Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Lucas Vitoriano
Lucas Vitoriano é formado em História pela Universidade Federal do Ceará e possui especialização em Docência no Ensino Superior. Já teve vários contos selecionados para diversas antologias e possui romances escritos, porém ainda em processo de publicação. Amante de mitologia grega, fantasia e terror, a escrita é uma constante em sua vida. Está sempre revisando um romance enquanto já escreve o próximo.







Górgona

Com esse conhecimento acerca de seu inimigo, e armado apropriadamente, Aidoneus partira para caçar Medusa, a mais temível entre as górgonas. Viajara por duas semanas até chegar a caverna aonde ela vivia. Era lá que agora se encontrava, parado em frente ao antro de sua inimiga. Desmontara de seu cavalo, amarrando-o em uma árvore próxima.
Como era dia, Medusa encontrava-se reclusa na caverna, provavelmente arquitetando seus próximos assassinatos. Aidoneus armou-se com o escudo e a lança, avançando assim em direção a entrada da tenebrosa caverna. Andava a passos firmes, com o escudo sempre a frente de seu corpo.
A caverna era escura e pouco se podia ver lá dentro. Algumas gotas de água caiam das estalagmites no teto, produzindo um som baixo e constante. No chão rochoso, haviam ossos de pequenos animais: pombos, esquilos, coelhos. Aidoneus deduziu que eram os restos do alimento da górgona. Ouvira falar que, tal qual uma serpente, ela abocanhava animais e os engolia por inteiro, os mesmos ficando em seu estômago por muitos dias. Vendo os ossos, sabia agora que essa história era falsa. Mesmo com o corpo de serpente, ela ainda possuía traços humanos e a alimentação tendeu para esse lado.
Entretanto, o soldado de Eleusis sabia muito bem que outras histórias eram verdadeiras, como as de que falavam que qualquer um que a fitasse nos olhos seria transformado em pedra. Já havia visto algumas dessas estátuas antes, no caminho até a caverna, mas agora voltava a vê-las, espalhadas pela imensidão assustadora daquele espaço confinado.
A primeira estátua que viu era a de um homem grande e corpulento, com um grande machado de guerra em mãos. Uma expressão de fúria cobria seu rosto, mas o homem morrera sem jamais poder descarregar toda sua cólera, pois fora transformado em pedra e ali jazia, exposto como um troféu de guerra pela infame criatura.
Adentrando mais na caverna, sempre com o escudo a protege-lo, Aidoneus avistou mais estátuas. Elas se tornavam cada vez mais numerosas. A iluminação era quase inexistente e o soldado não conseguia ver nada além de um metro a sua frente.
O som dos pingos de água prosseguia, sutil e constante. Aidoneus segurou sua lança com mais força. Sabia que a górgona era poderosa, mas era mortal, como qualquer ser vivo abaixo dos deuses. Um golpe certeiro em um ponto vital seria o suficiente para encerrar sua vida.

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Lucas Vitoriano
Górgona

Com esse conhecimento acerca de seu inimigo, e armado apropriadamente, Aidoneus partira para caçar Medusa, a mais temível entre as górgonas. Viajara por duas semanas até chegar a caverna aonde ela vivia. Era lá que agora se encontrava, parado em frente ao antro de sua inimiga. Desmontara de seu cavalo, amarrando-o em uma árvore próxima.
Como era dia, Medusa encontrava-se reclusa na caverna, provavelmente arquitetando seus próximos assassinatos. Aidoneus armou-se com o escudo e a lança, avançando assim em direção a entrada da tenebrosa caverna. Andava a passos firmes, com o escudo sempre a frente de seu corpo.
A caverna era escura e pouco se podia ver lá dentro. Algumas gotas de água caiam das estalagmites no teto, produzindo um som baixo e constante. No chão rochoso, haviam ossos de pequenos animais: pombos, esquilos, coelhos. Aidoneus deduziu que eram os restos do alimento da górgona. Ouvira falar que, tal qual uma serpente, ela abocanhava animais e os engolia por inteiro, os mesmos ficando em seu estômago por muitos dias. Vendo os ossos, sabia agora que essa história era falsa. Mesmo com o corpo de serpente, ela ainda possuía traços humanos e a alimentação tendeu para esse lado.
Entretanto, o soldado de Eleusis sabia muito bem que outras histórias eram verdadeiras, como as de que falavam que qualquer um que a fitasse nos olhos seria transformado em pedra. Já havia visto algumas dessas estátuas antes, no caminho até a caverna, mas agora voltava a vê-las, espalhadas pela imensidão assustadora daquele espaço confinado.
A primeira estátua que viu era a de um homem grande e corpulento, com um grande machado de guerra em mãos. Uma expressão de fúria cobria seu rosto, mas o homem morrera sem jamais poder descarregar toda sua cólera, pois fora transformado em pedra e ali jazia, exposto como um troféu de guerra pela infame criatura.
Adentrando mais na caverna, sempre com o escudo a protege-lo, Aidoneus avistou mais estátuas. Elas se tornavam cada vez mais numerosas. A iluminação era quase inexistente e o soldado não conseguia ver nada além de um metro a sua frente.
O som dos pingos de água prosseguia, sutil e constante. Aidoneus segurou sua lança com mais força. Sabia que a górgona era poderosa, mas era mortal, como qualquer ser vivo abaixo dos deuses. Um golpe certeiro em um ponto vital seria o suficiente para encerrar sua vida.

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