Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Lucas Vitoriano
Lucas Vitoriano é formado em História pela Universidade Federal do Ceará e possui especialização em Docência no Ensino Superior. Já teve vários contos selecionados para diversas antologias e possui romances escritos, porém ainda em processo de publicação. Amante de mitologia grega, fantasia e terror, a escrita é uma constante em sua vida. Está sempre revisando um romance enquanto já escreve o próximo.







Górgona

Então, sem aviso prévio, veio o primeiro ataque. Aidoneus sentiu um impacto forte em seu escudo, tão potente que só não recuou porque seus pés estavam firmes no chão. Agindo como treinara durante tanto tempo, dera uma estocada com a lança, pela lateral do escudo. Não sentiu a familiar sensação de carne sendo perfurada. Tudo que sua lâmina atingiu foi o vazio.
Sentiu mãos segurando-o pelos ombros e percebeu, tarde demais, que o ataque havia sido da cauda da górgona. Ela dera a volta, o agarrava por trás e o virava, forçando-o a encará-la. Tudo aconteceu rápido demais e Aidoneus não teve tempo de fechar os olhos. E foi assim que a viu.
O corpo da criatura era de uma coloração verde escura, como lodo. Medusa estava nua, com os seios a mostra, ainda conservando muito de sua beleza humana, mesmo que corrompida pela forma monstruosa de serpente. Na altura da cintura, o corpo assumia a forma de serpente, transformando-se em uma grossa cauda, cheia de escamas.
Haviam escamas na parte superior de seu corpo também, lisas e úmidas. Mas o mais assustador era o rosto, Aidoneus não conseguiu não fitá-lo. As feições ainda eram belas mesmo após a transformação. Seus cabelos eram um ninho de serpentes, agitando-se e sibilando, pondo suas línguas bifurcadas para fora. E haviam os olhos, grandes, dourados e penetrantes. Aidoneus sentiu um pavor tão profundo que até sua alma encolheu-se em seu corpo. Ficou paralisado, completamente estupefato com aqueles dois sois corrompidos.
E assim, tudo terminou, seu corpo transformou-se em pedra, a vida deixou seu corpo, agora uma estátua fria. Medusa sorriu, exultante com mais um de seus troféus. Ela afastou-se, deslizando com sua cauda, para observar melhor o homem petrificado.
Era mais um entre tantos. Que os gregos de toda parte fossem até seu antro, ela os mataria, um a um. Nunca desejara aquela vida, era uma humana, uma sacerdotisa fiel a Atenas, mas fora amaldiçoada por aquela que mais amara, aquela a qual, em Seu nome, prometera castidade e servidão.
Fora traída pela Deusa e, como não poderia feri-la, atingia seus devotos, matando todos que lhe prestassem devoção. Poderia não ser esse o destino que escolhera, mas fora o que as Moiras, lhe incumbiram. Assim sendo, iria abraça-lo, iria tornar-se por dentro o monstro que já era por fora. Pois assim quiseram os imortais e ela nada podia fazer contra a vontade Deles.

Páginas: 1 2 3 4

Lucas Vitoriano
Górgona

Então, sem aviso prévio, veio o primeiro ataque. Aidoneus sentiu um impacto forte em seu escudo, tão potente que só não recuou porque seus pés estavam firmes no chão. Agindo como treinara durante tanto tempo, dera uma estocada com a lança, pela lateral do escudo. Não sentiu a familiar sensação de carne sendo perfurada. Tudo que sua lâmina atingiu foi o vazio.
Sentiu mãos segurando-o pelos ombros e percebeu, tarde demais, que o ataque havia sido da cauda da górgona. Ela dera a volta, o agarrava por trás e o virava, forçando-o a encará-la. Tudo aconteceu rápido demais e Aidoneus não teve tempo de fechar os olhos. E foi assim que a viu.
O corpo da criatura era de uma coloração verde escura, como lodo. Medusa estava nua, com os seios a mostra, ainda conservando muito de sua beleza humana, mesmo que corrompida pela forma monstruosa de serpente. Na altura da cintura, o corpo assumia a forma de serpente, transformando-se em uma grossa cauda, cheia de escamas.
Haviam escamas na parte superior de seu corpo também, lisas e úmidas. Mas o mais assustador era o rosto, Aidoneus não conseguiu não fitá-lo. As feições ainda eram belas mesmo após a transformação. Seus cabelos eram um ninho de serpentes, agitando-se e sibilando, pondo suas línguas bifurcadas para fora. E haviam os olhos, grandes, dourados e penetrantes. Aidoneus sentiu um pavor tão profundo que até sua alma encolheu-se em seu corpo. Ficou paralisado, completamente estupefato com aqueles dois sois corrompidos.
E assim, tudo terminou, seu corpo transformou-se em pedra, a vida deixou seu corpo, agora uma estátua fria. Medusa sorriu, exultante com mais um de seus troféus. Ela afastou-se, deslizando com sua cauda, para observar melhor o homem petrificado.
Era mais um entre tantos. Que os gregos de toda parte fossem até seu antro, ela os mataria, um a um. Nunca desejara aquela vida, era uma humana, uma sacerdotisa fiel a Atenas, mas fora amaldiçoada por aquela que mais amara, aquela a qual, em Seu nome, prometera castidade e servidão.
Fora traída pela Deusa e, como não poderia feri-la, atingia seus devotos, matando todos que lhe prestassem devoção. Poderia não ser esse o destino que escolhera, mas fora o que as Moiras, lhe incumbiram. Assim sendo, iria abraça-lo, iria tornar-se por dentro o monstro que já era por fora. Pois assim quiseram os imortais e ela nada podia fazer contra a vontade Deles.

Páginas: 1 2 3 4