Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Luís Amorim
Luís Amorim, natural de Oeiras, Portugal, escreve poesia e prosa desde 2005. Tem já escritas 1050 histórias com 50 livros de ficção publicados, entre os quais Almas, Fantasias, Flores, Terra Ausente, O Mapa, “Contos I”, “Contos II” e “Sonetos”. Tem numerosas participações em antologias literárias, revistas e jornais na Europa e Brasil.

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Hora morta

Pela noite dentro, tudo calmo parecia, bem perto do centro onde a vila, diziam muitos, «Já não tem vida», quando «Tudo por ali acontecia» no antes longínquo. Agora, no então de enredo e com a presente calma no papel, referia este que os sonos duravam até ao ser dia sem interrupções que assinalassem a mais pequena agitação. Mas certa noite, que o jornal local à presente consulta não soube com precisão esclarecer por se tratar de crónica assinada sem complemento de data quanto aos verídicos, escrevia-se, acontecimentos, o chafariz próximo da residência em questão começou do nada a largar gotas com dezena de segundos aproximados, para o sonoro recipiente. Encontrava-se dentro de pequeno jardim, fechado apenas durante a noite ou talvez não, quando no diurno era obrigatória visita de turistas procurando uma recordação junto do histórico monumento. Já não tinha água corrente, daí que começar de madrugada a revelar a sonoridade da mesma perante sonos que se pretendiam descansados, seria de todo completamente inesperado. Mas foi isso mesmo a suceder, fazendo crença na tal crónica, sobre acontecimentos de eras outras. A família acordada no de repente foi, sobressaltada para fora de casa, na de chafariz direcção com a rapidez que a água determinava ao sonoro cair. Uma vez ali chegados e quando o relógio marcava três ponteiros na fria madrugada, parou a queda de água pelo chafariz então determinada. Voltaram para dentro de casa, no convencimento que poderiam enfim descansar sossegados no dormir entretanto interrompido. Puro engano. Mal se deitaram, casal e filha, sentiram de imediato água caindo no estrondo da noite sem esse maçador pormenor, agradavelmente silenciosa. E assim foi pela madrugada dentro, impedindo o sono de vencer em prol do merecedor descanso. O dia seguinte decorreu com normalidade até à chegada pela noite, com a madrugada a dar sinal, de mais água caindo «No sítio do costume» pelas três horas no seu iniciar. Nova precipitação exaltada até ao chafariz para este se calar no jorrar de água, gota a gota sem piedade quanto ao sono familiar. Novo conformar de situação aparentemente inexplicável por ser às três exactas horas de cada nova madrugada, «A hora morta» dita pelo pai de família que, durante o dia foi investigar o que lhe foi possível na biblioteca local sobre «O impiedoso monumento», onde leu sobre invocação maligna naquele mesmo lugar algumas gerações antes. Resolveu então solicitar a presença de amigo sabedor do ritual de exorcismos para solucionar o problema, convencido de ser esse o mais acertado no agir que teria forçosamente de acontecer. Ritual feito pela exacta hora maligna e consequência esperada de não mais cair gota de água qualquer. Só que na seguinte noite, elas, as gotas voltaram a fazer-se ouvir. Com rolha pronta a ser encaixada, mesmo à real medida, o cair de água cessou e assim pareceu à família o tranquilo final de estória. Mais dia outro até à nocturna ocasião por acrescento de enredo e na vez essa à de costume hora, as três, o ruído outro era que levou a família a conferir com exaltação o que então se passava. Era o padre em estranho ritual ou talvez não, com um exorcismo aparente, o qual para espanto familiar, afirmou na sua forte convicção ser o oficial que, independentemente da ocasião e dos seus envolventes, unicamente resulta e bem no sempre que for preciso.

Luís Amorim
Hora morta

Pela noite dentro, tudo calmo parecia, bem perto do centro onde a vila, diziam muitos, «Já não tem vida», quando «Tudo por ali acontecia» no antes longínquo. Agora, no então de enredo e com a presente calma no papel, referia este que os sonos duravam até ao ser dia sem interrupções que assinalassem a mais pequena agitação. Mas certa noite, que o jornal local à presente consulta não soube com precisão esclarecer por se tratar de crónica assinada sem complemento de data quanto aos verídicos, escrevia-se, acontecimentos, o chafariz próximo da residência em questão começou do nada a largar gotas com dezena de segundos aproximados, para o sonoro recipiente. Encontrava-se dentro de pequeno jardim, fechado apenas durante a noite ou talvez não, quando no diurno era obrigatória visita de turistas procurando uma recordação junto do histórico monumento. Já não tinha água corrente, daí que começar de madrugada a revelar a sonoridade da mesma perante sonos que se pretendiam descansados, seria de todo completamente inesperado. Mas foi isso mesmo a suceder, fazendo crença na tal crónica, sobre acontecimentos de eras outras. A família acordada no de repente foi, sobressaltada para fora de casa, na de chafariz direcção com a rapidez que a água determinava ao sonoro cair. Uma vez ali chegados e quando o relógio marcava três ponteiros na fria madrugada, parou a queda de água pelo chafariz então determinada. Voltaram para dentro de casa, no convencimento que poderiam enfim descansar sossegados no dormir entretanto interrompido. Puro engano. Mal se deitaram, casal e filha, sentiram de imediato água caindo no estrondo da noite sem esse maçador pormenor, agradavelmente silenciosa. E assim foi pela madrugada dentro, impedindo o sono de vencer em prol do merecedor descanso. O dia seguinte decorreu com normalidade até à chegada pela noite, com a madrugada a dar sinal, de mais água caindo «No sítio do costume» pelas três horas no seu iniciar. Nova precipitação exaltada até ao chafariz para este se calar no jorrar de água, gota a gota sem piedade quanto ao sono familiar. Novo conformar de situação aparentemente inexplicável por ser às três exactas horas de cada nova madrugada, «A hora morta» dita pelo pai de família que, durante o dia foi investigar o que lhe foi possível na biblioteca local sobre «O impiedoso monumento», onde leu sobre invocação maligna naquele mesmo lugar algumas gerações antes. Resolveu então solicitar a presença de amigo sabedor do ritual de exorcismos para solucionar o problema, convencido de ser esse o mais acertado no agir que teria forçosamente de acontecer. Ritual feito pela exacta hora maligna e consequência esperada de não mais cair gota de água qualquer. Só que na seguinte noite, elas, as gotas voltaram a fazer-se ouvir. Com rolha pronta a ser encaixada, mesmo à real medida, o cair de água cessou e assim pareceu à família o tranquilo final de estória. Mais dia outro até à nocturna ocasião por acrescento de enredo e na vez essa à de costume hora, as três, o ruído outro era que levou a família a conferir com exaltação o que então se passava. Era o padre em estranho ritual ou talvez não, com um exorcismo aparente, o qual para espanto familiar, afirmou na sua forte convicção ser o oficial que, independentemente da ocasião e dos seus envolventes, unicamente resulta e bem no sempre que for preciso.