Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Assassino das Faces

— Olha… 

O detetive engole em seco, a saliva salgada em sua boca juntava cada vez mais, aumentando seu desespero

— Podemos… olha, se você se entregar, pode conseguir uma pena reduzida…

— Pena? Custa entender que eu quero apenas um rosto novo?

Ele sorri, debaixo daquela pele fedorenta que estava embaixo do seu rosto, segurada apenas por linhas de anzol, dando várias voltas ao redor da cabeça.

— Você é louco?

O detetive tenta se desvencilhar das cordas, mas elas estavam bem apertadas de modo que a cada solavanco o nó apertava ainda mais. O assassino se aproximava lentamente.

— Sim, eu sou louco. E é exatamente por isso que uso minha faca. —

Ele ri, diabolicamente

— Serve para arrancar esses belos rostos, assim como o seu. Essa pele é minha.

Ele aponta a faca para Stevie. Se aproximando ele encosta o nariz no rosto do detetive.

— Loção pós-barba. Cheiroso. Meu pai costumava usar. Quando eu era criança, antes dessa desgraça acontecer, eu me via ao lado de papai na frente do espelho fazendo juntos nossa barba. Eu sempre imaginava como seria minha primeira vez passando a navalha, se me cortaria. Tinha pavor

Ele riu, passando a ponta nas unhas.

— Eu também tenho uma filha linda.

Disse o detetive com a voz embargada. A todo o momento ali, à mercê do assassino, lembrava do sorriso meigo e doce da sua pequena.

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J. A. de Nardo
Assassino das Faces

— Olha… 

O detetive engole em seco, a saliva salgada em sua boca juntava cada vez mais, aumentando seu desespero

— Podemos… olha, se você se entregar, pode conseguir uma pena reduzida…

— Pena? Custa entender que eu quero apenas um rosto novo?

Ele sorri, debaixo daquela pele fedorenta que estava embaixo do seu rosto, segurada apenas por linhas de anzol, dando várias voltas ao redor da cabeça.

— Você é louco?

O detetive tenta se desvencilhar das cordas, mas elas estavam bem apertadas de modo que a cada solavanco o nó apertava ainda mais. O assassino se aproximava lentamente.

— Sim, eu sou louco. E é exatamente por isso que uso minha faca. —

Ele ri, diabolicamente

— Serve para arrancar esses belos rostos, assim como o seu. Essa pele é minha.

Ele aponta a faca para Stevie. Se aproximando ele encosta o nariz no rosto do detetive.

— Loção pós-barba. Cheiroso. Meu pai costumava usar. Quando eu era criança, antes dessa desgraça acontecer, eu me via ao lado de papai na frente do espelho fazendo juntos nossa barba. Eu sempre imaginava como seria minha primeira vez passando a navalha, se me cortaria. Tinha pavor

Ele riu, passando a ponta nas unhas.

— Eu também tenho uma filha linda.

Disse o detetive com a voz embargada. A todo o momento ali, à mercê do assassino, lembrava do sorriso meigo e doce da sua pequena.

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