Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Lucas Vitoriano
Lucas Vitoriano é formado em História pela Universidade Federal do Ceará e possui especialização em Docência no Ensino Superior. Já teve vários contos selecionados para diversas antologias e possui romances escritos, porém ainda em processo de publicação. Amante de mitologia grega, fantasia e terror, a escrita é uma constante em sua vida. Está sempre revisando um romance enquanto já escreve o próximo.







A caçada

— Mais um stalcaire? Já estou cansada de matar eles. Queria algo mais desafiador.

— Não diga besteiras — rebateu Ortie irritado — não caçamos por diversão, mas sim por sobrevivência. Agradeça que seja um stalcaire, que sabemos como lidar. E se fossem fadas? Ou obscurus? Nós nem sequer podemos nos alimentar de obscurus!

Susy resmungou algo para si mesma, mas não deu prosseguimento a discussão. Para ela, as caçadas eram sim diversão, sempre foram. Toda vez que deixava as colônias para ir atrás de alguma criatura, seu humor melhorava. Não gostava das colônias, eram tediosas e sem graça. Além do mais, todos que não eram caçadores ou a olhavam com inveja ou com raiva. Susy não tinha o menor apreço por aquele bando de desnutridos. Por ela, se todos morressem as colônias ficariam bem melhores. Só eram bocas a mais para se alimentar e nem conseguiam fazer isso sozinhas, precisavam que ela ou outro caçador fosse atrás de alimento por eles.

— Hoje vamos jantar carne de stalcaire — anunciou Ortie satisfeito — a coxa, claro, vai ficar comigo.

— Ele tem quatro coxas, vai ficar com todas elas? — perguntou sarcástica.

Ortie deu uma boa gargalhada e, em seguida, encolheu os ombros, deixando claro que não reclamaria se tivesse que comer todas elas. Susy apenas revirou os olhos e não disse mais nada.

Os dois seguiram os rastros do animal. Stalcaires poderiam ser perigosos e letais, mas eram previsíveis também e isso dava uma vantagem aos caçadores. Em termos de força, velocidade e resistência, o animal em muito os superava, mas eles eram inteligentes e trabalhavam em dupla, isso bastaria para que o superassem.

Enquanto Ortie seguia, sempre olhando para o chão, observando os rastros, Susy mantinha sempre uma flecha preparada caso alguma coisa os atacasse. Em determinado momento, após estarem seguindo a trilha do stalcaire a uns vinte ou trinta minutos, Ortie parou e, olhando para o céu, perguntou:

— Como acha que era antes? Quando tinha luz?

— Hm? Por que essa pergunta agora? — estava preparada para ser ataca por qualquer fera, mas não para ser indagada sobre aquilo.

— Nada em especial, mas eu sempre fico pensando nisso sabe? — voltara a andar, mas agora em ritmo mais lento. Susy o seguia, não muito animada com o rumo da conversa — me pergunto como devia ser, com aquela bola de luz pairando sobre nós. Será que era muito quente? Eu adoraria não ter que acender uma fogueira para me aquecer.

Já perdendo a paciência com aquela conversa repentina, Susy respondeu, sem se preocupar em ser ríspida.

— Não adianta pensar nesse tipo de coisa. Sinceramente, nós nem sabemos se um tempo assim existiu. Pode ter sido só uma invenção que passaram de geração em geração. Confie apenas no que seus olhos podem ver e pare de se distrair com fantasias. E, falando no que seus olhos veem, siga a trilha. Caçar o stalcaire é nosso foco agora. Eu queria uma caçada mais interessante, mas até enfrentar um deles é mais interessante do que te ouvir divagar sobre essas bobagens.

Suspirando, Ortie deixou o assunto de lado. Devia ter previsto uma reação assim vindo da amiga. Susy sempre fora uma pessoa que só pensava em caçar. Todo o resto lhe era desinteressante. Concentrou-se na trilha de rastros e não demorou para que os dois vissem o stalcaire parado muitos metros a frente.

Ele era muito magro, com pernas finas e garras protuberantes. A pele era negra muito dura, mas isso não a impedia de ser perfurada por lanças ou flechas. Os olhos, grandes e amarelos, fitaram a dupla de caçadores com um desejo assassino, ele fungou o ar duas vezes, saboreando o odor dos humanos. Saliva escorria de sua boca, a criatura estava faminta, Ortie estipulou que quase tanto os aldeões da colônia. Um grunhido assustador soou dos lábios do stalcaire e, um segundo depois, a criatura partiu para o ataque.

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Lucas Vitoriano
A caçada

— Mais um stalcaire? Já estou cansada de matar eles. Queria algo mais desafiador.

— Não diga besteiras — rebateu Ortie irritado — não caçamos por diversão, mas sim por sobrevivência. Agradeça que seja um stalcaire, que sabemos como lidar. E se fossem fadas? Ou obscurus? Nós nem sequer podemos nos alimentar de obscurus!

Susy resmungou algo para si mesma, mas não deu prosseguimento a discussão. Para ela, as caçadas eram sim diversão, sempre foram. Toda vez que deixava as colônias para ir atrás de alguma criatura, seu humor melhorava. Não gostava das colônias, eram tediosas e sem graça. Além do mais, todos que não eram caçadores ou a olhavam com inveja ou com raiva. Susy não tinha o menor apreço por aquele bando de desnutridos. Por ela, se todos morressem as colônias ficariam bem melhores. Só eram bocas a mais para se alimentar e nem conseguiam fazer isso sozinhas, precisavam que ela ou outro caçador fosse atrás de alimento por eles.

— Hoje vamos jantar carne de stalcaire — anunciou Ortie satisfeito — a coxa, claro, vai ficar comigo.

— Ele tem quatro coxas, vai ficar com todas elas? — perguntou sarcástica.

Ortie deu uma boa gargalhada e, em seguida, encolheu os ombros, deixando claro que não reclamaria se tivesse que comer todas elas. Susy apenas revirou os olhos e não disse mais nada.

Os dois seguiram os rastros do animal. Stalcaires poderiam ser perigosos e letais, mas eram previsíveis também e isso dava uma vantagem aos caçadores. Em termos de força, velocidade e resistência, o animal em muito os superava, mas eles eram inteligentes e trabalhavam em dupla, isso bastaria para que o superassem.

Enquanto Ortie seguia, sempre olhando para o chão, observando os rastros, Susy mantinha sempre uma flecha preparada caso alguma coisa os atacasse. Em determinado momento, após estarem seguindo a trilha do stalcaire a uns vinte ou trinta minutos, Ortie parou e, olhando para o céu, perguntou:

— Como acha que era antes? Quando tinha luz?

— Hm? Por que essa pergunta agora? — estava preparada para ser ataca por qualquer fera, mas não para ser indagada sobre aquilo.

— Nada em especial, mas eu sempre fico pensando nisso sabe? — voltara a andar, mas agora em ritmo mais lento. Susy o seguia, não muito animada com o rumo da conversa — me pergunto como devia ser, com aquela bola de luz pairando sobre nós. Será que era muito quente? Eu adoraria não ter que acender uma fogueira para me aquecer.

Já perdendo a paciência com aquela conversa repentina, Susy respondeu, sem se preocupar em ser ríspida.

— Não adianta pensar nesse tipo de coisa. Sinceramente, nós nem sabemos se um tempo assim existiu. Pode ter sido só uma invenção que passaram de geração em geração. Confie apenas no que seus olhos podem ver e pare de se distrair com fantasias. E, falando no que seus olhos veem, siga a trilha. Caçar o stalcaire é nosso foco agora. Eu queria uma caçada mais interessante, mas até enfrentar um deles é mais interessante do que te ouvir divagar sobre essas bobagens.

Suspirando, Ortie deixou o assunto de lado. Devia ter previsto uma reação assim vindo da amiga. Susy sempre fora uma pessoa que só pensava em caçar. Todo o resto lhe era desinteressante. Concentrou-se na trilha de rastros e não demorou para que os dois vissem o stalcaire parado muitos metros a frente.

Ele era muito magro, com pernas finas e garras protuberantes. A pele era negra muito dura, mas isso não a impedia de ser perfurada por lanças ou flechas. Os olhos, grandes e amarelos, fitaram a dupla de caçadores com um desejo assassino, ele fungou o ar duas vezes, saboreando o odor dos humanos. Saliva escorria de sua boca, a criatura estava faminta, Ortie estipulou que quase tanto os aldeões da colônia. Um grunhido assustador soou dos lábios do stalcaire e, um segundo depois, a criatura partiu para o ataque.

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