Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






MONSTRO NO ARMÁRIO

Alice havia se mudado recentemente com seus pais. Ela tinha apenas 12 anos e era a segunda residência em que moraria, uma linda e enorme casa ao lado de uma grande floresta foi a escolha que Benjamin e Susan fizeram para a pequena poder ter lazer. Era um pouco longe da cidade, mas ela teria espaço e brinquedos o suficiente para se divertir.

 

A mata que ficava logo ao lado causava muita curiosidade na pequena, que durante os dias passava a observar e tentar enxergar algo que estava por lá escondido. Seus pais com medo de que a filha resolvesse se enfiar no meio da floresta e por consequência se perdesse contaram a pobre menina a história de que havia um monstro que rodeava o local em busca de crianças curiosas. Se você pensasse muito nele é óbvio que ele viria atrás de ti, por farejar seu medo. Porém como uma criança pararia de pensar naquilo que não pode ver mas deseja? Inúmeros pensamentos de como o tal monstro deveria se parecer povoavam seus pensamentos sem preocupação.

 

Passava horas de suas noites em claro em busca de uma imagem que pudesse refletir como seria a criatura que habitava as florestas. Tanto que em uma delas decidiu se arriscar, ela iria até o meio da mata para poder matar a sua curiosidade que se aguçava diariamente.

 

A menina desceu as escadas inocentemente, ela não tinha maturidade o suficiente para perceber quantos perigos ela corria por sair dessa forma. Lutou para não fazer barulho, e conseguiu. Saiu pela casa e andou no gramado pela escuridão, no céu havia uma lua gigantesca que iluminava a madrugada, uma leve brisa fazia a garota se arrepiar e olhar para os lados buscando por algo.

Ela parou na frente das árvores, tentava avistar algo, porém nada podia ver. Até que ela vê uma luz, uma luz piscando freneticamente apontando para dentro da floresta; porém ela sentia que vinha por trás dela e foi exatamente isso.

Ao se virar Alice então pode ver; uma figura que não podia ser identificada segurava uma lanterna e apontava em sua direção. Seus olhos quase cegavam, e decidiu voltar correndo para a residência; deveria ser seu pai chamando sua atenção por não o obedecer novamente.

Enquanto dava rápidos passos pelo quintal ela podia ouvir o barulho que o vento causava na mata atrás dela. O som medonho de pássaros causava uma sensação que não podia descrever, e quando menos percebeu já estava na porta de casa. Entrou rapidamente cortando o frio que corria por seu corpo, caminhou devagar pela escada para evitar ruídos da velha madeira.

Alice conferiu pela fresta o quarto de seus pais; ambos dormiam. Era realmente ele que estava em seu quarto?

A escuridão fazia com que a pequena não pudesse enxergar um palmo a sua frente, a obrigou a acender a luz do banheiro. Se olhando no espelho lavou seu rosto, diante de tanto sono e pensamentos embaralhados tudo aquilo podia ser fruto de sua imaginação. Após apagar novamente a luz ela parecia mais calma para se dirigir ao quarto, se deitou e se cobriu até os pés. Se houvesse um monstro não poderia a pegar tão fácil, mesmo que algo completamente inocente aquilo a tranquilizava.

 

Os minutos iam se passando, e apesar de exausta Alice não pegava no sono, sentia que algo estava ali e aquilo o incomodava. O vento congelante passava pela janela, e o cobertor não era o suficiente para a proteger da forte frente fria que passava pela região.

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J. A. de Nardo
MONSTRO NO ARMÁRIO

Alice havia se mudado recentemente com seus pais. Ela tinha apenas 12 anos e era a segunda residência em que moraria, uma linda e enorme casa ao lado de uma grande floresta foi a escolha que Benjamin e Susan fizeram para a pequena poder ter lazer. Era um pouco longe da cidade, mas ela teria espaço e brinquedos o suficiente para se divertir.

 

A mata que ficava logo ao lado causava muita curiosidade na pequena, que durante os dias passava a observar e tentar enxergar algo que estava por lá escondido. Seus pais com medo de que a filha resolvesse se enfiar no meio da floresta e por consequência se perdesse contaram a pobre menina a história de que havia um monstro que rodeava o local em busca de crianças curiosas. Se você pensasse muito nele é óbvio que ele viria atrás de ti, por farejar seu medo. Porém como uma criança pararia de pensar naquilo que não pode ver mas deseja? Inúmeros pensamentos de como o tal monstro deveria se parecer povoavam seus pensamentos sem preocupação.

 

Passava horas de suas noites em claro em busca de uma imagem que pudesse refletir como seria a criatura que habitava as florestas. Tanto que em uma delas decidiu se arriscar, ela iria até o meio da mata para poder matar a sua curiosidade que se aguçava diariamente.

 

A menina desceu as escadas inocentemente, ela não tinha maturidade o suficiente para perceber quantos perigos ela corria por sair dessa forma. Lutou para não fazer barulho, e conseguiu. Saiu pela casa e andou no gramado pela escuridão, no céu havia uma lua gigantesca que iluminava a madrugada, uma leve brisa fazia a garota se arrepiar e olhar para os lados buscando por algo.

Ela parou na frente das árvores, tentava avistar algo, porém nada podia ver. Até que ela vê uma luz, uma luz piscando freneticamente apontando para dentro da floresta; porém ela sentia que vinha por trás dela e foi exatamente isso.

Ao se virar Alice então pode ver; uma figura que não podia ser identificada segurava uma lanterna e apontava em sua direção. Seus olhos quase cegavam, e decidiu voltar correndo para a residência; deveria ser seu pai chamando sua atenção por não o obedecer novamente.

Enquanto dava rápidos passos pelo quintal ela podia ouvir o barulho que o vento causava na mata atrás dela. O som medonho de pássaros causava uma sensação que não podia descrever, e quando menos percebeu já estava na porta de casa. Entrou rapidamente cortando o frio que corria por seu corpo, caminhou devagar pela escada para evitar ruídos da velha madeira.

Alice conferiu pela fresta o quarto de seus pais; ambos dormiam. Era realmente ele que estava em seu quarto?

A escuridão fazia com que a pequena não pudesse enxergar um palmo a sua frente, a obrigou a acender a luz do banheiro. Se olhando no espelho lavou seu rosto, diante de tanto sono e pensamentos embaralhados tudo aquilo podia ser fruto de sua imaginação. Após apagar novamente a luz ela parecia mais calma para se dirigir ao quarto, se deitou e se cobriu até os pés. Se houvesse um monstro não poderia a pegar tão fácil, mesmo que algo completamente inocente aquilo a tranquilizava.

 

Os minutos iam se passando, e apesar de exausta Alice não pegava no sono, sentia que algo estava ali e aquilo o incomodava. O vento congelante passava pela janela, e o cobertor não era o suficiente para a proteger da forte frente fria que passava pela região.

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