Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Matheus Freitas
Matheus Freitas nasceu em 1990, é jornalista, escritor e roteirista. Tenta povoar todos os gêneros e formatos possíveis para poder dar andamento em seu projeto de Universo Compartilhado de Narrativa Transmídia, que é extenso demais para explicar neste espaço.
Por ora, escreve romances, contos e roteiros de HQs, audiovisual e tudo mais que puder inventar para criar o universo compartilhado mais diversificado possível. Gosta de trabalhar com basicamente todos os gêneros: terror, horror, suspense, humor, romance, ação, aventura etc.
Gosta de escrever aquilo que gostaria de ler ou ver, por isso, às vezes, tem algumas ideias absurdas, outras interessantes e algumas, sob entendimento de outros, ruins (porque seu gosto nem sempre é compreendido pelos demais), mas, no fim das contas, só quer contar algumas histórias.






O Demonio de Tourette- Parte 02

– E o que vamos fazer? Sentar e observar enquanto uma criança corre o risco de vida?

– Sim! Esse é o nosso trabalho, observar! Primeiro, o objetivo é descobrir onde é o local. Já fizemos isso. Agora, vamos nos esconder e esperar a sessão terminar. Depois, quando tudo estiver calmo, vamos invadir e tentar conversar com a criança.

– Mas isso não é certo…

– Não temos muito tempo para discutir. Ou nos escondemos ou teremos que dar por encerrada a nossa investigação.

A contragosto, Elba se esconde junto com Pietro. Juntos, aguardam. A espera é agoniante. Além de observar as pessoas em frente a casa comemorando a cada oração e versículos da bíblia ditos pelo padre, os gritos do menino são incessantes.

Depois de muito esperar, os gritos do garoto diminuem. Há uma calmaria no ambiente e uma movimentação da população. Ao que tudo indica, a sessão acabou e os moradores estão indo embora.

– Infelizmente, acho que o demônio é forte demais…

– Essa já é a quarta das cinco sessões. Se esse padre milagreiro não consegue, ninguém mais consegue.

– Vamos perder o garoto…

O abatimento é geral na população. A batalha entre Padre e Diabo não tem sido boa ao Sacerdote.

– O padre vai matá-lo! – diz Elba.

– Calma, ainda falta uma sessão – argumenta Pietro – E vamos agir agora. A gente vai salvar o garoto.

O “agora” demora mais alguns minutos. A dupla espera o vilarejo estar em silêncio. Quando os passos e as conversas da população chegam ao fim, Pietro e Elba saem de onde estão e vão até a residência do menino.

Ao se aproximar pelos fundos, notam a movimentação de duas pessoas. Apenas a mãe e o garoto vivem ali. Aguardam mais alguns minutos. Ela se retira para ir ao banheiro. Pietro e FULANA ouvem o barulho do chuveiro sendo ligado, retornam a residência e decidem adentrar a casa.

Com a porta aberta, por conta do calor e do índice zero de criminalidade, Pietro e Elba caminham lentamente até o quarto onde está o menino.

A casa pequena e os sons contínuos, como se fossem tíquetes, facilitam a procura da dupla. Deitado na cama, o menino tem marcas vermelhas no rosto, indicando que levou tapas.

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Matheus Freitas
O Demonio de Tourette- Parte 02

– E o que vamos fazer? Sentar e observar enquanto uma criança corre o risco de vida?

– Sim! Esse é o nosso trabalho, observar! Primeiro, o objetivo é descobrir onde é o local. Já fizemos isso. Agora, vamos nos esconder e esperar a sessão terminar. Depois, quando tudo estiver calmo, vamos invadir e tentar conversar com a criança.

– Mas isso não é certo…

– Não temos muito tempo para discutir. Ou nos escondemos ou teremos que dar por encerrada a nossa investigação.

A contragosto, Elba se esconde junto com Pietro. Juntos, aguardam. A espera é agoniante. Além de observar as pessoas em frente a casa comemorando a cada oração e versículos da bíblia ditos pelo padre, os gritos do menino são incessantes.

Depois de muito esperar, os gritos do garoto diminuem. Há uma calmaria no ambiente e uma movimentação da população. Ao que tudo indica, a sessão acabou e os moradores estão indo embora.

– Infelizmente, acho que o demônio é forte demais…

– Essa já é a quarta das cinco sessões. Se esse padre milagreiro não consegue, ninguém mais consegue.

– Vamos perder o garoto…

O abatimento é geral na população. A batalha entre Padre e Diabo não tem sido boa ao Sacerdote.

– O padre vai matá-lo! – diz Elba.

– Calma, ainda falta uma sessão – argumenta Pietro – E vamos agir agora. A gente vai salvar o garoto.

O “agora” demora mais alguns minutos. A dupla espera o vilarejo estar em silêncio. Quando os passos e as conversas da população chegam ao fim, Pietro e Elba saem de onde estão e vão até a residência do menino.

Ao se aproximar pelos fundos, notam a movimentação de duas pessoas. Apenas a mãe e o garoto vivem ali. Aguardam mais alguns minutos. Ela se retira para ir ao banheiro. Pietro e FULANA ouvem o barulho do chuveiro sendo ligado, retornam a residência e decidem adentrar a casa.

Com a porta aberta, por conta do calor e do índice zero de criminalidade, Pietro e Elba caminham lentamente até o quarto onde está o menino.

A casa pequena e os sons contínuos, como se fossem tíquetes, facilitam a procura da dupla. Deitado na cama, o menino tem marcas vermelhas no rosto, indicando que levou tapas.

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