Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Felicilândia

-Agora Majestade é hora de mostrar a nova forma do rei agir.

O Primeiro Ministro sorriu contraindo de leve os lábios.

-Não tenho medo sou do povo. Alphonsus IV filho de Gilberto I O Sujo nunca tinha visto de tão perto gente pobre e uma criança andrajosa era ainda mais assustadora só que a curiosidade misturada com a quantidade excessiva de felicidade ingerida deu a coragem necessária ao rei que pulou rapidamente da carruagem sem esperar que a guarda o acompanhasse. A criança não tinha sexo definido, o lodo grudado no pescoço parecia adquirir vida própria, os olhos enormes dentro de um rosto chupado pareciam gritar tô com fome, me dê qualquer coisa pra mastigar.

-Oi, você é daqui mesmo?

A Criança se ajoelhou e quis pegar na mão do rei que deixou, mas ficou tremendo.

-Vou precisar lavar por bastante tempo minha mão, se não fosse pela necessidade arrancava ela fora. Pensando alto mas balbuciante sorriu olhando o miserável fingindo bonomia e perguntou novamente aumentando a voz impaciente por uma resposta.

-Oi, você é daqui?

A criança respirou fundo e disse:

-Sou do norte Majestade, sou filho único de camponeses da colheita de Felicidade, Majestade meu pai injustamente foi acusado de… Vossa Majestade sabe, parece que lá a Alegria é fraquinha, os vizinhos diziam que quando chegava a noite meus pais se queixavam de dor nas costas de tanto carregar os sacos e Vossa Majestade sabe, é o que está escrito na bandeira Felicidade ou Morte, como a vontade real é lei meus queridos pais foram desmembrados em praça pública e jogados no Coquetel do Gozo.

O rei se não fosse enviado de Deus sentiria remorso ou ate culpa, mas como essas palavras só existem para o rebanho que é ordenhado com esse chicote comestível e que tão bem alimenta as paixões limitadas felicenses gritou:

-Como você é o único cidadão pobre de Felicilandia decreto que a parti de hoje… é… qual seu nome criancinha?

– Eutides.

-Eutides serás nobre como eu sou, terás dois punhados de ouro e dois diamante do meu cofre pessoal.

A cortesã de traços exóticos e molengos e o Primeiro Ministro ficaram com os queixos caídos ouvindo essa conversa que para eles era apenas uma aventura bem planejada do rei que queria sair da rotina ou dar uma lição de moral.

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Jean Souza
Felicilândia

-Agora Majestade é hora de mostrar a nova forma do rei agir.

O Primeiro Ministro sorriu contraindo de leve os lábios.

-Não tenho medo sou do povo. Alphonsus IV filho de Gilberto I O Sujo nunca tinha visto de tão perto gente pobre e uma criança andrajosa era ainda mais assustadora só que a curiosidade misturada com a quantidade excessiva de felicidade ingerida deu a coragem necessária ao rei que pulou rapidamente da carruagem sem esperar que a guarda o acompanhasse. A criança não tinha sexo definido, o lodo grudado no pescoço parecia adquirir vida própria, os olhos enormes dentro de um rosto chupado pareciam gritar tô com fome, me dê qualquer coisa pra mastigar.

-Oi, você é daqui mesmo?

A Criança se ajoelhou e quis pegar na mão do rei que deixou, mas ficou tremendo.

-Vou precisar lavar por bastante tempo minha mão, se não fosse pela necessidade arrancava ela fora. Pensando alto mas balbuciante sorriu olhando o miserável fingindo bonomia e perguntou novamente aumentando a voz impaciente por uma resposta.

-Oi, você é daqui?

A criança respirou fundo e disse:

-Sou do norte Majestade, sou filho único de camponeses da colheita de Felicidade, Majestade meu pai injustamente foi acusado de… Vossa Majestade sabe, parece que lá a Alegria é fraquinha, os vizinhos diziam que quando chegava a noite meus pais se queixavam de dor nas costas de tanto carregar os sacos e Vossa Majestade sabe, é o que está escrito na bandeira Felicidade ou Morte, como a vontade real é lei meus queridos pais foram desmembrados em praça pública e jogados no Coquetel do Gozo.

O rei se não fosse enviado de Deus sentiria remorso ou ate culpa, mas como essas palavras só existem para o rebanho que é ordenhado com esse chicote comestível e que tão bem alimenta as paixões limitadas felicenses gritou:

-Como você é o único cidadão pobre de Felicilandia decreto que a parti de hoje… é… qual seu nome criancinha?

– Eutides.

-Eutides serás nobre como eu sou, terás dois punhados de ouro e dois diamante do meu cofre pessoal.

A cortesã de traços exóticos e molengos e o Primeiro Ministro ficaram com os queixos caídos ouvindo essa conversa que para eles era apenas uma aventura bem planejada do rei que queria sair da rotina ou dar uma lição de moral.

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