Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Assassino das Faces

— É, eu sei que tem. Ela é linda, mesmo. Cabelos loiros encaracolados, como eram os da minha mãe. Mas ela teve uma falha enorme na cabeça, por conta do acidente.

— Olha, por favor, faça o que quiser comigo, mas não faça mal algum para minha filha. Ela não merece nenhuma maldade!

O detetive esperneava, tentando a todo o custo vencer as cordas.

— Não estou aqui para poupar ninguém. Você pode até ser bonito por fora, com esses olhos verdes e o cabelo liso penteado para trás, barba feita… Mas por dentro sua alma é podre igual a minha. Vocês, justiceiros de merda, são podres… uns merdas!

O Assassino se ajoelha de frente para o detetive, que o encara no fundo dos olhos. A pouca iluminação do beco deixa tudo assustador. Stevie pisca freneticamente esboçando seu medo. Ele sente seu corpo frio, arrepiado, não tem nada a fazer. Sozinho e indefeso contra um assassino em uma viela deserta, torce para que alguém passe por ali naquela gélida e eterna madrugada e possa afugentar o seu algoz. Porém a desesperança toma conta conforme ele vê o assassino sorrindo, preparando sua faca, sentindo a respiração ofegante e pesada da sua presa.

Aquilo parece o provocar, olhando de cima a baixo, como se escolhesse um produto no supermercado. Ele sabe que sua presa está com medo, ele consegue sentir o cheiro do pavor. E após alguns segundos em silêncio, passa a mão no bolso do paletó do detetive. De lá, tira a carteira e algumas cédulas avulsas de um café da tarde miserento numa lanchonete qualquer. Ao abri-la retira uma pequena foto que estava guardada, uma foto de uma garotinha.

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J. A. de Nardo
Assassino das Faces

— É, eu sei que tem. Ela é linda, mesmo. Cabelos loiros encaracolados, como eram os da minha mãe. Mas ela teve uma falha enorme na cabeça, por conta do acidente.

— Olha, por favor, faça o que quiser comigo, mas não faça mal algum para minha filha. Ela não merece nenhuma maldade!

O detetive esperneava, tentando a todo o custo vencer as cordas.

— Não estou aqui para poupar ninguém. Você pode até ser bonito por fora, com esses olhos verdes e o cabelo liso penteado para trás, barba feita… Mas por dentro sua alma é podre igual a minha. Vocês, justiceiros de merda, são podres… uns merdas!

O Assassino se ajoelha de frente para o detetive, que o encara no fundo dos olhos. A pouca iluminação do beco deixa tudo assustador. Stevie pisca freneticamente esboçando seu medo. Ele sente seu corpo frio, arrepiado, não tem nada a fazer. Sozinho e indefeso contra um assassino em uma viela deserta, torce para que alguém passe por ali naquela gélida e eterna madrugada e possa afugentar o seu algoz. Porém a desesperança toma conta conforme ele vê o assassino sorrindo, preparando sua faca, sentindo a respiração ofegante e pesada da sua presa.

Aquilo parece o provocar, olhando de cima a baixo, como se escolhesse um produto no supermercado. Ele sabe que sua presa está com medo, ele consegue sentir o cheiro do pavor. E após alguns segundos em silêncio, passa a mão no bolso do paletó do detetive. De lá, tira a carteira e algumas cédulas avulsas de um café da tarde miserento numa lanchonete qualquer. Ao abri-la retira uma pequena foto que estava guardada, uma foto de uma garotinha.

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