Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






MONSTRO NO ARMÁRIO

Ela pode ver o sangue em sua cama, tingindo as paredes enquanto soluçava com choro. Seu pai estava raivoso, e não acreditava nos perigos que ali existiam.

– Olha o tamanho desse maldito monstro. Eu não acredito que isso existe.

– Ele não é monstro, ele-ele é meu a-amigo.

Alice soluça, mal consegue completar uma frase pois está desesperada, não consegue segurar seu choro.

– Quieta Alice. Calma. Fique aqui que eu levarei isso para fora. A polícia precisa saber disso.

– Eu não quero ficar sozinha. Alice está em choque, logo após conhecer uma criatura que só estava presente em sonhos ela presencia a morte, coisa que jamais havia visto e não imaginava que seria tão sangrento e perturbador.

Seu pai carregava no colo o ser para fora de casa, enquanto sua mãe ainda de camisola ligava o carro para o levar até a cidade que indicaria o que seria aquilo.

Alice pode ver tudo aquilo da janela de seu quarto, pode ver o carro rapidamente saindo pelo quintal rumo a estrada. Via toda a cena desesperada e claramente traumatizada depois de tudo o que ocorreu. Seu pai a trancou no quarto para que não fugisse da casa, e isso a deixava em um pânico ainda maior.

 

O choro se deu lugar ao suor frio quando percebeu que seu velho armário de madeira rangia e a porta abria lentamente. Dessa vez não seria uma criatura, era realmente uma pessoa, que não tinha boas intenções.

Alice não tinha para onde correr, o choro em soluços a impedia de proferir qualquer sentença, e seu destino foi selado naquela noite.

 

O verdadeiro monstro era de pele e osso, e não havia ninguém para a salvar agora.

 

As rádios em poucas horas noticiavam:

” O mito de Zaeh, o protetor das crianças ainda vive. Isso se deve ao fato de uma criatura semelhante às crenças locais ser encontrada no meio da estrada 711, em um carro capotado. O casal que ocupava o veículo foi encontrado a alguns quilômetros de distância, mortos sem causa aparente. A criatura que sangrava muito antes de ser desmaiada por dardos tranquilizantes proferiu palavras não pronúnciaveis e entre elas “Alice.. Alice. Vingança”. Foi constatado que Alice seria a filha do casal encontrado morto, e que estaria em uma casa de campo isolada onde ataques de pedófilos foram denunciados em grande número nos últimos anos, as autoridades foram encaminhadas até lá para averiguar a situação. Zaeh é um ser mitológico regional em que os livros de histórias nos contam que protege as crianças que são predestinadas para algum mau. “

 

 

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J. A. de Nardo
MONSTRO NO ARMÁRIO

Ela pode ver o sangue em sua cama, tingindo as paredes enquanto soluçava com choro. Seu pai estava raivoso, e não acreditava nos perigos que ali existiam.

– Olha o tamanho desse maldito monstro. Eu não acredito que isso existe.

– Ele não é monstro, ele-ele é meu a-amigo.

Alice soluça, mal consegue completar uma frase pois está desesperada, não consegue segurar seu choro.

– Quieta Alice. Calma. Fique aqui que eu levarei isso para fora. A polícia precisa saber disso.

– Eu não quero ficar sozinha. Alice está em choque, logo após conhecer uma criatura que só estava presente em sonhos ela presencia a morte, coisa que jamais havia visto e não imaginava que seria tão sangrento e perturbador.

Seu pai carregava no colo o ser para fora de casa, enquanto sua mãe ainda de camisola ligava o carro para o levar até a cidade que indicaria o que seria aquilo.

Alice pode ver tudo aquilo da janela de seu quarto, pode ver o carro rapidamente saindo pelo quintal rumo a estrada. Via toda a cena desesperada e claramente traumatizada depois de tudo o que ocorreu. Seu pai a trancou no quarto para que não fugisse da casa, e isso a deixava em um pânico ainda maior.

 

O choro se deu lugar ao suor frio quando percebeu que seu velho armário de madeira rangia e a porta abria lentamente. Dessa vez não seria uma criatura, era realmente uma pessoa, que não tinha boas intenções.

Alice não tinha para onde correr, o choro em soluços a impedia de proferir qualquer sentença, e seu destino foi selado naquela noite.

 

O verdadeiro monstro era de pele e osso, e não havia ninguém para a salvar agora.

 

As rádios em poucas horas noticiavam:

” O mito de Zaeh, o protetor das crianças ainda vive. Isso se deve ao fato de uma criatura semelhante às crenças locais ser encontrada no meio da estrada 711, em um carro capotado. O casal que ocupava o veículo foi encontrado a alguns quilômetros de distância, mortos sem causa aparente. A criatura que sangrava muito antes de ser desmaiada por dardos tranquilizantes proferiu palavras não pronúnciaveis e entre elas “Alice.. Alice. Vingança”. Foi constatado que Alice seria a filha do casal encontrado morto, e que estaria em uma casa de campo isolada onde ataques de pedófilos foram denunciados em grande número nos últimos anos, as autoridades foram encaminhadas até lá para averiguar a situação. Zaeh é um ser mitológico regional em que os livros de histórias nos contam que protege as crianças que são predestinadas para algum mau. “

 

 

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