Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






MONSTRO NO ARMÁRIO

Alice sentiu um toque, eram dedos a cutucando chamando sua atenção. Sentia uma pelugem que jamais havia sentido, o medo percorreu sua espinha e ao se virar lentamente ela viu uma figura mítica, era completamente estranho e anormal.

Apesar de sentir pânico ela não demonstrou nenhuma reação exagerada, não gritou ou franziu as sobrancelhas apenas fitou a estranha criatura que trazia consigo um sorriso gigantesco e cheio de dentes. Observava o ser que estava a sua frente e percebia as semelhanças com os seres mitológicos que via em livros.

– Você é o monstro da floresta que meus pais falaram? – indaga a garota mostrando sua curiosidade pelo tema.

– Eu não sou um monstro garota.. Monstros fazem coisas ruins, e eu estou aqui para ajudar. Não me viu iluminar a floresta? Chamei sua atenção para que não entrasse lá, e funcionou.

– Mas porque você está no meu quarto?

– Eu durmo debaixo da cama para poder te proteger durante a noite, oras. – o ser tinha uma voz cômica, causava risos na garota.

– E de dia você não me protege?

– Você não sente algo ao seu redor enquanto brinca? Estou sempre nas sombras estreitando o que acontece.

– E por que não fala comigo?

– Só posso me comunicar depois de lhe ajudar com algo. Você não imagina o que poderia ter acontecido contigo se tivesse avançado pela mata..

– O que aconteceria? – Alice agora senta na cama, está ainda mais curiosa sobre a criatura e sua função.

– Eu prefiro não comentar.. Eu tenho uma visão um pouco a frente do que pode acontecer com a criança que protejo.

– Se você está aqui pra me ajudar porque não parou aquele balanço que me fez ralar o joelho no meu primeiro dia aqui?

– Isso são coisas da vida, pequena. – o ser toca o rosto de Alice e continua- você deve aprender com seus tombos. Você não levaria um tombo na floresta, você correria risco de vida.

– Acho que eu nunca te veria no quintal.. Você é da cor do gramado.

Alice toca o pelo da criatura, ele tem uma pelagem verde escura que pode ser confundida com a da mata.

– Eu posso me adaptar aos locais, demora um pouquinho mas fica bom até..

Ela então observa o ser enegrecer, ficar da cor de seu quarto sem luz.

– Isso é incrível! – Alice diz boquiaberta, surpresa sobre o quão mágica era a criatura – agora que eu já te conheço podemos ser amigos? Eu não tenho nenhum por aqui.

– Podemos.. Mas seus pais não iriam gostar nada. Você não vê como eles demonizam as criaturas para você?

– Sim, mas… Eles só querem meu bem.

– Eu também Alice, estou aqui para ajudar a você e eles, mas não posso conversar tanto com você ou eles podem ou-

Antes que pudesse completar sua frase um estrondo invade o quarto de Alice; é seu pai. Nenhuma frase foi ouvida além de gritos da pequena ao ver seu pai com uma grande espingarda atingindo fatalmente o ser mágico com quem ela estava conversando.

Páginas: 1 2 3

J. A. de Nardo
MONSTRO NO ARMÁRIO

Alice sentiu um toque, eram dedos a cutucando chamando sua atenção. Sentia uma pelugem que jamais havia sentido, o medo percorreu sua espinha e ao se virar lentamente ela viu uma figura mítica, era completamente estranho e anormal.

Apesar de sentir pânico ela não demonstrou nenhuma reação exagerada, não gritou ou franziu as sobrancelhas apenas fitou a estranha criatura que trazia consigo um sorriso gigantesco e cheio de dentes. Observava o ser que estava a sua frente e percebia as semelhanças com os seres mitológicos que via em livros.

– Você é o monstro da floresta que meus pais falaram? – indaga a garota mostrando sua curiosidade pelo tema.

– Eu não sou um monstro garota.. Monstros fazem coisas ruins, e eu estou aqui para ajudar. Não me viu iluminar a floresta? Chamei sua atenção para que não entrasse lá, e funcionou.

– Mas porque você está no meu quarto?

– Eu durmo debaixo da cama para poder te proteger durante a noite, oras. – o ser tinha uma voz cômica, causava risos na garota.

– E de dia você não me protege?

– Você não sente algo ao seu redor enquanto brinca? Estou sempre nas sombras estreitando o que acontece.

– E por que não fala comigo?

– Só posso me comunicar depois de lhe ajudar com algo. Você não imagina o que poderia ter acontecido contigo se tivesse avançado pela mata..

– O que aconteceria? – Alice agora senta na cama, está ainda mais curiosa sobre a criatura e sua função.

– Eu prefiro não comentar.. Eu tenho uma visão um pouco a frente do que pode acontecer com a criança que protejo.

– Se você está aqui pra me ajudar porque não parou aquele balanço que me fez ralar o joelho no meu primeiro dia aqui?

– Isso são coisas da vida, pequena. – o ser toca o rosto de Alice e continua- você deve aprender com seus tombos. Você não levaria um tombo na floresta, você correria risco de vida.

– Acho que eu nunca te veria no quintal.. Você é da cor do gramado.

Alice toca o pelo da criatura, ele tem uma pelagem verde escura que pode ser confundida com a da mata.

– Eu posso me adaptar aos locais, demora um pouquinho mas fica bom até..

Ela então observa o ser enegrecer, ficar da cor de seu quarto sem luz.

– Isso é incrível! – Alice diz boquiaberta, surpresa sobre o quão mágica era a criatura – agora que eu já te conheço podemos ser amigos? Eu não tenho nenhum por aqui.

– Podemos.. Mas seus pais não iriam gostar nada. Você não vê como eles demonizam as criaturas para você?

– Sim, mas… Eles só querem meu bem.

– Eu também Alice, estou aqui para ajudar a você e eles, mas não posso conversar tanto com você ou eles podem ou-

Antes que pudesse completar sua frase um estrondo invade o quarto de Alice; é seu pai. Nenhuma frase foi ouvida além de gritos da pequena ao ver seu pai com uma grande espingarda atingindo fatalmente o ser mágico com quem ela estava conversando.

Páginas: 1 2 3