Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Felicilândia

                  5

 

O quarto tinha a umidade ancestral de suores e outros líquidos corpóreos, gerações de criaturas que dormiam e empapavam os cobertores deixando seus verdadeiros vestígios de existência que somente é percebido por aqueles que meditam demais ou quem pela primeira vez entra num quadrado milenar de paredes pegajosas e se depara com a realidade que o canto de um lar mais privado é aquele que não tem nenhum conforto, todos os dias os mesmos pensamentos e cores desfocadas pela noite,  Alphonsus sentia a brisa envelhecida vinda de fora trazendo poeira e fragmentos de nobreza esquecida, fechou os olhos e logo despertou com a barriga cheia de bosta mole e a bexiga quase estourando, estava pensando em aliviar-se ali mesmo, todos tinham a obrigação de limpar-lhe, desistiu e foi aliviar-se pensando nos olhos famintos da mulher, no corpo meio velho, nas carnes dos braços que começavam a despencar criando o meio erotismo necessário para sua sobrevivência, o meio termo do belo e decadente, aquilo que já foi e  contemplando de maneira cruel (e a única que sabe) percebe que o enfeite é a deformidade necessária, a maquiagem e roupa são feiuras que passam desapercebidas pela vontade animal e nada mais, de encher o corpo de salivas, gozar e inundar os buracos, panos e maquiagem de pura satisfação.

 

                    ***

Horas se passaram até que o tédio invadiu a alcova, Alphonsus IV filho de Gilberto I O Sujo levantou-se nu com sua bandeira despencada, vestiu-se apenas com a primeira camada de roupa e foi conhecer o castelo.

 

 

                            

 

 

 

 

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Jean Souza
Felicilândia

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O quarto tinha a umidade ancestral de suores e outros líquidos corpóreos, gerações de criaturas que dormiam e empapavam os cobertores deixando seus verdadeiros vestígios de existência que somente é percebido por aqueles que meditam demais ou quem pela primeira vez entra num quadrado milenar de paredes pegajosas e se depara com a realidade que o canto de um lar mais privado é aquele que não tem nenhum conforto, todos os dias os mesmos pensamentos e cores desfocadas pela noite,  Alphonsus sentia a brisa envelhecida vinda de fora trazendo poeira e fragmentos de nobreza esquecida, fechou os olhos e logo despertou com a barriga cheia de bosta mole e a bexiga quase estourando, estava pensando em aliviar-se ali mesmo, todos tinham a obrigação de limpar-lhe, desistiu e foi aliviar-se pensando nos olhos famintos da mulher, no corpo meio velho, nas carnes dos braços que começavam a despencar criando o meio erotismo necessário para sua sobrevivência, o meio termo do belo e decadente, aquilo que já foi e  contemplando de maneira cruel (e a única que sabe) percebe que o enfeite é a deformidade necessária, a maquiagem e roupa são feiuras que passam desapercebidas pela vontade animal e nada mais, de encher o corpo de salivas, gozar e inundar os buracos, panos e maquiagem de pura satisfação.

 

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Horas se passaram até que o tédio invadiu a alcova, Alphonsus IV filho de Gilberto I O Sujo levantou-se nu com sua bandeira despencada, vestiu-se apenas com a primeira camada de roupa e foi conhecer o castelo.

 

 

                            

 

 

 

 

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