Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Lucas Vitoriano
Lucas Vitoriano é formado em História pela Universidade Federal do Ceará e possui especialização em Docência no Ensino Superior. Já teve vários contos selecionados para diversas antologias e possui romances escritos, porém ainda em processo de publicação. Amante de mitologia grega, fantasia e terror, a escrita é uma constante em sua vida. Está sempre revisando um romance enquanto já escreve o próximo.







Górgona

Como tantos outros, Aidoneus se dirigira até a região ao norte de Eleusis para enfrentar o monstro que estava assombrando toda a Grécia. Medusa era seu nome, a mais temida entre as górgonas. Habitava uma caverna escura e úmida, a qual todos procuravam evitar aproximação por medo do temível monstro que lá vivia.
Durante o dia, ela mantinha-se abrigada nas sombras da caverna, remoendo seu rancor e sua amargura por ter sido amaldiçoada e transformada em um monstro-serpente pela ira da deusa Atenas. A noite, entretanto, deixava seu abrigo e partia para a caça. Aterrorizava os viajantes, fossem guerreiros ou comerciantes, fitando-os com seus olhos reptilianos e, assim, petrificando seus corpos e retirando-lhes o calor da vida para sempre.
Devido a isso, os que passavam por aquela região sempre oravam ao deus Hermes, mensageiro dos deuses e protetor dos viajantes, pedindo-lhe proteção contra a temível criatura. Oferendas eram feitas, animais eram sacrificados e oráculos eram consultados. Apesar disso, nada resolvia o problema. Medusa continuava viva, arrastando-se com seu corpo meio humano, meio serpente, caçando todos que ousavam adentrar em seu território ou, então, partindo para longe em caçada.
Muitos soldados já haviam feito a mesma jornada que Aidoneus, enviados para matar a criatura, mas falhavam e as estátuas de pedra que tornaram-se seus corpos era a prova inegável de suas derrotas.
Apesar disso, Aidoneus não recuou ao seu dever de matar o monstro. Não avançara despreparado a procura do monstro, mas planejara com cautela cada um de seus passos. Por seis messes, treinara um estilo específico de combate para enfrentar a górgona. Mandara que o o melhor ferreiro de Eleusis lhe fizesse um escudo extremamente largo, circular, feito de puro bronze. O mesmo era tão grande que, quando erguido a frente de seu corpo, interpunha-se como uma parede a sua frente. Assim sendo, o escudo não apenas era resistente a ataques, mas também cobria seu campo de visão, impedindo-o de acabar olhando no rosto da górgona por engano.
Como arma carregava uma longa lança, de quase dois metros de altura. Um peitoral de ferro lhe cobria o corpo e um elmo protegia sua cabeça. Além disso, havia consultado um sábio conhecedor de serpentes. O homem, um velho de longa barba branca e quase completamente cego, ensinara-lhe tudo que se podia saber sobre esses animais traiçoeiros. Ele lhe falara sobre seus hábitos, como caçavam, como acasalavam e acerca de seus venenos, ensiando-lhe, inclusive, como fabricar antídotos de grande utilidade.

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Lucas Vitoriano
Górgona

Como tantos outros, Aidoneus se dirigira até a região ao norte de Eleusis para enfrentar o monstro que estava assombrando toda a Grécia. Medusa era seu nome, a mais temida entre as górgonas. Habitava uma caverna escura e úmida, a qual todos procuravam evitar aproximação por medo do temível monstro que lá vivia.
Durante o dia, ela mantinha-se abrigada nas sombras da caverna, remoendo seu rancor e sua amargura por ter sido amaldiçoada e transformada em um monstro-serpente pela ira da deusa Atenas. A noite, entretanto, deixava seu abrigo e partia para a caça. Aterrorizava os viajantes, fossem guerreiros ou comerciantes, fitando-os com seus olhos reptilianos e, assim, petrificando seus corpos e retirando-lhes o calor da vida para sempre.
Devido a isso, os que passavam por aquela região sempre oravam ao deus Hermes, mensageiro dos deuses e protetor dos viajantes, pedindo-lhe proteção contra a temível criatura. Oferendas eram feitas, animais eram sacrificados e oráculos eram consultados. Apesar disso, nada resolvia o problema. Medusa continuava viva, arrastando-se com seu corpo meio humano, meio serpente, caçando todos que ousavam adentrar em seu território ou, então, partindo para longe em caçada.
Muitos soldados já haviam feito a mesma jornada que Aidoneus, enviados para matar a criatura, mas falhavam e as estátuas de pedra que tornaram-se seus corpos era a prova inegável de suas derrotas.
Apesar disso, Aidoneus não recuou ao seu dever de matar o monstro. Não avançara despreparado a procura do monstro, mas planejara com cautela cada um de seus passos. Por seis messes, treinara um estilo específico de combate para enfrentar a górgona. Mandara que o o melhor ferreiro de Eleusis lhe fizesse um escudo extremamente largo, circular, feito de puro bronze. O mesmo era tão grande que, quando erguido a frente de seu corpo, interpunha-se como uma parede a sua frente. Assim sendo, o escudo não apenas era resistente a ataques, mas também cobria seu campo de visão, impedindo-o de acabar olhando no rosto da górgona por engano.
Como arma carregava uma longa lança, de quase dois metros de altura. Um peitoral de ferro lhe cobria o corpo e um elmo protegia sua cabeça. Além disso, havia consultado um sábio conhecedor de serpentes. O homem, um velho de longa barba branca e quase completamente cego, ensinara-lhe tudo que se podia saber sobre esses animais traiçoeiros. Ele lhe falara sobre seus hábitos, como caçavam, como acasalavam e acerca de seus venenos, ensiando-lhe, inclusive, como fabricar antídotos de grande utilidade.

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