Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Lucas Vitoriano
Lucas Vitoriano é formado em História pela Universidade Federal do Ceará e possui especialização em Docência no Ensino Superior. Já teve vários contos selecionados para diversas antologias e possui romances escritos, porém ainda em processo de publicação. Amante de mitologia grega, fantasia e terror, a escrita é uma constante em sua vida. Está sempre revisando um romance enquanto já escreve o próximo.







A Coisa que Espreita

Paulo nunca fora uma pessoa supersticiosa ou que acreditava em qualquer coisa que não pudesse ser explicada pela razão. Na verdade orgulhara-se muito de não agir assim. Entretanto, havia semanas que alguém, ou alguma coisa, parecia estar querendo por isso a prova.

 Faziam dias que ele sentia que algo o espreitava, uma presença densa, monstruosa, uma espécie de pesadelo errante. Ele não sabia como sabia disso, mas era como se uma voz em sua mente o alertasse de um perigo eminente, implorando-lhe para ser cauteloso. Claro que, no começo, ele ignorou tais bobagens, mas as sensações foram ficando cada vez mais e mais fortes, como se a tal coisa estivesse a aproximar-se.

 Ele nunca a via, entretanto, quando estava sozinho, a senti observando-o, como se aquela criatura sem nome e sem rosto estivesse a apenas um metro de distância. Isso o deixava inquieto, nervoso. Os seus amigos e colegas de trabalho perceberam a mudança e tentaram ajudar-lhe, mas Paulo, por mais que se sentisse grato pelo apoio de todos, não podia explicar da causa de sua angustia e então desconversava, alegando sempre tratar-se de problemas pessoais que o estavam afetando.

 Mas as sensações permaneciam. Ele sempre sentia alguma coisa a observar-lhe. De inicio, isso acontecia quando estava sozinho, mas aquela criatura que o espreitava, fosse o que fosse, tornara-se mais obsessiva e começou a segui-lo por toda parte. Fosse em um cinema, restaurante ou no trabalho, Paulo sempre sentia-se observado. Era como se essa criatura tivesse se tornado sua sombra, acompanhando-o por toda parte.

 O mais angustiante era que ele nunca a via, apenas a sentia, sempre espreitando de algum ponto cego, mas mesmo assim muito próximo. Isso o fazia lembrar aqueles desenhos animados, aonde um personagem se escondia atrás do outro e sempre se movia quando este virava-se. Nos desenhos, era engraçado, mas na vida real não.

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Lucas Vitoriano
A Coisa que Espreita

Paulo nunca fora uma pessoa supersticiosa ou que acreditava em qualquer coisa que não pudesse ser explicada pela razão. Na verdade orgulhara-se muito de não agir assim. Entretanto, havia semanas que alguém, ou alguma coisa, parecia estar querendo por isso a prova.

 Faziam dias que ele sentia que algo o espreitava, uma presença densa, monstruosa, uma espécie de pesadelo errante. Ele não sabia como sabia disso, mas era como se uma voz em sua mente o alertasse de um perigo eminente, implorando-lhe para ser cauteloso. Claro que, no começo, ele ignorou tais bobagens, mas as sensações foram ficando cada vez mais e mais fortes, como se a tal coisa estivesse a aproximar-se.

 Ele nunca a via, entretanto, quando estava sozinho, a senti observando-o, como se aquela criatura sem nome e sem rosto estivesse a apenas um metro de distância. Isso o deixava inquieto, nervoso. Os seus amigos e colegas de trabalho perceberam a mudança e tentaram ajudar-lhe, mas Paulo, por mais que se sentisse grato pelo apoio de todos, não podia explicar da causa de sua angustia e então desconversava, alegando sempre tratar-se de problemas pessoais que o estavam afetando.

 Mas as sensações permaneciam. Ele sempre sentia alguma coisa a observar-lhe. De inicio, isso acontecia quando estava sozinho, mas aquela criatura que o espreitava, fosse o que fosse, tornara-se mais obsessiva e começou a segui-lo por toda parte. Fosse em um cinema, restaurante ou no trabalho, Paulo sempre sentia-se observado. Era como se essa criatura tivesse se tornado sua sombra, acompanhando-o por toda parte.

 O mais angustiante era que ele nunca a via, apenas a sentia, sempre espreitando de algum ponto cego, mas mesmo assim muito próximo. Isso o fazia lembrar aqueles desenhos animados, aonde um personagem se escondia atrás do outro e sempre se movia quando este virava-se. Nos desenhos, era engraçado, mas na vida real não.

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