Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Lucas Vitoriano
Lucas Vitoriano é formado em História pela Universidade Federal do Ceará e possui especialização em Docência no Ensino Superior. Já teve vários contos selecionados para diversas antologias e possui romances escritos, porém ainda em processo de publicação. Amante de mitologia grega, fantasia e terror, a escrita é uma constante em sua vida. Está sempre revisando um romance enquanto já escreve o próximo.







Górgona

Então, cortando a harmonia dos pingos de água, um novo som surgiu no ambiente. Era o sibilar de uma cobra, o som parecia um riso de escárnio. Um vulto moveu-se rápido na visão periférica do soldado. Tudo que viu fora a longa e grossa cauda de serpente, do tamanho de um tronco humano, movendo-se rapidamente e sumindo. Apesar de toda sua coragem, Aidoneus sentiu um calafrio a percorrer seu corpo.
— Apareça monstro! Apenas um covarde se esconde na escuridão, aonde a luz de Hélios não consegue alcança-la!
Mais uma vez o sibilar, agora mais alto. Aidoneus virou-se duas vezes, com o escudo sempre a sua frente. Tinha certeza que a criatura se movia, aproximando-se dele, mas não conseguia acompanhar-lhe os movimentos.
— Uma covarde? — a voz era mais animalesca que humana, as silabas soavam estranhas, como se a górgona tivesse desaprendido a articular palavras — olhe ao redor, soldado, e veja quantos pereceram em minhas mãos. Acha mesmo que sou uma covarde?
Aidoneus tentava identificar a origem do som, mas ele vinha de todos os lados, em ecos que se repetiam, dando a impressão que estava cercado de górgonas. Segurou a lança mais firme, fazendo uma reza silenciosa a Ares, deus da guerra, e pedindo-lhe força e coragem para abater aquele inimigo.
— É um monstro! — bradou com força — e será abatida como um por mim, Aidoneus de Eleusis!
O sibilar ficou mais alto. Aidoneus tinha certeza que Medusa estava rodeando-o, analisando-o de todos os lados a fim de conseguir um bom ângulo para atacar.
Manteve-se alerta. Tinha certeza que os deuses o favoreceriam naquele combate, pois sempre ofertara sacrifícios a eles e sempre os reverenciara com extremo respeito. Era impossível que os imortais dessem aquele monstro a vitória e a ele a derrota.

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Lucas Vitoriano
Górgona

Então, cortando a harmonia dos pingos de água, um novo som surgiu no ambiente. Era o sibilar de uma cobra, o som parecia um riso de escárnio. Um vulto moveu-se rápido na visão periférica do soldado. Tudo que viu fora a longa e grossa cauda de serpente, do tamanho de um tronco humano, movendo-se rapidamente e sumindo. Apesar de toda sua coragem, Aidoneus sentiu um calafrio a percorrer seu corpo.
— Apareça monstro! Apenas um covarde se esconde na escuridão, aonde a luz de Hélios não consegue alcança-la!
Mais uma vez o sibilar, agora mais alto. Aidoneus virou-se duas vezes, com o escudo sempre a sua frente. Tinha certeza que a criatura se movia, aproximando-se dele, mas não conseguia acompanhar-lhe os movimentos.
— Uma covarde? — a voz era mais animalesca que humana, as silabas soavam estranhas, como se a górgona tivesse desaprendido a articular palavras — olhe ao redor, soldado, e veja quantos pereceram em minhas mãos. Acha mesmo que sou uma covarde?
Aidoneus tentava identificar a origem do som, mas ele vinha de todos os lados, em ecos que se repetiam, dando a impressão que estava cercado de górgonas. Segurou a lança mais firme, fazendo uma reza silenciosa a Ares, deus da guerra, e pedindo-lhe força e coragem para abater aquele inimigo.
— É um monstro! — bradou com força — e será abatida como um por mim, Aidoneus de Eleusis!
O sibilar ficou mais alto. Aidoneus tinha certeza que Medusa estava rodeando-o, analisando-o de todos os lados a fim de conseguir um bom ângulo para atacar.
Manteve-se alerta. Tinha certeza que os deuses o favoreceriam naquele combate, pois sempre ofertara sacrifícios a eles e sempre os reverenciara com extremo respeito. Era impossível que os imortais dessem aquele monstro a vitória e a ele a derrota.

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