosto! Assim ninguém me olharia com desprezo e nojo, assim não continuariam rindo de mim. Não é assim que funciona? Padrões de beleza…

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