Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Prédios- Parte 3

 

Sem espaço para se mexerem, espremidos, suados e cheios de dor estão cegos à procura de espaço e comida; se armam. Paus, pedras e tubos de ferro enferrujados retirados das instalações. Pretendem ter ao menos um pedaço de esperança. Querem apenas continuar. Não há importância se querem essa existência nojenta, a força da vida jamais abandonará os seres vivos levando-os a extremos. Seres parasitas consomem qualquer coisa para prolongar o que era chamado de dádiva. Essa guerra é mais franca. Todos armados igualmente sem ideais e discursos, querem apenas ter espaço e matar a fome. Não existe aliados todos avançam. Ferem-se. Pauladas, sons de ferro amaçando cabeças, quebrando braços e pernas, olhos vazados, dentes caindo no lodo, mordidas em pescoços, bundas e costelas retalhos em gargantas, corpos e mais corpos boiando no lodo transbordando o lago gelatinoso e fazendo a alegria das moscas e vermes. Vômitos hemorrágicos, barrigas lascadas, puxões e intestinos a mostra. Alguns usados em pescoços para enforcar. Cabeças roxas sufocadas, sexos arrancados e comidos com voracidade, culhões mastigados e engolidos, jatos de sangue e esperma, falos lambidos e engolidos, bocetas mordidas, clitóris arrancados, seios despedaçados. Incontável número de corações destruídos. Gula merda e os vermes esperam pós-humanos reduzidos a retalhos monstruosos, pedradas desfigurando rostos, amaçando costelas, arrancando maxilares. Tubo de ferro deflorando, chegando até os intestinos, várias criaturas empaladas pelo cu, pedras enfiadas em bocetas uma, duas, três, quatro… dilacerando. Gemidos; gemidos, contorções e mais contorções. Depois desse carnaval os vencedores comem e bebem, observam uns aos outros, alguns mortos ainda se debatem, um sem parte das pernas anda com os tocos no chão a procura de comida, se esbarra na montanha de corpos e de lá não sai, come ate ser achado e devorado. Morre satisfeito. Alguns correm sem cabeça esguichando sangue, sendo usados como bebedouros. Enchem as barrigas até se sentirem empanzinados. Na gula vomitam o sangue e carne crua, mas não querem parar; continuam a alimentar-se a vontade. Alguns corpos sem vida se debatem encostados nas paredes ainda com o movimento de fuga, outros caem no lodo, se mexendo, fazendo bolhas e espumas; são devorados. O prédio está transbordando de ódio coagulado à gula, os vencedores barrigudos e preguiçosos arrotam alto, peidam, mijam e cagam em cima dos cadáveres, beijam-se mordendo os lábios, só não há outra batalha porque estão cansados demais, quando a barriga estiver vazia voltaram ao ciclo de dores desconhecidas. 

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Jean Souza
Prédios- Parte 3

 

Sem espaço para se mexerem, espremidos, suados e cheios de dor estão cegos à procura de espaço e comida; se armam. Paus, pedras e tubos de ferro enferrujados retirados das instalações. Pretendem ter ao menos um pedaço de esperança. Querem apenas continuar. Não há importância se querem essa existência nojenta, a força da vida jamais abandonará os seres vivos levando-os a extremos. Seres parasitas consomem qualquer coisa para prolongar o que era chamado de dádiva. Essa guerra é mais franca. Todos armados igualmente sem ideais e discursos, querem apenas ter espaço e matar a fome. Não existe aliados todos avançam. Ferem-se. Pauladas, sons de ferro amaçando cabeças, quebrando braços e pernas, olhos vazados, dentes caindo no lodo, mordidas em pescoços, bundas e costelas retalhos em gargantas, corpos e mais corpos boiando no lodo transbordando o lago gelatinoso e fazendo a alegria das moscas e vermes. Vômitos hemorrágicos, barrigas lascadas, puxões e intestinos a mostra. Alguns usados em pescoços para enforcar. Cabeças roxas sufocadas, sexos arrancados e comidos com voracidade, culhões mastigados e engolidos, jatos de sangue e esperma, falos lambidos e engolidos, bocetas mordidas, clitóris arrancados, seios despedaçados. Incontável número de corações destruídos. Gula merda e os vermes esperam pós-humanos reduzidos a retalhos monstruosos, pedradas desfigurando rostos, amaçando costelas, arrancando maxilares. Tubo de ferro deflorando, chegando até os intestinos, várias criaturas empaladas pelo cu, pedras enfiadas em bocetas uma, duas, três, quatro… dilacerando. Gemidos; gemidos, contorções e mais contorções. Depois desse carnaval os vencedores comem e bebem, observam uns aos outros, alguns mortos ainda se debatem, um sem parte das pernas anda com os tocos no chão a procura de comida, se esbarra na montanha de corpos e de lá não sai, come ate ser achado e devorado. Morre satisfeito. Alguns correm sem cabeça esguichando sangue, sendo usados como bebedouros. Enchem as barrigas até se sentirem empanzinados. Na gula vomitam o sangue e carne crua, mas não querem parar; continuam a alimentar-se a vontade. Alguns corpos sem vida se debatem encostados nas paredes ainda com o movimento de fuga, outros caem no lodo, se mexendo, fazendo bolhas e espumas; são devorados. O prédio está transbordando de ódio coagulado à gula, os vencedores barrigudos e preguiçosos arrotam alto, peidam, mijam e cagam em cima dos cadáveres, beijam-se mordendo os lábios, só não há outra batalha porque estão cansados demais, quando a barriga estiver vazia voltaram ao ciclo de dores desconhecidas. 

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