Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Felicilândia

-Que medroso, é assim que honra a seu pai?

-É assim que honra o sangue de um Deus?

-O maior erro é acreditar que pode ser igual ao nosso soberano.

-Só te perdoamos um pouco porque é criança.

-Mas não viverás para contar a dadiva que foi a de segurar a mão de um rei, olhe a mãozinha dele como está tremendo, se vê que tem mãos de camponês está cheia de calo e feridas, olhe as unhas pretas cheias de sujeiras, nem deve saber comer de boca fechada.

-Segure minha bandeira, assim, oh… arrr… assim.

Um dos soldados arrancou os trapos infantis chamados de roupa e passou a barra de ferro nos braços e pernas da criança que não sabia o que fazer.

-Não pare, vamos continue.

Os outros quatros soldados não aguentando esperar mais pelas aplicações da lei usaram todas as forças para acertar o pequeno criminoso que caiu no laguinho que aos poucos mudava de cor e com o brilho do sol ganhava uma vida mais alegre e enchia de felicidade os corações perversos e militares. Os guardas começaram a amassar e triturar a carninha juvenil que a pouco pensava em ajudar a vó que estava muito doente, antes de desmaiar odiou e sentiu-se triste pela primeira vez. Os guardas batiam seus bastões no corpinho minúsculo por horas, sabiam que já tinham matado o criminoso mas queriam cumprir a lei rigorosamente, estavam sendo observados pelo Rei e sua trupe que não tiraram os olhos da ação penal, de dentro da carroça comiam numa taça olhos enormes e de várias cores, acreditavam no poder afrodisíaco de ver uma cena brutal e ao mesmo tempo comer olhos, o Rei sorriu mandou que a guarda voltasse, estava atrasado e já culpava a incompetência militar.

-Esses militares gostam tanto de aplicar a lei que acabam se tornando enfadonhos.

Os guardas se vestiram rapidamente e brincavam com as joias reais recuperadas jogando uns pros outros sorrindo com satisfação de dever cumprido.

-Dividam entre vocês esses tesouros, não quero nunca mais ver essa riqueza que foi manchada com mãos pobres.            

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Jean Souza
Felicilândia

-Que medroso, é assim que honra a seu pai?

-É assim que honra o sangue de um Deus?

-O maior erro é acreditar que pode ser igual ao nosso soberano.

-Só te perdoamos um pouco porque é criança.

-Mas não viverás para contar a dadiva que foi a de segurar a mão de um rei, olhe a mãozinha dele como está tremendo, se vê que tem mãos de camponês está cheia de calo e feridas, olhe as unhas pretas cheias de sujeiras, nem deve saber comer de boca fechada.

-Segure minha bandeira, assim, oh… arrr… assim.

Um dos soldados arrancou os trapos infantis chamados de roupa e passou a barra de ferro nos braços e pernas da criança que não sabia o que fazer.

-Não pare, vamos continue.

Os outros quatros soldados não aguentando esperar mais pelas aplicações da lei usaram todas as forças para acertar o pequeno criminoso que caiu no laguinho que aos poucos mudava de cor e com o brilho do sol ganhava uma vida mais alegre e enchia de felicidade os corações perversos e militares. Os guardas começaram a amassar e triturar a carninha juvenil que a pouco pensava em ajudar a vó que estava muito doente, antes de desmaiar odiou e sentiu-se triste pela primeira vez. Os guardas batiam seus bastões no corpinho minúsculo por horas, sabiam que já tinham matado o criminoso mas queriam cumprir a lei rigorosamente, estavam sendo observados pelo Rei e sua trupe que não tiraram os olhos da ação penal, de dentro da carroça comiam numa taça olhos enormes e de várias cores, acreditavam no poder afrodisíaco de ver uma cena brutal e ao mesmo tempo comer olhos, o Rei sorriu mandou que a guarda voltasse, estava atrasado e já culpava a incompetência militar.

-Esses militares gostam tanto de aplicar a lei que acabam se tornando enfadonhos.

Os guardas se vestiram rapidamente e brincavam com as joias reais recuperadas jogando uns pros outros sorrindo com satisfação de dever cumprido.

-Dividam entre vocês esses tesouros, não quero nunca mais ver essa riqueza que foi manchada com mãos pobres.            

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