Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano é feminista, poeta, ativista cultural, letróloga, comendadora das artes literárias no Brasil pela Ordem Scriptorium e doutora honoris causa em Literatura pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos. 2ª Secretária da Academia Internacional Mulheres das Letras (AIML), membro associada à União Brasileira de Escritores (UBE); acadêmica imortal da Academia Independente de Letras (AIL); membro fundadora da Academia de Artes e Letras Internacional da Baixada Fluminense e Brasil (AALIBB); acadêmica nacional de grande honra da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (Febacla); membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB). Autora dos livros (In)sanidade Lírica (2020) e Desnudar do Eu (2021), prefaciadora, coautora em cerca de quarenta antologias e organizadora de nove projetos antológicos. É amante das artes e, tratando-se de literatura, tem como inspiração Hilda Hilst, Clarice Lispector e Edgar Allan Poe. Faz parte dos coletivos "Corvo Literário" e "Maldohorror". Personalidade Cultural do Ano, foi selecionada no Prêmio Internacional Mulheres das Letras (2020 e 2021), no Grande Prêmio Internacional de Literatura Machado de Assis, no 4º Concurso de Poesias - Prêmio Cecília Meireles, no Prêmio Alma de Poeta e no Prêmio e Exposição Sou Mulher Poesia. Atualmente, reside em Campo Alegre, Alagoas.







A Voz

Sem demora, o enfermeiro remove os meus trapos e me empurra contra a parede, levanta bem a minha perna direita enquanto a esquerda me sustenta no chão, e me penetra furiosamente, aquilo foi maravilhoso! Eu arranho as suas costas, mordo o seu pescoço e impulsiono a minha pélvis contra o seu membro, ele grunhe de prazer. Antes de chegarmos ao ápice, me esquivo um pouco para o lado e pesco a bandeja sobre a minha cama. Sem ele ao menos ter noção do que eu estou prestes a fazer, miro a jugular dele com a ponta mais afiada que eu vislumbro no momento da ação e uso toda a minha força para causar bastante danos àquele pervertido. Eu observo o sangue jorrar do ferimento com lágrimas nos olhos, uma parte de mim pensa: que desperdício!
A minha vítima havia deixado a cela destrancada, eu bato em retirada para a saída, por quanto tempo eu anseio por essa oportunidade?! Hoje faz quatro anos que eu me encontro em uma relação fechada com a clínica… Que se dane o seu maldito nome! Eu acho importante relatar que eu extraí um fio de cabelo do meu couro cabeludo dia após dia como uma forma de contabilizar a duração do meu sofrimento. Enquanto eu divago, a voz me guia para a salvação. Parece que as demais pessoas não conseguem me enxergar, isso fere o meu ego, mas se tudo ocorrer de acordo com o planejado, logo eu me vingarei de todos. Eu porei a minha prisão a baixo logo, logo. Gargalho insanamente enquanto escalo os grandes portões que privam a minha pessoa do mundo.
Estando em liberdade, primordialmente, pego um vestido emprestado no varal do casebre mais próximo, depois rumo para a casa do meu papai e da minha mamãe do coração, quanta saudade eu sinto deles! Eu demoro umas poucas horas para chegar ao meu destino, é muito difícil conseguir carona nos dias atuais, ai de mim! Chegando ao meu antigo lar, avisto um empregado que possivelmente me reconhece, pois corre doidamente para longe de mim. Foi se esconder ou informar a minha chegada aos meus genitores, isso me dá uma baita vontade de matá-lo. Sem perder tempo, subo pelas escadas correndo e adentro o interior da casa. Parece que os donos não temem ser assaltados, pois a porta está apenas encostada. Eu caminho pomposamente por alguns instantes, daí a voz me lembra de que eu estou desarmada. Corro para a cozinha e tomo posse da maior faca que eu encontro, até a amolo um pouco nos ossos do gatinho de estimação da senhora Andrade, ele nem teve tempo de proferir o seu último miau, que dó!
Eu sigo para o quarto dos poderosos chefões, abro a porta com um pontapé horrorshow e encontro a leitoa bem esparramada na cama, ela não costumava dormir até tarde, isso é, no mínimo, incomum. De repente, sinto uma forte pancada em minha cabeça, o meu corpo é arremessado ao chão com o impacto.

─ Você pensou que iria nos matar, demônio?! ─ pergunta o demente de um jeito vitorioso, mesmo sentindo dor, ergo o meu braço e mostro o dedo do meio para ele.
─ Vai à merda, infeliz! ─ praguejo.
─ Eu silenciarei os seus impropérios para todo o sem…

Cansada de ouvi-lo cantar vitória, me sento e pego a faca que havia caído ao lado do meu corpo. O velhote vem em minha direção como se estivesse endemoniado, eu lanço a grande faca em seu coração. Eu sempre fui ótima em arremesso ao alvo. A mamãe berra na cama feito um cordeiro prestes a ser sacrificado. Lembro que eu havia a nomeado de leitoa, por que ela não se porta como uma?! Removo a faca do corpo que jaz no chão, me despedindo afetuosamente com um “que o diabo te carregue” e rumo ao último assassínio. A retardada nem se defende, grita uma única vez enquanto eu a esfaqueio por incontáveis vezes. Eu paro somente após sentir um leve cansaço em meu braço. Cuspo nos restos mortais dela e saio porta afora cantarolando Highway to Hell, lambendo as mãos revestidas do sangue dos cadáveres deixados para trás. Vida nova, mortes novas.

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Sem demora, o enfermeiro remove os meus trapos e me empurra contra a parede, levanta bem a minha perna direita enquanto a esquerda me sustenta no chão, e me penetra furiosamente, aquilo foi maravilhoso! Eu arranho as suas costas, mordo o seu pescoço e impulsiono a minha pélvis contra o seu membro, ele grunhe de prazer. Antes de chegarmos ao ápice, me esquivo um pouco para o lado e pesco a bandeja sobre a minha cama. Sem ele ao menos ter noção do que eu estou prestes a fazer, miro a jugular dele com a ponta mais afiada que eu vislumbro no momento da ação e uso toda a minha força para causar bastante danos àquele pervertido. Eu observo o sangue jorrar do ferimento com lágrimas nos olhos, uma parte de mim pensa: que desperdício!
A minha vítima havia deixado a cela destrancada, eu bato em retirada para a saída, por quanto tempo eu anseio por essa oportunidade?! Hoje faz quatro anos que eu me encontro em uma relação fechada com a clínica… Que se dane o seu maldito nome! Eu acho importante relatar que eu extraí um fio de cabelo do meu couro cabeludo dia após dia como uma forma de contabilizar a duração do meu sofrimento. Enquanto eu divago, a voz me guia para a salvação. Parece que as demais pessoas não conseguem me enxergar, isso fere o meu ego, mas se tudo ocorrer de acordo com o planejado, logo eu me vingarei de todos. Eu porei a minha prisão a baixo logo, logo. Gargalho insanamente enquanto escalo os grandes portões que privam a minha pessoa do mundo.
Estando em liberdade, primordialmente, pego um vestido emprestado no varal do casebre mais próximo, depois rumo para a casa do meu papai e da minha mamãe do coração, quanta saudade eu sinto deles! Eu demoro umas poucas horas para chegar ao meu destino, é muito difícil conseguir carona nos dias atuais, ai de mim! Chegando ao meu antigo lar, avisto um empregado que possivelmente me reconhece, pois corre doidamente para longe de mim. Foi se esconder ou informar a minha chegada aos meus genitores, isso me dá uma baita vontade de matá-lo. Sem perder tempo, subo pelas escadas correndo e adentro o interior da casa. Parece que os donos não temem ser assaltados, pois a porta está apenas encostada. Eu caminho pomposamente por alguns instantes, daí a voz me lembra de que eu estou desarmada. Corro para a cozinha e tomo posse da maior faca que eu encontro, até a amolo um pouco nos ossos do gatinho de estimação da senhora Andrade, ele nem teve tempo de proferir o seu último miau, que dó!
Eu sigo para o quarto dos poderosos chefões, abro a porta com um pontapé horrorshow e encontro a leitoa bem esparramada na cama, ela não costumava dormir até tarde, isso é, no mínimo, incomum. De repente, sinto uma forte pancada em minha cabeça, o meu corpo é arremessado ao chão com o impacto.

─ Você pensou que iria nos matar, demônio?! ─ pergunta o demente de um jeito vitorioso, mesmo sentindo dor, ergo o meu braço e mostro o dedo do meio para ele.
─ Vai à merda, infeliz! ─ praguejo.
─ Eu silenciarei os seus impropérios para todo o sem…

Cansada de ouvi-lo cantar vitória, me sento e pego a faca que havia caído ao lado do meu corpo. O velhote vem em minha direção como se estivesse endemoniado, eu lanço a grande faca em seu coração. Eu sempre fui ótima em arremesso ao alvo. A mamãe berra na cama feito um cordeiro prestes a ser sacrificado. Lembro que eu havia a nomeado de leitoa, por que ela não se porta como uma?! Removo a faca do corpo que jaz no chão, me despedindo afetuosamente com um “que o diabo te carregue” e rumo ao último assassínio. A retardada nem se defende, grita uma única vez enquanto eu a esfaqueio por incontáveis vezes. Eu paro somente após sentir um leve cansaço em meu braço. Cuspo nos restos mortais dela e saio porta afora cantarolando Highway to Hell, lambendo as mãos revestidas do sangue dos cadáveres deixados para trás. Vida nova, mortes novas.

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