De fora - M. Lestrange
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






De fora

Uma lágrima finalmente se libertou e escorreu livremente por seu rosto. Era muito mais fácil chorar quando estava sozinha.

Tinha acontecido bastante recentemente.

Talvez ele tivesse razão.

Quer dizer, se algo tivesse que mudar, já não estava na hora?

Essas coisas não tinham uma espécie de prazo de validade?

Ela já tinha quinze anos. Nos filmes, aos quinze anos sua vida vira de cabeça para baixo, tudo vai para o inferno, apenas pra que possa ficar tudo bem no final. De preferência ao lado daquele cara especialmente bonito, que somente alguns anos mais velho, percebeu finalmente o quanto você foi e é uma pessoa espetacular.

E se isso vier acoplado a uma lição de moral que possa ser devidamente esfregada nas faces de todos aqueles que lhe fizeram chacota durante todos aqueles anos, por que não, certo?

É muito fácil não acreditar nas histórias de superação e reviravoltas quando não se precisa delas. Quando não estamos no fundo do poço. Quando os dedos e risos são direcionados a outras pessoas, é muito fácil ignorar e continuar andando.

Demorou algum tempo até que ela parasse de esperar por aquela mensagem de texto.

Para que parasse de esperar por seu filme particular. Pelas reviravoltas do destino.

Eventualmente as mudanças vieram, porque a vida não espera por nada, nem pelas lágrimas solitárias de uma garota de quinze anos.

Naquela noite não houve a resposta à sua mensagem de texto.

Não houve reviravolta.

Não houve destino.

Houve apenas ela. Chorando. Sozinha.

Sempre sozinha.

Sentindo-se ignorada. Desimportante.

Invisível.

De fora.

 

Páginas: 1 2 3

M. Lestrange
De fora

Uma lágrima finalmente se libertou e escorreu livremente por seu rosto. Era muito mais fácil chorar quando estava sozinha.

Tinha acontecido bastante recentemente.

Talvez ele tivesse razão.

Quer dizer, se algo tivesse que mudar, já não estava na hora?

Essas coisas não tinham uma espécie de prazo de validade?

Ela já tinha quinze anos. Nos filmes, aos quinze anos sua vida vira de cabeça para baixo, tudo vai para o inferno, apenas pra que possa ficar tudo bem no final. De preferência ao lado daquele cara especialmente bonito, que somente alguns anos mais velho, percebeu finalmente o quanto você foi e é uma pessoa espetacular.

E se isso vier acoplado a uma lição de moral que possa ser devidamente esfregada nas faces de todos aqueles que lhe fizeram chacota durante todos aqueles anos, por que não, certo?

É muito fácil não acreditar nas histórias de superação e reviravoltas quando não se precisa delas. Quando não estamos no fundo do poço. Quando os dedos e risos são direcionados a outras pessoas, é muito fácil ignorar e continuar andando.

Demorou algum tempo até que ela parasse de esperar por aquela mensagem de texto.

Para que parasse de esperar por seu filme particular. Pelas reviravoltas do destino.

Eventualmente as mudanças vieram, porque a vida não espera por nada, nem pelas lágrimas solitárias de uma garota de quinze anos.

Naquela noite não houve a resposta à sua mensagem de texto.

Não houve reviravolta.

Não houve destino.

Houve apenas ela. Chorando. Sozinha.

Sempre sozinha.

Sentindo-se ignorada. Desimportante.

Invisível.

De fora.

 

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