Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Um Psicopata

O dia se arrasta preguiçoso enquanto prossigo a minha rotina. É muito importante criarmos hábitos, definirmos horários. Tudo fica preparado numa parte do meu quintal reservado ao treinamento de arco-flecha, um hábito que herdei do último marido da minha falecida mãe. Ele me apresentou o esporte quando eu ainda era um garoto de 14 anos, desde então, nunca mais parei. 

Depois de um descanso de exatos 10 minutos, pego uma caneca recém tirada da gaveta, passou cerca de 15 minutos na geladeira para perder um pouco da temperatura morna que estaria. Dois dedos de água mineral equilibrados com apenas uma golada, e um comprimido de Lexotan.

A noite chega, eu posso ver no céu sem estrelas, uma lua gigantesca e solitária. À observo, e quando adiciono uma pequena porção de ração ao meu peixe, acho que me sinto exatamente como ele é, um pequeno peixe no seu aquário, sem ter onde ir e nem como escapar, preso em um cubículo pequeno e sem graça, dando voltas sem fim que sempre levará ao mesmo destino de sempre, o anterior.

Questiono sobre meus atos, seriam aquelas 15 series de exercícios o que eu gostaria de fazer para toda a vida? Eu realmente preciso disso, ou tenho uma extrema vaidade que não me permite estar contente? Peço uma pizza, daquelas bem gordurosas onde a embalagem chegando melecada; chego a comer um pedaço de uma fatia, porém a culpa me vem e sou obrigado a enfiar dois dedos na garganta para jogá-la fora.

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J. A. de Nardo
Um Psicopata

O dia se arrasta preguiçoso enquanto prossigo a minha rotina. É muito importante criarmos hábitos, definirmos horários. Tudo fica preparado numa parte do meu quintal reservado ao treinamento de arco-flecha, um hábito que herdei do último marido da minha falecida mãe. Ele me apresentou o esporte quando eu ainda era um garoto de 14 anos, desde então, nunca mais parei. 

Depois de um descanso de exatos 10 minutos, pego uma caneca recém tirada da gaveta, passou cerca de 15 minutos na geladeira para perder um pouco da temperatura morna que estaria. Dois dedos de água mineral equilibrados com apenas uma golada, e um comprimido de Lexotan.

A noite chega, eu posso ver no céu sem estrelas, uma lua gigantesca e solitária. À observo, e quando adiciono uma pequena porção de ração ao meu peixe, acho que me sinto exatamente como ele é, um pequeno peixe no seu aquário, sem ter onde ir e nem como escapar, preso em um cubículo pequeno e sem graça, dando voltas sem fim que sempre levará ao mesmo destino de sempre, o anterior.

Questiono sobre meus atos, seriam aquelas 15 series de exercícios o que eu gostaria de fazer para toda a vida? Eu realmente preciso disso, ou tenho uma extrema vaidade que não me permite estar contente? Peço uma pizza, daquelas bem gordurosas onde a embalagem chegando melecada; chego a comer um pedaço de uma fatia, porém a culpa me vem e sou obrigado a enfiar dois dedos na garganta para jogá-la fora.

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