Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Felicilândia

-Guardas peguem o cofre agora!

Os homens fortes com trajes coloridos eram os melhores seguranças que uma fortuna poderia comprar, eram cinco homens do mesmo tamanho que andavam num sincronismo mágico, nos seus rostos se lia um contentamento perverso.

-Obrigado. Retirou de um bauzinho de ouro maciço cravejado com rubis as prometidas moedas e os diamantes colocando na mão da inocente criança que chorando e rindo agradecia a generosidade real.

-Faça bom uso desse pequeno tesouro criança, mude de nome e esqueça quem te deu a vida, ou melhor, começarás a viver hoje. E quem te deu a vida foi um pai mais que um simples deus que sou eu Alphonsus IV rei de Felicilândia! Vais, esqueças e não cometa os erros daqueles que te deram o sangue que agora não existe mais em suas veias.

A criança soluçava e ria tentava responder mas a voz não saía, a possibilidade de ser alguém além das expectativas o sufocava, foi embora correndo sem olhar pra trás.

– Coitado nem sabe o que fazer com tanta riqueza nas mãos, é por isso que nós os nobres temos que cuidar do povo. Essa ultima frase foi gritada para que todos ouvissem. O rei entrou na carroça de luxo e sentou no seu lugar respirou fundo, beijou molhado o pescoço da meretriz apalpando a enorme gruta de prazer que era a felicidade, mas não a que tanto vendia.

-Primo você deu uma fortuna aquela criança.

-Não se preocupe, estou dando a aquela criatura infeliz um pouco do que vendemos, felicidade não está no ouro e nos diamantes que não passam de símbolos (poderia ser merda ou mijo), mas sim na sensação que temos de controle, para nós felicidade é isso! se coloque no lugar dela. Os pais camponeses, camponeses simples carregadores e cultivadores de felicidade, tão simples que nem tiveram a competência de se embriagarem com nossa droga.

-Mas é proibido.  O primeiro Ministro falou com os olhos cheios de sangue.

-Você acha que não sei? Decretei essa lei por passatempo a eles, precisam acreditar que existe algo repugnante ao ponto de ser proibido e como a imaginação deles é estreita nós decidimos o que é melhor para o povo e você sabe o que acontece com as leis, se coloque no lugar desta criança, pela primeira vez pensará em uma boa casa, um quarto grande com uma cama macia, escravos e tudo mais que você conhece. O egoísmo nascendo saindo dos seus olhinhos, as mãozinhas e dentinhos preparados para arranhar, rasgar e proteger o tesouro.

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Jean Souza
Felicilândia

-Guardas peguem o cofre agora!

Os homens fortes com trajes coloridos eram os melhores seguranças que uma fortuna poderia comprar, eram cinco homens do mesmo tamanho que andavam num sincronismo mágico, nos seus rostos se lia um contentamento perverso.

-Obrigado. Retirou de um bauzinho de ouro maciço cravejado com rubis as prometidas moedas e os diamantes colocando na mão da inocente criança que chorando e rindo agradecia a generosidade real.

-Faça bom uso desse pequeno tesouro criança, mude de nome e esqueça quem te deu a vida, ou melhor, começarás a viver hoje. E quem te deu a vida foi um pai mais que um simples deus que sou eu Alphonsus IV rei de Felicilândia! Vais, esqueças e não cometa os erros daqueles que te deram o sangue que agora não existe mais em suas veias.

A criança soluçava e ria tentava responder mas a voz não saía, a possibilidade de ser alguém além das expectativas o sufocava, foi embora correndo sem olhar pra trás.

– Coitado nem sabe o que fazer com tanta riqueza nas mãos, é por isso que nós os nobres temos que cuidar do povo. Essa ultima frase foi gritada para que todos ouvissem. O rei entrou na carroça de luxo e sentou no seu lugar respirou fundo, beijou molhado o pescoço da meretriz apalpando a enorme gruta de prazer que era a felicidade, mas não a que tanto vendia.

-Primo você deu uma fortuna aquela criança.

-Não se preocupe, estou dando a aquela criatura infeliz um pouco do que vendemos, felicidade não está no ouro e nos diamantes que não passam de símbolos (poderia ser merda ou mijo), mas sim na sensação que temos de controle, para nós felicidade é isso! se coloque no lugar dela. Os pais camponeses, camponeses simples carregadores e cultivadores de felicidade, tão simples que nem tiveram a competência de se embriagarem com nossa droga.

-Mas é proibido.  O primeiro Ministro falou com os olhos cheios de sangue.

-Você acha que não sei? Decretei essa lei por passatempo a eles, precisam acreditar que existe algo repugnante ao ponto de ser proibido e como a imaginação deles é estreita nós decidimos o que é melhor para o povo e você sabe o que acontece com as leis, se coloque no lugar desta criança, pela primeira vez pensará em uma boa casa, um quarto grande com uma cama macia, escravos e tudo mais que você conhece. O egoísmo nascendo saindo dos seus olhinhos, as mãozinhas e dentinhos preparados para arranhar, rasgar e proteger o tesouro.

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