Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Cinefilia

Aqui nós não temos o engodo de Ruggero Deodato em holocausto canibal. O filme não tenta resgatar a tradição da imitação que toma conta do cinema de horror contemporâneo. Segalla usa a lente para captar a verdade objetiva do mundo.

Aqui as vísceras são reais.

A senhora atada pelas cordas é interpretada por nada mais nada menos que Tereza de Jesus. Ela é uma estreante de fora do mundo cinematográfico. Segalla sempre se mostrou um diretor difícil de trabalhar e seus atores já passaram por sérios entreveros com ele no passado, então acho que foi uma decisão acertada escolher uma pessoa de fora da indústria. Tereza parece ter alcançado o ápice de seu poder dramático nas cenas primorosas de “Até os ossos”. Jamais tinha visto um desempenho tão bárbaro! Seus gritos eram intercalados por uma respiração entrecortada que, confesso, chegou a me causar ereções plenas durante a exibição. A respiração anasalada e o resfolegar que precedeu o clímax da obra chegaram a me emocionar profundamente. Segalla alcança o belo e o feio; o grotesco e o sublime, numa execução brilhante que nos revela a essência da arte e seu modo particular de dirigir filmes.

Minha preocupação inicial quando soube do filme era menos a forma com que a personagem seria torturada e morta e mais a capacidade prática dos participantes de conduzir as cenas. Afinal de contas esse tipo de filme não permite erros. Nunca é possível realizar uma segunda filmagem. Confesso que não esperava que os atores (incluindo Segalla) seriam capazes de realizar a tortura eficientemente, mas fui surpreendido pela realização perfeita do espetáculo Snuff.

As ferramentas utilizadas pelos dois protagonistas para desmembrá-la me pareceram inadequadas, mas isso não chega a ser um defeito. Martelos de carne, serras industriais, picadores de gelo elétricos e pistolas de pregos já são itens utilizados à exaustão em filmes do gênero, porém, garanto que a precisão cirúrgica, a habilidade ao manusear os equipamentos e o timing para utilizar cada artifício sádico foram de uma execução e sensibilidade explêndidas. Poderíamos comparar esse filme a clássicos belíssimos do Snuff como 3 guys 1 hammer ou 1 lunatic 1 ice pick, mas acho, sinceramente, que não há comparação possível.
Garanto que o filme irá te fazer refletir, chorar e rir em alguns momentos. Eu mesmo me peguei dando gargalhadas quando Tereza (partida ao meio) expeliu fezes no rosto de Segalla. O longa ainda conta com algumas cenas extras onde conhecemos Linda, a filha mais nova de Tereza. Acho que vamos ter a parte dois em breve.

“Até os ossos” é uma ótima pedida para quem está procurando um filme com grande sensibilidade artística. Recomendo para todos os cinéfilos de plantão.

 

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Jorge Machado
Cinefilia

Aqui nós não temos o engodo de Ruggero Deodato em holocausto canibal. O filme não tenta resgatar a tradição da imitação que toma conta do cinema de horror contemporâneo. Segalla usa a lente para captar a verdade objetiva do mundo.

Aqui as vísceras são reais.

A senhora atada pelas cordas é interpretada por nada mais nada menos que Tereza de Jesus. Ela é uma estreante de fora do mundo cinematográfico. Segalla sempre se mostrou um diretor difícil de trabalhar e seus atores já passaram por sérios entreveros com ele no passado, então acho que foi uma decisão acertada escolher uma pessoa de fora da indústria. Tereza parece ter alcançado o ápice de seu poder dramático nas cenas primorosas de “Até os ossos”. Jamais tinha visto um desempenho tão bárbaro! Seus gritos eram intercalados por uma respiração entrecortada que, confesso, chegou a me causar ereções plenas durante a exibição. A respiração anasalada e o resfolegar que precedeu o clímax da obra chegaram a me emocionar profundamente. Segalla alcança o belo e o feio; o grotesco e o sublime, numa execução brilhante que nos revela a essência da arte e seu modo particular de dirigir filmes.

Minha preocupação inicial quando soube do filme era menos a forma com que a personagem seria torturada e morta e mais a capacidade prática dos participantes de conduzir as cenas. Afinal de contas esse tipo de filme não permite erros. Nunca é possível realizar uma segunda filmagem. Confesso que não esperava que os atores (incluindo Segalla) seriam capazes de realizar a tortura eficientemente, mas fui surpreendido pela realização perfeita do espetáculo Snuff.

As ferramentas utilizadas pelos dois protagonistas para desmembrá-la me pareceram inadequadas, mas isso não chega a ser um defeito. Martelos de carne, serras industriais, picadores de gelo elétricos e pistolas de pregos já são itens utilizados à exaustão em filmes do gênero, porém, garanto que a precisão cirúrgica, a habilidade ao manusear os equipamentos e o timing para utilizar cada artifício sádico foram de uma execução e sensibilidade explêndidas. Poderíamos comparar esse filme a clássicos belíssimos do Snuff como 3 guys 1 hammer ou 1 lunatic 1 ice pick, mas acho, sinceramente, que não há comparação possível.
Garanto que o filme irá te fazer refletir, chorar e rir em alguns momentos. Eu mesmo me peguei dando gargalhadas quando Tereza (partida ao meio) expeliu fezes no rosto de Segalla. O longa ainda conta com algumas cenas extras onde conhecemos Linda, a filha mais nova de Tereza. Acho que vamos ter a parte dois em breve.

“Até os ossos” é uma ótima pedida para quem está procurando um filme com grande sensibilidade artística. Recomendo para todos os cinéfilos de plantão.

 

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