Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Felicilândia

                         4

 

O quarto espaçoso iluminado com lâmpadas azuladas cheira a madeira e tapetes novos, quando sentou na cama sentia as escadas nas solas dos pés, os quadros passeavam na cabeça. O tempo está passando como veludo, aumentou a respiração querendo de alguma forma expressar a gratidão de poder fazer algo novo, o amor que sentia por Clementina não acabara, apenas precisa de novas modalidades de prazer. Seus joguinhos estavam enfadonhos a corte é muito restrita e não existe quase ninguém que seja criativo…

A não ser o Bobo-Queimado, não havia personalidade mais bela na arte de bajular, tipo de criatura que deixa ser enrabado só para ouvir um elogio de um superior, Alphonsus deitou-se. Estava sonhando acordado? Algo parecido com seu pai, estúpido, imundo quase vivo refletido no espelho, era o antigo rei em fragmentos e remontado. Parte da boca estava colada no pescoço, onde deveria ter nariz estava o dedo mindinho do pé esquerdo, as mãos saiam da outra metade da boca. Era um rei submorto excretando uma gosma pelo corpo. Alphonsus olhou maravilhado aquela forma progenitora, absorveu cada movimento, cada textura de cor daquele remendo, a delicadeza do azul proporcionou mal estar suave, o sonho refletido no espelho era uma nova sensação. Eternos segundos, queria emular o horror; brisa gelada no pescoço e pequenas lembranças, sorriu desafinado. Fome.

Pegou um pedaço de pão e mergulhou numa taça transbordante de vinho.

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Jean Souza
Felicilândia

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O quarto espaçoso iluminado com lâmpadas azuladas cheira a madeira e tapetes novos, quando sentou na cama sentia as escadas nas solas dos pés, os quadros passeavam na cabeça. O tempo está passando como veludo, aumentou a respiração querendo de alguma forma expressar a gratidão de poder fazer algo novo, o amor que sentia por Clementina não acabara, apenas precisa de novas modalidades de prazer. Seus joguinhos estavam enfadonhos a corte é muito restrita e não existe quase ninguém que seja criativo…

A não ser o Bobo-Queimado, não havia personalidade mais bela na arte de bajular, tipo de criatura que deixa ser enrabado só para ouvir um elogio de um superior, Alphonsus deitou-se. Estava sonhando acordado? Algo parecido com seu pai, estúpido, imundo quase vivo refletido no espelho, era o antigo rei em fragmentos e remontado. Parte da boca estava colada no pescoço, onde deveria ter nariz estava o dedo mindinho do pé esquerdo, as mãos saiam da outra metade da boca. Era um rei submorto excretando uma gosma pelo corpo. Alphonsus olhou maravilhado aquela forma progenitora, absorveu cada movimento, cada textura de cor daquele remendo, a delicadeza do azul proporcionou mal estar suave, o sonho refletido no espelho era uma nova sensação. Eternos segundos, queria emular o horror; brisa gelada no pescoço e pequenas lembranças, sorriu desafinado. Fome.

Pegou um pedaço de pão e mergulhou numa taça transbordante de vinho.

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