Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Juliety Alves
Eu, Juliety Alves, 31 anos no exato momento em que ingresso nesses confins. Apaixonada por cinema, literatura e estudante de psicologia, desprovida de crenças e causos, apenas alguém que tem que ver para crer.







Que dia é Hoje

 

Ficar enclausurada na própria casa durante tanto tempo acaba despertando algumas
curiosidades do mundo lá fora. E não, não estou falando sobre o que está acontecendo na
superfície, e sim sobre coisas que se desvelam apenas para poucos… Apenas para aqueles
que têm esse súbito interesse por tudo que não é falado. Meu único meio de contato
externo hoje em dia é pela internet e foi em um desses fóruns de discussão sobre eventos
paranormais, UFO e outros assuntos considerados bizarros, que soube da existência de um
desafio que estava rolando entre os membros, o desafio foi intitulado de “Que dia é hoje?”.
Existia muita curiosidade acerca do que realmente acontecia, pois era muito raro alguém
contar sobre a própria experiência. O desafio consistia em restabelecer a consciência
enquanto sonhando e perguntar para qualquer pessoa presente em seu sonho “que dia é
hoje?”, pois ao fazer essa pergunta o sonho seria bruscamente interrompido. Meu ceticismo
me fez duvidar, primeiro, se de fato aconteceria algo estranho e segundo se era possível
retomar a consciência dentro do sonho…
Acabei lendo todos os comentários respostas a postagem inicial e vi que muitos ali
pensavam semelhante, mas estavam curiosos e animados para tentar… Eu estava
intrigada, queria muito que fosse verdade, na hora que deitei na cama fiquei falando em
pensamento até adormecer, lembra de perguntar, lembra de perguntar…lembra…
Na manhã seguinte, ao abrir os olhos, a primeira coisa que salta na minha mente é
questionar se havia dado certo, se eu sonhei e se sonhei, será que eu me recordaria? Eu
não me lembrava de nada, provavelmente não havia conseguido. Acabei não pensando
muito nisso durante o dia e decidi entrar no fórum à noite para checar se tinha novidades
sobre. Um post marcado como favorito continha o relato de um membro que conseguiu a
façanha, começo a ler com certa descrença, ele dizia que em seu sonho estava andando
numa rua movimentada e abordou uma mulher e a perguntou “Que dia é hoje?” a mulher
olhou com pavor para ele e então imediatamente ele apagou, mas com os olhos ainda
fechados ele via uma tela preta com a frase “ SEM SINAL”, era como se as próprias
pálpebras fossem as telas, e em cada uma a frase “SEM SINAL” ficava passando de um
lado para o outro. Ele finaliza dizendo que teve que fazer uma força incomum para
conseguir abrir os olhos e por ter sido uma péssima experiência ele não tentaria novamente.
Era um alerta, mas novamente, meu ceticismo me deixava incrédula, porém esse relato
aflorou ainda mais minha curiosidade.
Era hora de dormir, me preparo e sigo me avisando para lembrar de perguntar… A falta de
crenças pode ser prejudicial, o não acreditar nos leva a acreditar que somos fortes, mas não
é bem assim.
Adormeço e me lembro de estar andando num lugar bem iluminado, com colunas altas e
bonitas, talvez fosse um shopping ou uma galeria, havia pessoas andando despreocupadas,
todos vestiam roupas claras, esvoaçantes, alta-costura. Continuo caminhando,
inconscientemente eu sabia onde eu estava, quem eu era e o que estava fazendo, mas
consciente, era como se eu fosse apenas os meus olhos naquela pessoa que era eu
mesma, mas com olhos conscientes, é difícil explicar… De alguma maneira eu estabeleço
contato comigo mesmo e me lembro que tenho que perguntar para alguém, qualquer um
que cruzasse comigo, vejo uma mulher com duas crianças e me aproximo, então finalmente
pergunto:

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Juliety Alves
Que dia é Hoje

 

Ficar enclausurada na própria casa durante tanto tempo acaba despertando algumas
curiosidades do mundo lá fora. E não, não estou falando sobre o que está acontecendo na
superfície, e sim sobre coisas que se desvelam apenas para poucos… Apenas para aqueles
que têm esse súbito interesse por tudo que não é falado. Meu único meio de contato
externo hoje em dia é pela internet e foi em um desses fóruns de discussão sobre eventos
paranormais, UFO e outros assuntos considerados bizarros, que soube da existência de um
desafio que estava rolando entre os membros, o desafio foi intitulado de “Que dia é hoje?”.
Existia muita curiosidade acerca do que realmente acontecia, pois era muito raro alguém
contar sobre a própria experiência. O desafio consistia em restabelecer a consciência
enquanto sonhando e perguntar para qualquer pessoa presente em seu sonho “que dia é
hoje?”, pois ao fazer essa pergunta o sonho seria bruscamente interrompido. Meu ceticismo
me fez duvidar, primeiro, se de fato aconteceria algo estranho e segundo se era possível
retomar a consciência dentro do sonho…
Acabei lendo todos os comentários respostas a postagem inicial e vi que muitos ali
pensavam semelhante, mas estavam curiosos e animados para tentar… Eu estava
intrigada, queria muito que fosse verdade, na hora que deitei na cama fiquei falando em
pensamento até adormecer, lembra de perguntar, lembra de perguntar…lembra…
Na manhã seguinte, ao abrir os olhos, a primeira coisa que salta na minha mente é
questionar se havia dado certo, se eu sonhei e se sonhei, será que eu me recordaria? Eu
não me lembrava de nada, provavelmente não havia conseguido. Acabei não pensando
muito nisso durante o dia e decidi entrar no fórum à noite para checar se tinha novidades
sobre. Um post marcado como favorito continha o relato de um membro que conseguiu a
façanha, começo a ler com certa descrença, ele dizia que em seu sonho estava andando
numa rua movimentada e abordou uma mulher e a perguntou “Que dia é hoje?” a mulher
olhou com pavor para ele e então imediatamente ele apagou, mas com os olhos ainda
fechados ele via uma tela preta com a frase “ SEM SINAL”, era como se as próprias
pálpebras fossem as telas, e em cada uma a frase “SEM SINAL” ficava passando de um
lado para o outro. Ele finaliza dizendo que teve que fazer uma força incomum para
conseguir abrir os olhos e por ter sido uma péssima experiência ele não tentaria novamente.
Era um alerta, mas novamente, meu ceticismo me deixava incrédula, porém esse relato
aflorou ainda mais minha curiosidade.
Era hora de dormir, me preparo e sigo me avisando para lembrar de perguntar… A falta de
crenças pode ser prejudicial, o não acreditar nos leva a acreditar que somos fortes, mas não
é bem assim.
Adormeço e me lembro de estar andando num lugar bem iluminado, com colunas altas e
bonitas, talvez fosse um shopping ou uma galeria, havia pessoas andando despreocupadas,
todos vestiam roupas claras, esvoaçantes, alta-costura. Continuo caminhando,
inconscientemente eu sabia onde eu estava, quem eu era e o que estava fazendo, mas
consciente, era como se eu fosse apenas os meus olhos naquela pessoa que era eu
mesma, mas com olhos conscientes, é difícil explicar… De alguma maneira eu estabeleço
contato comigo mesmo e me lembro que tenho que perguntar para alguém, qualquer um
que cruzasse comigo, vejo uma mulher com duas crianças e me aproximo, então finalmente
pergunto:

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