Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Luís Amorim
Luís Amorim, natural de Oeiras, Portugal, escreve poesia e prosa desde 2005. Tem já escritas 1050 histórias com 50 livros de ficção publicados, entre os quais Almas, Fantasias, Flores, Terra Ausente, O Mapa, “Contos I”, “Contos II” e “Sonetos”. Tem numerosas participações em antologias literárias, revistas e jornais na Europa e Brasil.

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Teste para admissão

Acordara bastante sobressaltada a meio da madrugada, como vinha sendo habitual, com imagens densamente nubladas e um vulto alto por diante, mais do que pronto, dizia ele, para a levar. No seguinte, vendo ninguém, começou a balbuciar sem qualquer ordem de pensamentos, se alguém a ouvia, se ela já teria passado ao outro lado e se aquilo seria puro e autêntico. Então voltou a vê-lo, integralmente vestido de negro, mas com um largo chapéu de semelhante tonalidade que lhe cobria por completo as feições. Afirmou ter algo importante para lhe mostrar, a conhecer início na porta à sua frente, da qual não se recordava de tê-la visto antes. Entrou e no imediato começou a ver diversas imagens nas paredes e até pelo chão de situações provocadas por si no passado, as quais deixaram um rasto visível de reprovação. Reparou, com mais atenção, que após uma área onde atitudes suas estavam figuradas, logo a seguir via as respectivas consequências espelhadas nas pessoas que tanto prejudicara e caluniara, as quais pareciam que ainda naquele dia preciso, muito refilavam, identificando-a apenas como a pecadora Malélia. Apesar disso, arrependia-se de nada, perante sonoras gargalhadas do indivíduo, adivinhando seus pensamentos, assim mesmo conjecturou. Nova sucessão de casos seus onde fora interveniente, paredes e chão apontando para ela, para no seguinte instante, mais dedos acusadores que não a faziam vacilar em prol do arrependimento. E o caminho prosseguiu no idêntico sucessivo registo até surgir porta outra, onde ele fez convite à passagem, optando por não lhe fazer companhia, face à surpresa de Malélia, diante ondas enormes que se estendiam até seu horizonte fitado. Água levou-a sem pedir licença, nadando sem rumo, mas por tempo pouco, saindo num poço em campo sombrio, onde uma luz distante era bem perceptível.

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Luís Amorim
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Acordara bastante sobressaltada a meio da madrugada, como vinha sendo habitual, com imagens densamente nubladas e um vulto alto por diante, mais do que pronto, dizia ele, para a levar. No seguinte, vendo ninguém, começou a balbuciar sem qualquer ordem de pensamentos, se alguém a ouvia, se ela já teria passado ao outro lado e se aquilo seria puro e autêntico. Então voltou a vê-lo, integralmente vestido de negro, mas com um largo chapéu de semelhante tonalidade que lhe cobria por completo as feições. Afirmou ter algo importante para lhe mostrar, a conhecer início na porta à sua frente, da qual não se recordava de tê-la visto antes. Entrou e no imediato começou a ver diversas imagens nas paredes e até pelo chão de situações provocadas por si no passado, as quais deixaram um rasto visível de reprovação. Reparou, com mais atenção, que após uma área onde atitudes suas estavam figuradas, logo a seguir via as respectivas consequências espelhadas nas pessoas que tanto prejudicara e caluniara, as quais pareciam que ainda naquele dia preciso, muito refilavam, identificando-a apenas como a pecadora Malélia. Apesar disso, arrependia-se de nada, perante sonoras gargalhadas do indivíduo, adivinhando seus pensamentos, assim mesmo conjecturou. Nova sucessão de casos seus onde fora interveniente, paredes e chão apontando para ela, para no seguinte instante, mais dedos acusadores que não a faziam vacilar em prol do arrependimento. E o caminho prosseguiu no idêntico sucessivo registo até surgir porta outra, onde ele fez convite à passagem, optando por não lhe fazer companhia, face à surpresa de Malélia, diante ondas enormes que se estendiam até seu horizonte fitado. Água levou-a sem pedir licença, nadando sem rumo, mas por tempo pouco, saindo num poço em campo sombrio, onde uma luz distante era bem perceptível.

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