Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano é feminista, poeta, ativista cultural, letróloga, comendadora das artes literárias no Brasil pela Ordem Scriptorium e doutora honoris causa em Literatura pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos. 2ª Secretária da Academia Internacional Mulheres das Letras (AIML), membro associada à União Brasileira de Escritores (UBE); acadêmica imortal da Academia Independente de Letras (AIL); membro fundadora da Academia de Artes e Letras Internacional da Baixada Fluminense e Brasil (AALIBB); acadêmica nacional de grande honra da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (Febacla); membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB). Autora dos livros (In)sanidade Lírica (2020) e Desnudar do Eu (2021), prefaciadora, coautora em cerca de quarenta antologias e organizadora de nove projetos antológicos. É amante das artes e, tratando-se de literatura, tem como inspiração Hilda Hilst, Clarice Lispector e Edgar Allan Poe. Faz parte dos coletivos "Corvo Literário" e "Maldohorror". Personalidade Cultural do Ano, foi selecionada no Prêmio Internacional Mulheres das Letras (2020 e 2021), no Grande Prêmio Internacional de Literatura Machado de Assis, no 4º Concurso de Poesias - Prêmio Cecília Meireles, no Prêmio Alma de Poeta e no Prêmio e Exposição Sou Mulher Poesia. Atualmente, reside em Campo Alegre, Alagoas.







Finou-se

Partiu prematuramente a mulher que gestou grandes quimeras. Doou-se tanto às causas alheias que percebeu tarde demais o padecimento de si mesma. Não soube determinar o porquê do desamor. No entanto, ao fecundar a memória e relembrar de outrora, concluiu sem demora que não merecia demasiado descaso. Logo ela, a que se fazia útil por gosto, por renegar ser desgosto na vida de outrem! Não esperava muito da vida, apenas ansiava por ser respeitada e, consequentemente, valorizada. O autoamor não lhe faltava, entretanto, havia sido ensinada pelos dissabores em sua estrada que boas pessoas eram, por vezes, menosprezadas. Por ser deveras humana, definhou. A sua sensibilidade aflorada, a tragou; esquecendo, assim, de ser sensata ao inferir que o seu destino era caminhar desarraigada. Finou-se, pois, a mórbida liquidez do presente tornou enferma a sua mente.

 

 

Partiu prematuramente a mulher que gestou grandes quimeras. Doou-se tanto às causas alheias que percebeu tarde demais o padecimento de si mesma. Não soube determinar o porquê do desamor. No entanto, ao fecundar a memória e relembrar de outrora, concluiu sem demora que não merecia demasiado descaso. Logo ela, a que se fazia útil por gosto, por renegar ser desgosto na vida de outrem! Não esperava muito da vida, apenas ansiava por ser respeitada e, consequentemente, valorizada. O autoamor não lhe faltava, entretanto, havia sido ensinada pelos dissabores em sua estrada que boas pessoas eram, por vezes, menosprezadas. Por ser deveras humana, definhou. A sua sensibilidade aflorada, a tragou; esquecendo, assim, de ser sensata ao inferir que o seu destino era caminhar desarraigada. Finou-se, pois, a mórbida liquidez do presente tornou enferma a sua mente.