Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Matheus Freitas
Matheus Freitas nasceu em 1990, é jornalista, escritor e roteirista. Tenta povoar todos os gêneros e formatos possíveis para poder dar andamento em seu projeto de Universo Compartilhado de Narrativa Transmídia, que é extenso demais para explicar neste espaço.
Por ora, escreve romances, contos e roteiros de HQs, audiovisual e tudo mais que puder inventar para criar o universo compartilhado mais diversificado possível. Gosta de trabalhar com basicamente todos os gêneros: terror, horror, suspense, humor, romance, ação, aventura etc.
Gosta de escrever aquilo que gostaria de ler ou ver, por isso, às vezes, tem algumas ideias absurdas, outras interessantes e algumas, sob entendimento de outros, ruins (porque seu gosto nem sempre é compreendido pelos demais), mas, no fim das contas, só quer contar algumas histórias.






UM SER SAUDÁVEL

Nilson se considera um Ser extremamente saudável. Quando atingiu a marca dos 35
anos, resolveu abdicar de alguns hábitos para poder viver bem e ter uma melhor
qualidade de vida.
Há três anos diminuiu o seu consumo de gordura e dos chamados carboidratos ruins. E
tenta, diariamente, diminuir o consumo de carne. Exercita-se na academia. E tem tido
ótimos resultados.
Também parou de ingerir bebidas alcoólicas e açucaradas. Seu lema é justamente esse:
comer bem e se cuidar para poder ter uma longa vida saudável.
A única coisa que ainda não havia mudado era o seu gosto musical. Sua esposa não
aprovava muito, mas ele adorava escutar as músicas bregas do cantor Britinho,
principalmente na hora de se exercitar. O ritmo das letras o deixava mais animado.
Quando a pandemia veio e sua academia fechou, estava decidido a não parar de se
cuidar. Nilson sabia da importância do distanciamento social e de que, infelizmente,
alguns lugares precisaram estar fechados para tentar disseminar a contaminação do
vírus.
Ele não é contra nenhuma medida que visa ajudar à população. Passou a se exercitar em
casa. Quando teve mais coragem, com todos os cuidados necessários, começou a correr
na rua.
O lugar onde exerce sua corrida matinal, todos os dias entre 6h e 8h da manhã, é uma
ciclovia não muito cuidada. Com bastante descaso da administração municipal. É
pequena e mal cabiam duas pessoas. Às vezes, precisavam sair da ciclovia para outro
poder passar.
A ciclovia é praticamente junto a uma das mãos de uma movimentada avenida. Se não
fosse a faixa amarela e os sinalizadores de chão que separavam a parte dos pedestres e
dos veículos, as pessoas estariam se exercitando em meio aos carros.
Normalmente, Nilson corria do ponto A, onde iniciava seu trajeto, até o fim da Ciclovia.
Nesse percurso, ele estava no sentido certo. Ou seja, os carros passavam por ele na
mesma direção.
Depois ele voltava do fim da Ciclovia até o Ponto A, onde havia iniciado. Nessa volta,
ele corria na contramão, em direção aos veículos.
Numa manhã ensolarada como muitas outras, Nilson corria como sempre. Já estava
retornando. O tênis desamarrou. Ele não percebeu. Pisou no cadarço do pé esquerdo,
tropeçou e caiu para fora da ciclovia.
Uma moto, em uma velocidade elevada, vinha em sua direção. Ao vê-lo no chão, ela
desviou e se jogou para o lado esquerdo da via. Ao fazer isso, o carro que vinha naquele
lado bateu na moto.

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Matheus Freitas
UM SER SAUDÁVEL

Nilson se considera um Ser extremamente saudável. Quando atingiu a marca dos 35
anos, resolveu abdicar de alguns hábitos para poder viver bem e ter uma melhor
qualidade de vida.
Há três anos diminuiu o seu consumo de gordura e dos chamados carboidratos ruins. E
tenta, diariamente, diminuir o consumo de carne. Exercita-se na academia. E tem tido
ótimos resultados.
Também parou de ingerir bebidas alcoólicas e açucaradas. Seu lema é justamente esse:
comer bem e se cuidar para poder ter uma longa vida saudável.
A única coisa que ainda não havia mudado era o seu gosto musical. Sua esposa não
aprovava muito, mas ele adorava escutar as músicas bregas do cantor Britinho,
principalmente na hora de se exercitar. O ritmo das letras o deixava mais animado.
Quando a pandemia veio e sua academia fechou, estava decidido a não parar de se
cuidar. Nilson sabia da importância do distanciamento social e de que, infelizmente,
alguns lugares precisaram estar fechados para tentar disseminar a contaminação do
vírus.
Ele não é contra nenhuma medida que visa ajudar à população. Passou a se exercitar em
casa. Quando teve mais coragem, com todos os cuidados necessários, começou a correr
na rua.
O lugar onde exerce sua corrida matinal, todos os dias entre 6h e 8h da manhã, é uma
ciclovia não muito cuidada. Com bastante descaso da administração municipal. É
pequena e mal cabiam duas pessoas. Às vezes, precisavam sair da ciclovia para outro
poder passar.
A ciclovia é praticamente junto a uma das mãos de uma movimentada avenida. Se não
fosse a faixa amarela e os sinalizadores de chão que separavam a parte dos pedestres e
dos veículos, as pessoas estariam se exercitando em meio aos carros.
Normalmente, Nilson corria do ponto A, onde iniciava seu trajeto, até o fim da Ciclovia.
Nesse percurso, ele estava no sentido certo. Ou seja, os carros passavam por ele na
mesma direção.
Depois ele voltava do fim da Ciclovia até o Ponto A, onde havia iniciado. Nessa volta,
ele corria na contramão, em direção aos veículos.
Numa manhã ensolarada como muitas outras, Nilson corria como sempre. Já estava
retornando. O tênis desamarrou. Ele não percebeu. Pisou no cadarço do pé esquerdo,
tropeçou e caiu para fora da ciclovia.
Uma moto, em uma velocidade elevada, vinha em sua direção. Ao vê-lo no chão, ela
desviou e se jogou para o lado esquerdo da via. Ao fazer isso, o carro que vinha naquele
lado bateu na moto.

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