Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Felicilândia

                                         2

 

-Boa ideia sairmos de carruagem depois de experimentar essa alegria tão aguda que faz doer a cara, ouvi dizer que existem países que não sabem do nosso produto e lá a tristeza é cultivada como nossa alegria aqui, ouvi dizer que lá os habitantes vivem em media vinte cinco anos e não há ninguém que os governe, precisamos levar nossa alegria.

– Suas ideias são excelentes. Uma cortesã obesa que parecia mais uma massa gigante de sebo falante estava no meio dos dois homens nobres alisando as pernas de um e segurando a bandeiras do progresso de alegria do outro.

– Clotilde Clementina, coma esse peru amor que me dá tesão, você está tão magra.

A cada mordida e mastigar barulhento da amada, Alphonsus IV sorria e apertava os peitos enormes quase irreais da meretriz enquanto o Primeiro Ministro colocava a maior alegria pra fora e era tratado com respeito e admiração pela mulher que tinha no estomago o amor. Eles tinham ao redor garrafas de bebidas diversas, pratos imundos de comida que insetos em desespero passeavam, um pequeno barril com pedaços de carnes diversas, bolos, sorvetes que os restos derretidos melavam fotografias pornográficas em preto e branco de orgias passadas que se misturavam com a alegria sintética de um pacote mal aberto. Do lado de fora belas arvores e uma pista de areia, os pássaros cantavam acompanhando o som do mar, os passageiros da nobre carruagem estavam dopados de alegria que seria momentaneamente esquecida por uma visão desagradável ao rei.

-Olhe uma criança pobre!

-Mentira, aqui no meu reino não existe esse fenômeno. O rei pronunciou essa sentença levantando o indicador em movimentos circulares.

-Olhe, se aquilo ali não for uma criança pobre não me chamo Clotilde Clementina, as roupas rasgadas, a cara imunda, aquilo ali é uma criança pobre Majestade!

A honestidade da cortesã era uma ofensa que incomodava o rei, mas que ele não podia fazer nada. Amava a mulherona e não questionava o modo plebeu dela agir.

-Uma criança pobre no meu reino, em Felicilândia não existe tal absurdo, parem! Quero falar com essa miragem.

O carro se aproximou há uns dez metros da criaturinha mal lavada e catarrenta.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Jean Souza
Felicilândia

                                         2

 

-Boa ideia sairmos de carruagem depois de experimentar essa alegria tão aguda que faz doer a cara, ouvi dizer que existem países que não sabem do nosso produto e lá a tristeza é cultivada como nossa alegria aqui, ouvi dizer que lá os habitantes vivem em media vinte cinco anos e não há ninguém que os governe, precisamos levar nossa alegria.

– Suas ideias são excelentes. Uma cortesã obesa que parecia mais uma massa gigante de sebo falante estava no meio dos dois homens nobres alisando as pernas de um e segurando a bandeiras do progresso de alegria do outro.

– Clotilde Clementina, coma esse peru amor que me dá tesão, você está tão magra.

A cada mordida e mastigar barulhento da amada, Alphonsus IV sorria e apertava os peitos enormes quase irreais da meretriz enquanto o Primeiro Ministro colocava a maior alegria pra fora e era tratado com respeito e admiração pela mulher que tinha no estomago o amor. Eles tinham ao redor garrafas de bebidas diversas, pratos imundos de comida que insetos em desespero passeavam, um pequeno barril com pedaços de carnes diversas, bolos, sorvetes que os restos derretidos melavam fotografias pornográficas em preto e branco de orgias passadas que se misturavam com a alegria sintética de um pacote mal aberto. Do lado de fora belas arvores e uma pista de areia, os pássaros cantavam acompanhando o som do mar, os passageiros da nobre carruagem estavam dopados de alegria que seria momentaneamente esquecida por uma visão desagradável ao rei.

-Olhe uma criança pobre!

-Mentira, aqui no meu reino não existe esse fenômeno. O rei pronunciou essa sentença levantando o indicador em movimentos circulares.

-Olhe, se aquilo ali não for uma criança pobre não me chamo Clotilde Clementina, as roupas rasgadas, a cara imunda, aquilo ali é uma criança pobre Majestade!

A honestidade da cortesã era uma ofensa que incomodava o rei, mas que ele não podia fazer nada. Amava a mulherona e não questionava o modo plebeu dela agir.

-Uma criança pobre no meu reino, em Felicilândia não existe tal absurdo, parem! Quero falar com essa miragem.

O carro se aproximou há uns dez metros da criaturinha mal lavada e catarrenta.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10