Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Lucas Vitoriano
Lucas Vitoriano é formado em História pela Universidade Federal do Ceará e possui especialização em Docência no Ensino Superior. Já teve vários contos selecionados para diversas antologias e possui romances escritos, porém ainda em processo de publicação. Amante de mitologia grega, fantasia e terror, a escrita é uma constante em sua vida. Está sempre revisando um romance enquanto já escreve o próximo.







Seis Quarteirões

Segui meu caminho, faltava pouco para chegar em casa, apenas dois quarteirões. Mesmo assim a rua não se tornava menos assustadora. As vezes tinha impressão de ouvir pessoas sussurrando e, quando olhava para os lados podia ver vultos se movendo apressadamente e não eram vultos de gatos.
Voltei a sentir as garras da noite me envolvendo e senti-me como uma mosca presa em uma teia de aranha. Andei o mais rápido que pude, quase correndo. Minha casa estava bem próxima, eu só precisava virar a esquina e seguir reto por uns quinze metros.
Foi então que ouvi, não era um sussurro, não era o som do vento, alguém havia claramente me chamado. Não, não haviam dito “moça” ou “eu gostosa!” haviam dito meu nome! Não pensei duas vezes comecei a correr feito uma louca. O som se repetia atrás de mim, cada vez mais forte. Não sei se a pessoa estava mais perto ou se apenas gritava mais alto, esperava que fosse a segunda opção. Mesmo assim corri com todas as minhas forças, corri como nunca havia corrido em toda minha vida.
Dobrei a esquina como um raio e já pude ver minha casa. Uma casinha pequena com porta de madeira. Apressei os passos e, para meu pavor, a voz continuava a gritar meu nome, pedindo-me para parar. Meus olhos começavam a lacrimejar ao ponto de atrapalhar minha visão.
Corria tão depressa que me choquei contra a porta de minha casa com tudo produzindo um baque sonoro. Como sou burra não havia tirado a chave da bolsinha que carrego. Atrapalhada e com o coração a mil procurei em minha bolsa a maldita chave, mas ela parecia se esconder de meus dedos.
– Merda… merda… cadê você maldita?! – sentia lagrimas escorrendo do meu rosto. A voz que me chamava estava cada vez mais próxima e era só questão de instantes até me alcançar.
Finalmente achei a chave e tentei coloca-la na fechadura, mas estava tão nervosa que uma tarefa simples como essa parecia a coisa mais difícil do mundo. Minha mão tentava encaixar a chave na fechadura, mas acabei derrubando o objeto no chão. Uma mão segurou o meu ombro e eu me virei apavorada.
– Calma! Calma!! – era Bruno erguendo as mãos em sinal de paz ao ver minha expressão de pavor.
Por mais puta que eu estivesse com ele não poderia ter ficado mais feliz em vê-lo. Deixando totalmente de lado a briga me joguei em seus braços em um abraço apertado. Eu ainda tremia e ele, mesmo sem entender o porque daquela minha reação histérica, abraçou-me de volta.
– Está tudo bem Carol. Fica calma está tudo bem… – disse dando-me tapinhas nos ombros.
Eu me senti uma completa idiota pela briga de antes. Bruno era meu melhor amigo. Do tipo de amigo tão bom que eu nem mereço. Mesmo depois de eu ter brigado com ele e recusado sua ligação ele resolveu me procurar com medo de que eu voltasse sozinha.
Sai do abraço e lhe dei o melhor dos sorrisos. Sem jeito por ter agido de forma tão escandalosa me abaixei peguei a chave e, sem nenhuma dificuldade, abri a porta.
– Valeu por ter vindo atrás de mim – disse com sinceridade – entra, vamos aproveitar o resto da noite assistindo filmes de terror.
– Parece legal – ele respondeu abrindo um sorriso.
Entramos em minha casa e ele fechou a porta atrás de nós. Eu finalmente estava segura e me senti uma idiota por ter voltado a pé tão tarde. Felizmente moro sozinha então não preciso ter medo de meus pais me dando bronca.

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Lucas Vitoriano
Seis Quarteirões

Segui meu caminho, faltava pouco para chegar em casa, apenas dois quarteirões. Mesmo assim a rua não se tornava menos assustadora. As vezes tinha impressão de ouvir pessoas sussurrando e, quando olhava para os lados podia ver vultos se movendo apressadamente e não eram vultos de gatos.
Voltei a sentir as garras da noite me envolvendo e senti-me como uma mosca presa em uma teia de aranha. Andei o mais rápido que pude, quase correndo. Minha casa estava bem próxima, eu só precisava virar a esquina e seguir reto por uns quinze metros.
Foi então que ouvi, não era um sussurro, não era o som do vento, alguém havia claramente me chamado. Não, não haviam dito “moça” ou “eu gostosa!” haviam dito meu nome! Não pensei duas vezes comecei a correr feito uma louca. O som se repetia atrás de mim, cada vez mais forte. Não sei se a pessoa estava mais perto ou se apenas gritava mais alto, esperava que fosse a segunda opção. Mesmo assim corri com todas as minhas forças, corri como nunca havia corrido em toda minha vida.
Dobrei a esquina como um raio e já pude ver minha casa. Uma casinha pequena com porta de madeira. Apressei os passos e, para meu pavor, a voz continuava a gritar meu nome, pedindo-me para parar. Meus olhos começavam a lacrimejar ao ponto de atrapalhar minha visão.
Corria tão depressa que me choquei contra a porta de minha casa com tudo produzindo um baque sonoro. Como sou burra não havia tirado a chave da bolsinha que carrego. Atrapalhada e com o coração a mil procurei em minha bolsa a maldita chave, mas ela parecia se esconder de meus dedos.
– Merda… merda… cadê você maldita?! – sentia lagrimas escorrendo do meu rosto. A voz que me chamava estava cada vez mais próxima e era só questão de instantes até me alcançar.
Finalmente achei a chave e tentei coloca-la na fechadura, mas estava tão nervosa que uma tarefa simples como essa parecia a coisa mais difícil do mundo. Minha mão tentava encaixar a chave na fechadura, mas acabei derrubando o objeto no chão. Uma mão segurou o meu ombro e eu me virei apavorada.
– Calma! Calma!! – era Bruno erguendo as mãos em sinal de paz ao ver minha expressão de pavor.
Por mais puta que eu estivesse com ele não poderia ter ficado mais feliz em vê-lo. Deixando totalmente de lado a briga me joguei em seus braços em um abraço apertado. Eu ainda tremia e ele, mesmo sem entender o porque daquela minha reação histérica, abraçou-me de volta.
– Está tudo bem Carol. Fica calma está tudo bem… – disse dando-me tapinhas nos ombros.
Eu me senti uma completa idiota pela briga de antes. Bruno era meu melhor amigo. Do tipo de amigo tão bom que eu nem mereço. Mesmo depois de eu ter brigado com ele e recusado sua ligação ele resolveu me procurar com medo de que eu voltasse sozinha.
Sai do abraço e lhe dei o melhor dos sorrisos. Sem jeito por ter agido de forma tão escandalosa me abaixei peguei a chave e, sem nenhuma dificuldade, abri a porta.
– Valeu por ter vindo atrás de mim – disse com sinceridade – entra, vamos aproveitar o resto da noite assistindo filmes de terror.
– Parece legal – ele respondeu abrindo um sorriso.
Entramos em minha casa e ele fechou a porta atrás de nós. Eu finalmente estava segura e me senti uma idiota por ter voltado a pé tão tarde. Felizmente moro sozinha então não preciso ter medo de meus pais me dando bronca.

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