Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





O último verso do poeta

[NÃO… DROGADROGADROGA!!!]

O que estava pensando? Não conseguia raciocinar. O ar lhe faltava. A bile retornava na garganta e descia de novo deixando o gosto amargo na boca. O poema. Precisava terminar o poema. Qual era o vocábulo que lhe faltava? O ultimo e derradeiro verso? Este não podia ser escrito em nenhuma palavra nem em português, grego ou latim. Nem mesmo em alemão. Tinha que ser escrito com sangue e sacrifício. O verso mais lírico que jamais sonhara. O vislumbre da perfeição que ofuscaria até mesmo a Deus. Sorrindo, Flavio subiu no parapeito da varanda do apartamento e olhou para baixo. Escreveria ali no asfalto. O impulso do salto fez o corpo congelar, mas a queda foi breve e misericordiosa. A morte foi instantânea. A carne explodiu como um saco de arroz que se espatifa no chão. Os ossos saíram do corpo numa procissão malévola. O sangue esguichou nas paredes e carros próximos. Mais tarde os homens da prefeitura tiveram que juntar os restos com uma pá e desgrudar os pedacinhos de carne da fachada do edifício com uma mangueira hidráulica de bombeiro. Ninguém mais pôde ler o verso depois disso.

 

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Jorge Machado
O último verso do poeta

[NÃO… DROGADROGADROGA!!!]

O que estava pensando? Não conseguia raciocinar. O ar lhe faltava. A bile retornava na garganta e descia de novo deixando o gosto amargo na boca. O poema. Precisava terminar o poema. Qual era o vocábulo que lhe faltava? O ultimo e derradeiro verso? Este não podia ser escrito em nenhuma palavra nem em português, grego ou latim. Nem mesmo em alemão. Tinha que ser escrito com sangue e sacrifício. O verso mais lírico que jamais sonhara. O vislumbre da perfeição que ofuscaria até mesmo a Deus. Sorrindo, Flavio subiu no parapeito da varanda do apartamento e olhou para baixo. Escreveria ali no asfalto. O impulso do salto fez o corpo congelar, mas a queda foi breve e misericordiosa. A morte foi instantânea. A carne explodiu como um saco de arroz que se espatifa no chão. Os ossos saíram do corpo numa procissão malévola. O sangue esguichou nas paredes e carros próximos. Mais tarde os homens da prefeitura tiveram que juntar os restos com uma pá e desgrudar os pedacinhos de carne da fachada do edifício com uma mangueira hidráulica de bombeiro. Ninguém mais pôde ler o verso depois disso.

 

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